Fórum de Discussões

Em tempos de abertura de mercado, o Brasil tem se mostrado capaz de superar a síndrome de terceiro mundo - pelo menos no que diz respeito a indústria de petróleo. Aqui podem ser encontrados praticamente todos os equipamentos e serviços necessários desde a prospecção até o refino.

Mas os compromissos firmados nos leilões de blocos exploratórios da Agência Nacional de Petróleo põe os fabricantes em estado de alerta: nas três rodadas, a média de comprometimento com as compras locais não ultrapassou os 46%, sendo que, na mais recente, as companhias se comprometeram a adquirir, em média, 34% dos bens e serviços dos fornecedores brasileiros.

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Nossa produção de petróleo está paralela a economia, agarrada às produtoras e ao governo americano. O Brasil poderia ser um dos maiores produtores de petróleo do mundo, temos mão de obra e tecnologia para isso. Tenho alguns cursos de produção de petróleo e não tenho emprego. Como?

João Paulo
Operador de Sonda de Perfuração (desempregado)
Niterio/RJ
joaopaulo.marinho@bol.com.br


Acho que não existem grandes culpados e ainda não estou certo de que o problema exista. É claro que o governo poderia fornecer maiores incentivos como a redução de ICMS, ou financiamentos do BNDES. O fato é que a Indústria Internacional, como qualquer outra (inclusive os empresários nacionais) vai comprar onde seus executivos tenham conhecimento da capacidade de produção e onde o custo seja competitivo (lembre-se do frete e dos custos de desalfandegamento).
O capital não tem bandeira. Se as empresas nacionais forem capazes de fazer a Indústria Petrolífera conhecer seus produtos e oferecerem condições competitivas, as Operadoras dos Campos optarão por comprar na Indústria Nacional. A ONIP está fazendo um excelente trabalho de divulgação da Capacidade da Indústria Nacional e existe espaço para iniciativa privada trabalhar nesta área também, como é o caso do Portal www.digimasteronline.com.br. No mais, os empresários nacionais devem fazer a parte deles (tornar seus custos competitivos, trabalhar para uma maior suporte do BNDES, etc...). Assim, certamente, a Indústria Petrolífera vai aumentar seus percentuais de compras na Indústria Nacional. Conseguir protecionismo do governo só vai tornar a indústria não competitiva e não vai ajudar a aumentar o percentual de compra das Oil Companies.

Luiz Felipe Martins
Diretor Empresa: Digimaster
Rio de Janeiro/RJ
luizfelipe@digimasteronline.com.br


Não devemos cair no raciocínio simplista de identificarmos culpados. Todos somos atores que temos responsabilidade de intervir para modificar para melhor essa situação. De um lado como cidadãos exigir políticas públicas que se fundamentem no estimulo ao desenvolvimento de tecnologias que aumentem a competitividade das empresas brasileiras. Para tal temos bons exemplos da parceria da Petrobrás com as Universidades. De outro lado cabe as empresas promover a criação de um sistema de informação que permita padronizar as informações sobre produtos e serviços para essa área.

Antonio Oscar P. Vieira
Rio de Janeiro - RJaneiro
anoscar@noitescariocas.com.br
Diretor Comercial da Aitech Consultoria Especializada Ltda


A culpa é da Sociedade Brasileira, ai incluindo Governo e Empresários nacionais, que não sabem defender os reais interesses do nosso Pais. Antes tudo era proibido importar, criando-se mercados privativos e irreais para benefício de poucos.
A nova política se direcionou para o extremo oposto com a liberação geral, mesmo em áreas onde deveriamos nos proteger.
Se os paises europeus e os americanos podem criar proteções para seus mercado agrícolas, siderúrgicas, aviões(no Canada) e muitos outros exemplos, porque não é correto criarmos proteções para produtos a serem utilizados no nosso mercado interno, gerados pela exploração de nossas riquezas, se esta atitude é do nosso interesse e gera desenvolvimento interno sadio?
Teorias econômicas importadas, interesses políticos e interesses setoriais específicos devem ser deixados de lado para previlegiar o interesse do Brasil.

