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Na minha opinião a Petrobrás estava sucateando a P-36, não é admissivel
que uma empresa do porte da Petrobrás não ter um sistema eficiente de
combate a incendio e a explosões, pra mim a responsabilidade é toda
da Petrobras, pois os profissionais que ali trabalham executam seus
trabalhos emitem relatórios, mas a decisão nas mudancas e operacões
é do alto escalão. esta é a minha opinião.
Jose Mauricio L. Bello
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A coisa está longe de ser considerada "superada".
O informativo "Petroleo e Politica" no. 31 - julho/agosto 2001, editado
pela AEPET, desfia uma análise sobre pontos "maquiados" do relatório
emitido pela Petrobras. Entre outras coisas, a tal "ocorrência imprevista
de fluxo para o tanque de drenagem de emergência". Ora, numa plataforma
extremamente automatizada, como justificar "ocorrências imprevistas"
logo no tanque que era batizado pela tripulação como "tanque do desespero"?
Mas parece que tal prática era corriqueira, exatamente por ...pressão
por produção, além da capacidade de atendimento da planta. Notem bem
o detalhe: não é a capacidade de produção da planta (já que a Petrobras
disse que ela não estava na máxima capacidade), pois se estavam duas
bombas de água em manutenção; sistemas de fechamento de dampers com
falhas; deficiencia de treinamento de pessoal; falta de procedimentos
e planos de contingência; ora, está claro que não havia condições para
uma operação segura com a produção que a gerência de terra estipulou.
Com isto, a Petrobras insistir em dizer que "não houve falha de manutenção",
é no mínimo querer fazer a sociedade de palhaço (desculpe-nos, Carequinha),
pois a disponibilidade da logística de manutenção numa plataforma com
restrição de pessoal (com formação "generalista" e multifuncional) e
sem estrutura ágil de apoio em terra, é precária. Portanto, o foco deve
ser orientado para as 11 vítimas, que valem muito mais que os milhões
de dólares de uma montanha de ferro. Que as viúvas possam ter sucesso
na luta por uma indenização digna e exemplar!
Maldonado
São Paulo-SP
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Agora na mídia só se fala no helicóptero que caiu
e matou a modelo Fernanda Vogel. O grupo Pão de Açucar - dono do helicóptero
- apressou-se em divulgar nota dizendo que a culpa coube integralmente
ao piloto falecido (prevenindo-se quanto à uma possível ação judicial
por parte da família da modelo). Mas vejamos uma hipótese: o "empresário"
Dinizinho (filhinho de papai) diz ao empregado piloto "vamos lá na casa
de praia agora, que quero impressionar minha namorada". O piloto tenta
argumentar: "Mas com esse tempo não dá." O "empresário" retruca: "Que
isso, quer dizer que com 20 anos de praia você não consegue fazer este
voozinho? Oh, e tem mais: você vai pegar papai que já está lá, que ele
vai querer ir para não sei onde". Pressionado, o piloto não pediu autorização
para aquele vôo, e deu no que deu. Fecha o pano, volta para a P-36:
será que os gerentes a bordo da P-36 sofreram pressões para passar por
cima de recomendações de segurança, e aí deu no que deu?
Fernando Kelper
Fortaleza, CE
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Realmente, o Cesar analisou bem o Forum e detetou
que o Maldonado já havia concluido o ocorrido (citando que o tal 'vaso'
poderia ter se rompido por sobrepressão e a tal "segunda" explosão é
que seria realmente a inflamação do gás liberado) antes da divulgação
do laudo da Petrobras ! Quanto às perguntas sobre manutenção de válvulas
de alívio, somente uma auditoria em instalações similares poderia apontar
algo. Será que a Petrobras, com a diminuição de seu quadro, vem comprometendo
a segurança de suas instalações e de seu pessoal?
Seria o caso de outra comissão de sindicância?
Passo a palavra, ao sindicato, ou ao representante das 11 viúvas...
