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Dois projetos para uma única lei
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| Passo importante para a expansão do mercado de gás natural, propostas
ainda dividem opinião de agentes. E a promulgação de uma Lei do Gás
pode demorar mais do que o previsto. |
O Ministério de Minas e Energia pretende enviar ao Congresso, até
novembro, a proposta do Governo para uma Lei do Gás – a exemplo do
que fez com o setor elétrico. Só que desta vez, a proposta vai encontrar
um outro projeto em tramitação: o PL 226, do senador Rodolpho Tourinho
(PFL-BA).
“A mecânica de tramitação no Congresso não foi discutida. Mais importante
é que saia uma boa lei”, argumenta o ministro Silas Rondeau.
Por boa lei, o ministro define como aquela que atenda melhor às partes
– a intenção é criar uma lei que contemple as necessidades de todos
agentes do setor. “Encontrar esse ponto de equilíbrio é que está sendo
o nosso grande desafio no momento”.
Segundo Silas Rondeau, as diretrizes de ambas as propostas são parecidas
– e até tocam em pontos parelhos sobre a concessão para a construção
de gasodutos e sobre a criação de um órgão destinado a supervisionar
a movimentação do gás natural. “Não há conflito entre a minuta do
Ministério e o texto do senador Tourinho. Ao contrário, ambas as propostas
se complementam”.
Enquanto o projeto do senador segue para a Comissão de Assuntos Econômicos
– e depois para a Comissão de Infra-Estrutura – a proposta do Ministério
seria encaminhada para a Câmara dos Deputados – o que pode levar à
tramitação paralela dos dois projetos.
A existência de propostas concorrentes na Câmara e no Senado, no entanto,
poderá atrasar a regulamentação do setor – principalmente com as atenções
do Congresso voltadas às eleições do próximo ano. O ministro garante
que a Lei do Gás seja promulgada ainda neste Governo. “Com certeza
sai”.
As propostas, no entanto, ainda se restringem à questão do transporte
e comercialização do gás – restam ainda abranger a visão do consumidor
final, como a qualidade de instalações e equipamentos, segurança de
suprimento, acesso a linhas de crédito e até mesmo contextualizar
o marco regulatório com as discussões internacionais.
“Como falar de uma Lei Nacional de Gás, sem sequer fazer uma menção
às discussões internacionais. O Brasil não está participando ativamente
dos debates de um arcabouço regulatório para gasodutos na América
Latina. A nossa Lei só deveria ser aprovada depois que soubéssemos
quais são os nossos compromissos internacionais, pois assim as duas
coisas podem ser convergentes e não conflituosas”, argumenta o professor
Edmilson dos Santos, do Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP.
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Ed. 277 - Outubro de 2005
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| Matéria exibida na Revista Petro &
Química, edição 277 de Outubro de 2005. |
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