João Batista Camara Ribas
Rio de Janeiro/RJ – jbribas@urbi.com.br


Na minha opinião parte da culpa é dos gobernos (tanto os anteriores quanto o atual) que permitiram o desmonte da indústria naval, de fundamental importância para a E&P de um país que tem suas reservas majoritariamente localizadas off-shore.
Mas deve ser levado em conta também o fato de que a amior investidora no setor do país, a Petrobras, consegue captar recursos no exterior a taxas muito inferiores às conseguidas no mercado interno, e que estes recursos muitas vezes tem como contrapartida a realização de compras no exterior (buyers-cerdit). Seria então o caso de repensar não só o caso do setor do petróleo, mas sim o da indústria como um todo que (quando pode) se vê forçada a captar recursos no exterior para fugir das altas taxas praticadas internamente, e assim contribui para fachar as contas de nossa balaça de pagamentos...

Cristiano Martins
São Gonçalo-RJ – cristianomartins@zipmail.com.br
Economista


Julgo que a raiz de quaisquer das possíveis razões intitucionais residem no filosófico, ou seja, na percepção que o País tem de si próprio.
Não tenho dúvida de que as razões têm caráter histórico: o Brasil jogou fora a séc. XX ao desprezar seu desenvolvimento em ciência e tecnologia e bem estar social. A despeito do fato de que não tivemos sorte com o nosso colonizador – Portugal, um país marginal da Europa, poderíamos ter mudado o destino ao qual eles nos arremeteram. Revelado isso, a clássica má distribuição de renda e a apropriação indébita pela corrupção edêmica não permitem antever um grande país antes do final deste século.

Ricardo Wilson da Cruz
Manaus-AM – rwcruz@fucapi.com.br
Prof. de engenharia mecânica
FUCAPI – Fundação Centro de Análise, Pesquisa e Inovação Tecnológica


Sem dúvida falta uma efetiva e transparente política pública para atender a este novo paradigma de economico em que não temos mais a atividade sob o regime de monopólio. Veja a Argentina como está com o desgoverno!!

Ninon Machado de Faria Leme Franco
Rio de Janeiro-RJ – ninon@ax.apc.org
Diretora – ONG Instituto Ipanema


As razões sempre são muitas, em problemas complexos. Creio que o prazo longo do período de exploração (em campos ultra-profundos o programa mínimo alcança 9 anos) assim como a grande variedade de estratégias na avaliação de um bloco, evidenciado pela grande diferença entre os lances para bônus de assinatura fez com que o valor do conteúdo nacional não fosse considerado decisivo pelos cotantes. Sendo assim, eles não se sentem incentivados a chegar perto do limite. O aprimoramento nas propostas de conteúdo exigiria acrescentar um ou mais técnicos à equipe, gerando custos adicionais; em consequência, eles preferem aumentar a proposta de bônus.

Arlindo Lima Charbel
Rio de Janeiro-RJ – acharbel@onip.org.br
Superintendente
Organização Nacional da Indústria do Petróleo


A culpa é da ANP que não obriga legalmente as empresas "oil companies" a um comprometiment e a um CUMPRIMENTO maior de compras nacionais.
A Culpa é da legislação mal estruturada que beneficia a importação através do Repetro (isentando impostos) e não obriga os Estados a isentarem ICMS, sendo , namaioria das vezes, impossível que os fornecedores nacionais compitam com o produto externo.
A culpa também é do BNDES e FINEP que são burocráticos em demasia e levam anos para liberar financiamento para os fornecedores do setor de P&G, além disso não há programa de incentivo à financiamento de pequenas e médias empresas, porque eles não querem "correr riscos" , são displicentes e lentos.
Por último a culpa é da mentalidade retrógrada dos empresários que ainda querem "garantias" de compra sem que estejam preparados em termos de tecnologia e prazo. Não demonstram que estão "correndo atrás do prejuizo". Concluindo, a culpa é é do Governo(ANP e mecanismos de fomento-BNDES e FINEP e da Legislação "inocente") e em menor escala, dos empresários, pois esses não são mais "protegidos" e são "mimados " em demasia para "irem a luta".

Fernanda
Rio de Janeiro-RJ – fernanda_v@hotmail.com
Economista

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