Kaioba
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Não sei se vocês notaram, mas o Maldonado
revelou o laudo do ocorrido antes da divulgação oficial
da Petrobras! Ou seja, este forum realmente é de altíssimo
nível. Caberia algumas perguntas:
1) A tal válvula que "deveria" ficar fechada, realmente costumava
ficar fechada?
2) Como pode um vaso explodir por sobrepressão? Não havia
indicadores, ou dispositivos de alívio?
3) Caso houvessem dispositivos de alívio, estavam operacionais
e/ou recebiam manutenções preventivas regulares?
Tudo bem - "senhor genro" - que eu até acredito na Lei de Murphy,
mas num projeto de engenharia deste porte, a coisa tende mais para omissão
braba de princípios básicos de segurança, não?
Cesar Lopes Mandra
Rio de Janeiro-RJ
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Houve a divulgação "oficial" pela
Petrobras do relatório do acidente em 22/6/01 e apontaram como
uma provável causa, uma válvula que deixou vazar óleo
para um tanque... etc.
Em seguida, o responsável pela comissão - eng. Heleno
- disse que a Petrobras tem deficiências de treinamento para novas
tecnologias...
Ora, uma válvula sempre foi e será uma válvula,
e a manutenção na Petrobras sempre cuidou bem de válvulas.
E como válvula não é "alta tecnologia", será
que a verdadeira causa mais provável não teria sido outra?
A colocação de "falta de treinamento para novas tecnologias"
vem da política da empresa de cortes de "custos" - claro que
vão contestar esta minha colocação, e vão
mostrar números miliónários de quanto gastam em
treinamento por ano, milhares treinados, etc. - só que neste
balaio "quantitativo", se analisarmos o "qualitativo", verificaremos
um índice de pessoal técnico treinado em matérias
relativas à função, extremamente baixo, enquanto
vários treinamentos em primeiros socorros, editor de textos,
e outros para pessoal de escritório estarão lá
contemplados.
Portanto, concluimos que a culpa pelo afundamento foi da gerência
da Petrobras, com uma política nefasta de comprar tudo pronto
lá fora e de economizar em treinamento técnico - e pegaram
a "válvula" para bode expiatório. Sem essa!
Kaioba
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A história mostra que grandes desastres ocorrem
após várias pequenas ocorrências, às quais não são dadas maior importância.
É aquele "barulhinho" que aparece no nosso carro, a gente vai deixando,
(afinal estamos sem dinheiro para fazer despesas, não é mesmo?) se acostumando,
e quando vemos, lá se vai uma caixa de marcha, ou uma plataforma. Portanto,
não acredito em pesquisas para determinar "causas imediatas" do afundamento.
Um levantamento das irregularidades anteriormente registradas ou comentadas
pela tripulação, poderá trazer dados mais concretos e confiáveis, descortinando
o "iceberg" e não apenas sua ponta.
Maldonado
São Paulo-SP
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O Sérgio foi fundo no assunto. Parece que alguma
orientação de segurança não foi observada, ou mesmo não era conhecida.
Isto acontece em empresas com alto turn-over, ou elevado índice de terceirização.
Piper Alpha explodiu, afundou e matou 167 pessoas em 1988 porque entre
outras coisas o sistema de combate a incêndio estava bloqueado na região
do acidente. Simplesmente inexplicável!
Kaioba
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Caro Sérgio e demais participantes deste forum.
É a primeira vez que vejo um forum de alto nível, e respondendo ao Sérgio,
a resposta só pode ser não - a P-36 não afundaria se todos os procedimentos
de segurança fossem seguidos.
Quero ressaltar que a "causa imediata" poderia ter sido qualquer deslize
a recomendações de segurança, mas seguindo as colocações do Kaioba,
realmente toda uma cultura e política da empresa em pressões por produção,
redução de pessoal, iminuição de verbas para treinamento, etc. podem
ocupar parcela significativa não só deste, mas de quaisquer acidentes
de vulto.
