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Três Projetos de Lei
propõem regulação para setor de gás
natural.
Em Brasília tramitam agora três projetos de lei,
divergentes entre si, e que polemizam a regulamentação
do gás natural no Brasil - mercado até agora regido
pela Lei do Petróleo (9.478/97), criada quando o mercado
de gás ainda era incipiente, o que determinou tratamento
uniforme para o gás natural e para o petróleo e
seus derivados.
O Governo Federal encaminhou ao Congresso Nacional seu Projeto
de Lei 6673/06 formatado após quase dois anos de estudos
e discussões com os agentes do setor.
Na Câmara dos Deputados, o Projeto do Governo encontrou
um "concorrente": a proposta 6666/06 que o deputado
Luciano Zica (PT/SP) protocolou, que propõe alterações
em cinco artigos da Lei do Petróleo. E no Senado dividirá
as atenções com o Projeto apresentado pelo senador
Rodolpho Tourinho (PFL/BA).
O Congresso vai avaliar os projetos que definirão as novas
regras na movimentação, estocagem e comercialização
do gás - a discussão sobre as novas regras promete
ser calorosa, mas dificilmente nenhuma lei será promulgada
este ano, porque as eleições farão senadores
e deputados se ausentarem da Capital Federal. O deputado federal
Luciano Zica teve autorizado pela presidência da Câmara
nesta semana, o pedido para que o projeto de lei do Governo fosse
apensado ao PL de sua autoria. Com a decisão, as discussões
sobre a regulamentação do setor passam a ser encabeçadas
pela proposta de Zica.
O projeto de Tourinho está em análise na Comissão
de Constituição e Justiça e precisa ser submetido
a outras duas comissões no Senado antes de seguir para
o plenário. A proposta governamental não pede urgência
constitucional, mas tramita em regime de prioridade, o que significa
que há um empenho das lideranças para priorizar
esse Projeto. Segundo o deputado Mauro Passos (PT/SC), não
ter colocado o Projeto em regime de urgência permitirá
às comissões da Câmara acolherem sugestões.
O desafio é conciliar diferentes interesses. Para Mauricio
Tomalsquim, presidente da Empresa de Planejamento Energético,
autarquia ligada ao Ministério de Minas e Energia, admite:
"O ideal é tramitar o mais rápido possível".
Um dos principais pontos do Projeto enviado pelo Governo prevê
a construção de gasodutos através de concessão
após licitação - sendo declarada vencedora
a proposta que requerer menor receita pela prestação
dos serviços. Quando existir somente um interessado, a
concessão para a construção de gasodutos
pode ser feita através de autorização. A
concessão ou autorização terá prazo
de 35 anos - ao final desse período, a propriedade sobre
as instalações passa para a União.
Luciano Zica propõe que a construção seja
dada por autorização da ANP. Tourinho defende as
licitações em todos os casos.
As propostas também prevê o compartilhamento obrigatório
das capacidades disponíveis - pelas propostas do Governo
e do deputado Luciano Zica, o uso em regime de exclusividade é
de dez anos, contados a partir do início da operação.
Já a proposta do senador prevê regime de uso exclusivo
por três anos.
Tomalsquim nega que a proposta do ministério atenda a pleitos
da Petrobras. "Existem pontos que preservam o interesse do
país. Quando o modelo do setor elétrico foi feito,
a primeira exigência foi preservar os direitos adquiridos.
Não vejo porque, nesse caso, não tenha que se preservar
isso também".
Ainda de acordo com o Projeto do Governo, caberá ao Ministério
de Minas e Energia estabelecer as diretrizes para o processo de
licitação de novos gasodutos e à ANP promover
as licitações.
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