FÓRUM DE DISCUSSÃO

Sem justificativa para recuo, preços do petróleo devem manter patamar

"Não há fundamentos no mercado que justifiquem a queda dos preços do do petróleo". A afirmação foi feita pelo diretor de Investimentos da Odebrecht, Túlio Cintra, durante o Seminário Petróleo e Gás no Brasil, realizado pela Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro.

A conclusão está baseada em várias premissas: crescimento inesperado da demanda mundial, redução drástica da capacidade ociosa da Opep, limitações de infra-estrutura de refino, receio de que os países da Opep não vão atingir suas metas estimadas pelo IEA, e inexistência de substituto estrutural para o petróleo.

A vantagem é que, com os preços do petróleo em alta, a indústria já registra crescimento no montante investido E&P. "No ano passado tivemos um aumento de 5,5% nos investimentos em E&P, totalizando mais de US$ 170 bilhões", conta Túlio Cintra, tendo como base os números do Energy Intelligence Research.

O consumo mundial de petróleo seguira forte, apesar dos preços mais altos - nos próximos dez anos, a projeção do Energy Intelligence Research é de 22 mil barris adicionais. Desse total, 17 milhões de barris devem vir dos países membros da Opep. "Grande parte do incremento da oferta vai estar em países com geopolítica complexa ou em novas fronteiras, como águas profundas ou países ex-União Soviética". E esse papel da Opep seguirá tendo importância na tendência de preços.

Atualmente as taxas de ocupação das refinarias beiram os 100%. "Após uma super oferta, no inicio dos anos 80, que demorou quase 20 anos, os spreads estavam muito baixos nenhum investidor teve coragem de aumentar a capacidade de refino", explica o executivo.

O crescimento da demanda, nos próximos dez anos, terá como base o segmento de transporte - 61% - e o consumo de químicos e petroquímicos - 28%. Mas o petróleo não encontra um substituto estrutural: trata-se do combustível líquido com maior quantidade de energia por peso. O gás natural precisa de um volume quase 1.000 vezes maior para ter a mesma energia acumulado, e o etanol possui metade da quantidade de energia por peso.

A tendência observada com os preços do petróleo em alta é um aumento significativo dos investimentos em E&P e P&D. "A maioria das empresas já usaram o petróleo entre US$ 36 e US$ 40 para a tomada de decisão".

Em 2005 as despesas em P&D no setor de petróleo e gás totalizaram US$ 5,44 bilhões. "A BP subiu em 26% seus investimentos, a Petrochina 22%, a Petrobras aumentou 23% e está entre as dez maiores investidoras globais", conta Túlio Cintra.

Outro significativo aumento vem sendo observado nos investimentos em águas profundas e ultraprofundas e no aumento da taxa de recuperação.

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