Rogério B. Blemos
rblemos@hotmail.com
Curitiba-PA
Analista de cadastro
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Caro Golfer, realmente a resposta à sua pergunta
é - com toda a certeza - NÃO!
Só que diferentes pessoas carregam diferentes conhecimentos. Vamos para
um exemplo prático: quem hoje sabe na ponta da língua, o que houve em
Piper Alpha e o que foi feito para evitar novos acidentes?
Ou seja, não é disseminado em nossa cultura - a exemplo da americana
- o amplo debate sobre acidentes anteriores e a incorporação das soluções
em outras instalações. Tudo é na base do segredinho. Ou seja, teremos
outras P-36, outras REDUC, porque o que todos os "responsáveis" querem
é varrer os erros para baixo do tapete. É como a avestruz, que pensa
que enfiando sua cabeça no chão, fica invisível para seus perseguidores
! Plenamente aplicável aqui a última frase da opinião do Paulo Teixeira
- logo abaixo...
João Campos
Natal RN
Consultor de segurança
JC Consultoria Ltda.
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Parece que a obra da plataforma foi bem feita, a
julgar pela certificação obtida. Mas, e a operação, possuia o mesmo
padrão de qualidade?
Ok, tinha sistema de fogo e gás, tinha lastro, tinha tudo de mais moderno
e caro. Mas que negócio é este de "sobrepressão que pode esperar uma
peça chegar" ou "estamos especificando a peça para troca"? Minha pergunta
a este seleto forum - aliás meus parabéns pela manutenção do mesmo,
já que os jornais não falam mais da P-36, só do "apagão" - é: Se todos
os procedimentos, leis e normas sobre segurança estivessem sendo seguidos,
a P-36 (ou Piper Alpha, ou qualquer outra) teria explodido??
Sérgio B. Golfer
Salvador-BA
Eng. Seg. Plataforma de Petróleo
Schlumberger
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O Kelper mostrou uma preocupação pertinente. Aguardemos
o relatório da Petrobras, mas levando-se em conta que a indústria do
petróleo é das mais perigosas do mundo, podemos afirmar que a pista
está no próprio relatório de bordo, que informou sobrepressão num vaso
que estava na perna. Este vaso pode ter explodido na primeira "explosão",
o que gerou uma série de eventos. Porém o gás foi liberado, e encontrando
uma fonte de ignição, poderia ter havido então uma detonação, ou "segunda
explosão".
Como dever de casa, meu estudante, consulte o dicionário sobre "fogo
fátuo".
Maldonado
São Paulo-SP
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Realmente estou aprendendo
muito neste site. Ainda não obtive com meus amigos a resposta ao seguinte:
tivemos uma explosão. Nisso, a sala de controle teve conhecimento, e
os sistemas automaticos paralisaram os processos, fechando todas as
válvulas.
Ou seja, o gás que havia foi queimado com a explosão e não há mais gás
porque o processo está parado e com válvulas fechadas. O pessoal da
brigada desce pela perna para ver o estado das coisas. Aí tem uma segunda
explosão! A pergunta é: como, se o gás estava fechado, tudo desligado
ou destruído pela primeira? E pela magnitude, parece que foi maior que
a primeira!?! Não entendi e recorro ao forum.
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Este site está de parabéns
pelo alto nível dos participantes, como o Kaioba e o Maldonado. Creio
que este é o caminho: aprender com quem tem algo de embasado a dizer.
Ontem, 9/05/01 no Clube de Engenharia do Rio de Janeiro teve um palestra
do Segen Stefen da COPPE - que deu várias entrevistas à imprensa na
época do acidente. Esperávamos que ele levasse novas informações, ou
pelo menos debatesse o ralatório preliminar divulgado pela Petrobras
à imprensa. Que nada, ele limitou-se a mostrar cópias das matérias divulgadas
nos jornais antes do afundamento - matérias apenas especulativas. Ele
mesmo declarou não conhecer o projeto da P-36, não participar da comissão
de investigação, não conhecer detalhes da operação. Assim, qualquer
um pode ter seus 15 minutos de fama.
Cesar Lopes Mandra
Diretor Tecnico
Mandra e Associados Ltda.
csmandra@globo.com.br
Rio de Janeiro
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O Paulo Teixeira abordou importante
aspecto sobre privatizações e realmente, depois da privatização, todas
as tarifas de serviços subiram muito – nenhum resultado a favor do povo.
(Quando está em jogo milhões de dólares, alguém em são consciência acha
que estão preocupados com o povo?) Nos últimos dias falou-se da situação
da Argentina: há alguns anos, quando o Cavallo privatizou tudo lá, atrelou
o peso ao dólar, etc., os "entendidos" daqui disseram que aquilo era
o certo, que a Argentina iria "decolar". O Cavallo veio aqui "ensinar"
seu milagre, foi "venerado"... ora, à Argentina agora só resta vender
as calças e estão falidos. É bom abrirem o olho, porque o que acontece
lá, acaba repetindo aqui. Sobre a P-36, o Reichstul foi à N.Y. tentar
explicar algo a investidores de peso. Vai dizer que foi "resultado de
erros de administrações anteriores", vai ser comovente, mas será que
além de lábia, ele vai apresentar medidas que GARANTAM a não repetição
de tragédia!
As semelhantes? O órgão de segurança da Petrobras, vai continuar sendo
"de apoio"? Burocratas de produção vão continuar desobedecendo normas
de segurança para aumentar produção e lucros? Aguardemos...
Kaioba
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A questão da "privatização" resume-se no seguinte:
o Estado arrecada grande quantidade de impostos, como por exemplo o
IPVA que seria destinado à conservação de estradas. Só que não aplica
o dinheiro arrecadado onde deveria (há os "desvios" e os "rombos").
Aí com as estradas esburacadas, faz-se conivente com a mídia, repetindo
a mensagem " tem que privatizar'.
Só que depois que privatiza e cada pobre mortal passa a pagar pedágio
(que é cobrado para conservar a estrada), o governo "esquece" de diminuir
o valor do IPVA. Como resultado, o otário útil que defende "privatizar"
(também sinônimo de enriquecer o dono) ao invés de "moralizar", acaba
pagando dobrado.
Eta povinho burro...
Paulo Teixeira
Advogado
pteixeira@yahoo.com
Cunha e Associados
Maceió – Alagoas
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Segundo as investigações até o momento efetuadas,
ainda não há o consenso sobre como ocorreu gás na perna da plataforma.
Apenas uma coisa deve ser realçada: foram salvas 164 pessoas sem pânico,
numa situação extremamente crítica, de madrugada, plataforma inclinando
no meio do mar.
Merecem parabéns todos os coordenadores de evacuação.
Kaioba
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E agora com a P-7, tambem estão criando um ambiente
favorável à sua privatização.
Paulo Fernando
São Paulo, SP
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Os sucessivos acidentes ocorridos com a Petrobras
fazem parte de uma manobra para desmoralizar a companhia, criando um
ambiente favorável à sua privatização.
ENTÃO VAMOS PRIVATIZAR LOGO!!!!
Anônimo
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O Ricardo Teles colocou questões
importantes: havia sistema de fogo e gás? A resposta direta que um "responsável"
diria ao receber esta interrogação seria: sim! Bem, "no chão da fábrica"
a história tem ensinado o seguinte: muitas vezes somos tratados como
cobaias e os fornecedores sabem que somos ávidos pelo "menor preço".
Nas plataformas fixas, os sistemas fogo e gás foram adquiridos de empresa
"conceituada" (Det tronics), só que o tempo (e a pesquisa do pessoal
da Petrobras) mostrou que a tecnologia empregada nos sensores era deficiente
- eles saturavam com o tempo e perdiam sensibilidade. Como já se passaram
alguns anos destas "descobertas" - pelos menos 10 - o pessoal deve ter
aprovado uma tecnologia mais confiável. Outro detalhe é que a plataforma
foi "transformada". Segundo notícias, não deveria existir na perna qualquer
vaso de processo; neste caso talvez não houvesse sensores de gás nas
pernas no projeto original. Quanto à "competência" de terceirizado!
Se a "coisa" é complexa. Ultimamente, empresas coreanas e japonesas
estão fazendo obras na Petrobras (dão o menor preço) mas há reclamações
da qualidade dos equipamentos feita pelos usuários. Como pode isto?
Ora, é necessário cumprir o cronograma. Depois o pessoal de operação
dá um jeitinho...
Maldonado
São Paulo, SP
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| Depoimento das viúvas chamam a atenção pela
forma "carinhosa" como a P-36 era chamada: "A armengada". O preço pago
pela "produção a qualquer custo" foi extremamente caro. Além dos 500 milhões
de dólares, das 11 vidas e do desgaste da imagem, ficará marcado para
sempre que algo muito grave aconteceu ali. Pela pirâmide de falhas, quando
ocorre um evento catastrófico, é porque já ocorreram anteriormente 300
fatos menores - que podem ser ordens "gerenciais" sem compromisso com
procedimentos de segurança. O que nos deve preocupar é se doravante o
órgão de segurança da Petrobras vai continuar assistindo impavidamente
à toda corrida desabalada pela auto-suficiência ou se vai passar a se
sentar à cadeira e ser ouvido ANTES de qualquer ação "gerencial".
Kaioba
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Vejamos alguns pontos "interessantes":
1 - Existe, ou "DEVERIA EXISTIR", em plataformas um sistema comumente
chamado de "FOGO E GÁS".
Este sistema tem por objetivo verificar em tempo real a presença de
gás, fumaça e/ou chama; caso um destes elementos sejam detectados imediatamente
deve, ou "DEVERIA", haver uma ação no sentido de solucionar a ocorrência.
Estes "ALARMES" possuem decisões em hierarquias próprias que devem ser
tomadas por interferência humana e/ou automática, dependendo das rotinas
implementadas no próprio sistema e seguindo normas de classificação
pré-definidas" e rigorosas.
O sistema existia na P-36, sem ele não haveria a correspondente aprovação
da sociedade classificadora. Então vejamos:
a) Houve vazamento de gás? Caso positivo o sistema não detectou? Se
detectou houve ação correta no sentido da eliminação do risco? Se houve
por que a explosão?
b) Não houve vazamento de gás. A explosão foi por outro motivo. Se assim
foi o sistema não detectou chama? E fumaça? O sistema detectou? Caso
positivo qual a ação para eliminação do risco? Esta foi a mais adequada?
Detalhe: houve mais de uma explosão? Então o sistema/procedimento foi
subjulgado?
Observamos nos dois casos que a tripulação residente na P-36 era orientada
por um coordenador, operadores e supervisores de segurança da própria
empresa e não "terceirizados"; a decisão e/ou ação caberia a estes e
não aos "terceiros".
Acredito que "pelo menos" um desses tripulantes "DEVERIAM" ter como
descrever os fatos na cronologia que ocorreram.
É importante notar que a empresa não constrói plataformas ela "TERCEIRIZA"
toda obra; desta forma fica claro que existe competência na terceirização
de atividades. Ela deve se realizar desde que devidamente comprovada
sua competência, ou não?
Então fica muito difícil supor que o problema sejam os terceiros, pois
estes terceiros são selecionados/contratados com a devida aprovação
da PETROBRÁS. A menos que exista falha no processo de avaliação! neste
caso a falha não é do terceiro e sim da contratante, concorda?
Vamos lá. Explodiu. Iniciou-se o processo de alagamento de uma das colunas.
Estas colunas não deveriam ser estanques? Passam por testes rigorosos
para avaliar se estão operando adequadamente caso contrário a plataforma
não "poderia/deveria" ser liberada!
De forma similar ao sistema de "FOGO E GÁS" existe um sistema de controle
de lastro. Este sistema tem por competência manter a plataforma devidamente
nivelada e equilibrada automaticamente.
Então vejamos esta tese:
A P-36 possuía 4 colunas e uma delas foi inundada. Se o sistema de lastro
funcionou por que, mesmo afundando ela não permaneceu na horizontal?
Este sistema deveria se comportar com "VAZO COMUNICANTE" sendo assim
as 4 colunas deveriam ser invadidas igualmente visando o equilíbrio
horizontal da P-36! Ou não?
Diante dessas "conjecturas" não deveríamos ser informados dos fatos
que realmente ocorreram? Será que uma comissão instituída é mais competente
do que a tripulação da P-36 para esclarecimentos dos fatos? Esta comissão
possui "terceirizados" não é uma incongruência?
Em uma empresa existem pessoas que tem responsabilidades de responder
pelos erros e acertos. Sendo assim quem responde ao sinistro são, em
ordem hierarquica, responsáveis e devem responder por tal evento.
Injustiça maior é o contribuinte assumir "BURRAMENTE" todo o ônus do
sinistro tendo que "ACEITAR" os "ESCLARECIMENTOS" prestados pelos "RESPONSÁVEIS"
do fato, não acham?
Estas opiniões, estritamente pessoais, podem estar radicalmente erradas,
mas.... são opiniões, estão abertas a novas possibilidades!
Ronaldo Telles
Rio de Janeiro, RJ
ronaldo@orion.com.br Cargo:
Gerente de Filial/Segmento de mercado Empresa:
ÓRION Automação
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Os diretores da AEPET Associação dos Engenheiros da Petrobras
entendem que três causas são apontadas como responsáveis pelo acidente
da P-36:
Causa (1): Clima organizacional. Os diretores da AEPET afirmam que o
clima organizacional na Petrobrás, particularmente nas plataformas,
era e é altamente negativo, porque os empregados concursados da Petrobrás
vivem sob a constante ameaça de alteração do horário de turno que, atualmente.
O temor maior é porque sabem que com a modificação da jornada de trabalho
haverá aumento de carga de trabalho e diminiução de mão-de-obra, o que
provocará transferências e demissões voluntárias.
Causa (2): terceirização. A AEPET vem há muito tempo chamando a atenção
para essa ação equivocada de se terceirizar trabalhos em uma indústria
de altíssimo risco como é a de petróleo. O número é alarmante. Para
cada empregado contratado há dois terceirizados. E o horizonte dos trabalhadores
terceirizados é de menos de dois anos para não se criar vínculo empregatício,
ou seja, são trabalhadores que estão sempre em treinamento e quando
atingem um ponto adequado de produção são demitidos. É cláro que, neste
contexto, há prejuízos para o clima organizacional e para a seguranca.
Hoje, trabalham na Petrobrás mais de 100 mil pessoas, das quais, apenas,
34 mil são empregados concursados.
Causa (3): alta velocidade no aumento de produção de petróleo. Os diretores
da AEPET também já manifestaram pensamento contrário, principalmente,
porque é uma política sem compromisso com as gerações futuras. Não há
estratégia para preservar nossas reservas para o momento em que as reservas
de petróleo do mundo começarem seu esgotamento.
José Conrado
Diretor da AEPET
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O presidente Reichstul disse que não havia chamado
um representante dos sindicatos dos petroleiros porque eles "não seriam
isentos, pois atribuem o acidente à política de terceirização". Ora,
fazem parte da comissão o diretor de engenharia Menezes (responsável
pelo projeto que pode ter permitido um vaso de processo na perna e colocação
de tubo de ventilação interligando os compartimentos do flutuador da
P-36); o diretor do E&P José Coutinho (responsável pela produção e que
não pára as plataformas por causa de pendências de segurança) e o gerente
sul e sudeste Carlos Fraga (egresso do E&P).
Alguém poderia me esclarecer a "isenção" que este grupo nomeado vai
ter em relação às apurações?
Kaioba
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Bem,
passei a palavra para o pessoal de segurança da Petrobras, mas como
estão demorando a se manifestar, reflitam sobre o seguinte: a plataforma
P-12 paralisou sua produção por ordem do Gerente Bellot (de Macaé),
devido à constatação de várias irregularidades de segurança.
Pergunta-se: há quanto tempo ela estava em operação com estas pendências
e por que após o afundamento da P-36 a gerência não hesitou em parar
a produção dela?
Kaioba
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Cada dia chegam mais informações.
Nos jornais de 23/3/01 foi publicado um relatório informando que a operação
da plataforma havia detetado "sobrepressão no vent". Porém isto deveria
estar sendo monitorado, não? Caso a sobrepressão chegasse a níveis perigosos,
é de se esperar que providências urgentes deveriam ser tomadas pelo
pessoal a bordo. Na televisão no dia 22/3/01, o diretor da Petrobras
José Coutinho disse que o "chefe da plataforma tinha amplos poderes
para parar a produção". Ora, ficou conflitante saber que alguém que
tem "amplos poderes" ter um chefe em terra!
Qual a "cultura" da Petrobras? Havendo um problema de segurança, pára
tudo até resolvê-lo, ou continua a produção e "quando houver tempo"
ou "na próxima parada" será visto? O órgão de segurança da Petrobras,
possui poderes para ordenar uma parada de produção, ou tem status de
órgão de apoio, que "emite sugestões a serem apreciadas pelos gerentes
de produção"?
Passo a palavra a qualquer técnico de segurança da companhia.
Kaioba
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Na minha opinião foi um acidente, pois já
trabalhei lá e sei o quanto a Petrobras se preocupava com a segurança
e manutenção dos equipamentos.
A.R.C
Rio de Janeiro, RJ
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A hipótese de "desvio" deve
ser analisada do básico: todo sistema tem uma entrada e uma saída. Logo,
o "desvio" terá que obrigatoriamente se dirigir à saída. A plataforma
recebia gás e óleo: separava-os e enviava-os para P-37. Estes equipamentos
de separação são volumosos e estão sobre o convés. Nas pernas são colocados
tanques de lastro (água salgada) e as respectivas bombas. Não sobra
espaço nem condições para se colocar um "tanque novo" na perna após
a plataforma sair do estaleiro. Consequentemente, a hipótese de "desvio"
está muito frágil - embora uma investigação mais rigorosa possa até
apontar algo a respeito.
Vemos então que se houve alguma operação que resultou em aumento do
volume de queima de gás, ele teve que ser "tolerado", porque não há
na perna qualquer equipamento pertencente ao processo de separação gás
x óleo. Desta forma, vemos que a explosão abaixo da linha d´água não
tem relação direta com um possível aumento de temperatura no convés.
Uma vasta fonte de pesquisas para o acidente será a entrevista dos trabalhadores
que estiveram dois anos no Canadá acompanhando os serviços de reforma
e ampliação da plataforma. A utilização de materiais mais baratos, supressão
de ensaios e modificações "de campo" poderão ter relações com a primeira
explosão. Eu estou particularmente curioso com relação às duas subsequentes.
O funcionário que está internado com 98% do corpo queimado tem que sobreviver
para nos contar os detalhes!
Kaioba
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1) A reengenharia do Projeto Inicial;
2) A terceirização da Manutenção;
3) A liberdade das empreiteiras p/ adiquirirem Equipamentos e Componentes,
fora das exigências e Cadastro de Fornecedores da Petrobrás;
4) Análise da Construção, da transformação da plataforma desde seu início
na Itália, Canadá / Brasil.
Armando Picerni
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Pode
ser falha humana; pode ser falha de equipamentos, porém concordo
plenamente com o Sr. Kaioba, quando explica que a Petrobras/Brasil,
com toda a sua capacidade de produção atual e fatura de
petróleo, já esteja provocando extrema ganância,
a ponto de começarem a implantar destruições em
seus campos de produção, haja visto, atualmente tantos
vazamentos na Petrobras, como não se via até pouco tempo
atrás. Que a Petrobras abra bem os seus olhos também para
esta hipótese. Afinal, todos sabemos que somos um país
muito admirado, mas também muito invejado."
Sueli Sachetto
Americana,
São Paulo
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Discordo
do Kaioba quanto ao superaquecimento não causar explosões a 20 metros
abaixo do mar. E se o tal desvio para desaquecer fosse feito pela perna
que explodiu?
Anônimo
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Falha(s)
nos procedimentos de segurança ou na sua execução.
Mauro Martins
mauro.martins@christensen.com.br
Rio de Janeiro,
RJ
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A
imagem de "gás vazando" é a primeira que associamos a explosoes. Porem
e´ necessário conhecer o que esta´ instalado dentro de cada flutuador
da plataforma. Não há recomendações para instalação de equipamentos
de processo nestes flutuadores, e segundo consta a plataforma possuia
certificação (atestado de entidade independente especializada em análises
de navios e plataformas), tanto que estava segurada (as empresas des
seguro exigem a certificação.
Sabendo-se que esta plataforma possuía alto grau de automação e monitoramento,
é de se esperar que após a primeira explosão, os sistemas de controle
atuassem no sentido de bloquear quaisquer atividades na região atingida.
Ora, então como explicar a segunda explosão? Como explicar que a mesma
tenha justamente pego a equipe de emergência? Segundo o relato publicado
no jornal O DIA - RJ no sábado, uma pessoa integrante da equipe de resgate
disse ter visto os corpos dos membros da brigada colados às paredes.
Isto ainda está incompleto, pois não diz se são os membros da primeira
ou da segunda equipe que foi lá, mas denuncia que uma das explosões
foi ali mesmo! Estaria a brigada utilizando algum equipamento que provocou
a explosao? Ou mesmo teriam feito alguma manobra que resultou em explosão?
Note que ainda não chegamos a esclarecer a primeira. Do jeito que o
mercado de petróleo no Brasil está se expandindo - 100 bilhões de dólares
previstos nos próximos 10 anos, sendo que não há n planeta outra nação
com semelhante investimento em prazo tão curto - e sendo a Petrobras
a lider nata neste campo, não se pode descartar que a extrema ganância
pode ter plantado uma bomba na perna da plataforma.
Isto é possível sabendo-se que diversos técnicos terceirizados prestam
serviços a bordo - embora sejam "revistados" com suas bagagens pessoais,
o mesmo não se pode garantir quanto aos seus containers, que poderiam
trazer partes de uma bomba. O acesso aos elevadores das pernas não exigia
senhas ou qualquer quebra de barreiras de segurança, de forma que a
comissão de investigação deverá verificar quem e que serviços foram
desenvolvidos nesta perna nos últimos 30 dias. Vemos que mesmo se uma
mudança configuracional aumentasse a temperatura no convés devido à
queima de gás, isto não resultaria numa explosão 20 m abaixo do nível
do mar.
Kaioba
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Os
sucessivos acidentes ocorridos com a Petrobras fazem parte de uma manobra
para desmoralizar a companhia, criando um ambiente favorável à sua privatização.
Anônimo
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A
presença de um profissional da Coppe / UFRJ, que estava na plataforma
para instalar um sistema automático de manutenção preventiva, pode suscitar
uma provável causa das explosões:o gás natural produzido na P-36 é enviado
para a plataforma PNA-1, que também sofreu um acidente no início de
fevereiro deste ano. Enquanto o "hub" para o gás da Bacia de Campos
estava em reparo, a P-36 teve que queimar uma quantidade imensa de gás,
função para a qual não estava dimensionada. Essa queima estaria aquecendo
demais a plataforma. Por isso, a Petrobras resolveu fazer um desvio
provisório nos equipamentops. Após a volta da PNA-1, seriam necessários
novos trabalhos para trazer a P-36 à condição normal.
Anônimo
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Ocorreram
vazamentos de gás. Caso contrário, não ocorreriam
explosões.
Anônimo
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