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| Quem vai bancar? |
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| O crescimento da demanda de termoplásticos
exigirá a duplicação da atual capacidade de produção
nos próximos oito anos. Resta saber como essa ampliação
será viabilizada e quais serão os grupos que
estarão à frente dos investimentos. |
OBrasil vai precisar de novas unidades petroquímicas? Quantas?
E com qual perfil de produção? A resposta para essas
questões passa por vários fatores que vão
desde o crescimento da economia até a disponibilidade de matérias-primas
e pode até não ser definida por uma única
opção standard.
Caso a economia interna apresente um ritmo de crescimento na casa
dos 3%, em oito anos o consumo de resinas termoplásticas será
o dobro da demanda atual.
Se continuarmos mantendo essas taxas de crescimento, entre 3%
e 3,5%, o parque petroquímico brasileiro, no que diz respeito
a matérias-primas para a indústria do plástico,
teria que dobrar até 2012, com investimentos de cerca de US$
8 bilhões, explica o presidente do Siresp, José
Ricardo Roriz Coelho, com base em estudos do BNDES.
Resta saber como essa ampliação será atendida,
e quem são os grupos empresariais que terão musculatura
e fosfato suficiente para bancar a expansão do parque
aí importando mais a criatividade técnica e executiva
para a viabilização do projeto, ou dos projetos.
Parcela substancial da oferta adicional de resinas estará disponível
já este ano, quando entrar em operação a Riopol
com 540 mil toneladas de polietilenos. O ciclo de expansão
segue até 2007, com a construção de novas plantas
de polipropileno (da Petrobras) e de PET (da M&G), a duplicação
da Polietilenos União, e revamps em unidades da Braskem, Solvay
e Polibrasil.
Ao mesmo tempo, já começam a ser estudadas as próximas
oportunidades de crescimento. Há espaço para um
projeto de vulto para o final da década. Como esses projetos
são de longa maturação, deveria se iniciar a
discussão dessas opções desde já,
argumenta o presidente do Grupo Unipar, Roberto Garcia.
Liderados pela Petrobras, a própria Unipar, a Suzano Petroquímica,
a Braskem e o Ultra já se apresentam como os mais fortes grupos
a investir nos próximos empreendimentos. Quem vai promover
o crescimento dessa área serão as próprias empresas
que já estão no mercado, prevê o presidente
da Petroquisa, Kuniyuki Terabe. |
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Só que, para que esses grandes projetos saiam do papel, a
condicionante mais crítica é disponibilidade de matéria-prima.
Se houver matéria-prima a preços competitivos,
os grupos investem, e com certeza a demanda será atendida.
A grande questão é não haver matérias-primas,
ou que seus preços não sejam competitivos comparados
internacionalmente. Como conseqüência, o Brasil poderia
se tornar um importador de petroquímicos acabados, explica
o diretor-superintendente da Suzano Petroquímica, Armando Guedes
Coelho.
Um estudo produzido pela Escola de Química da UFRJ, sob encomenda
da Comissão Setorial de Resinas Termoplásticas da Abiquim,
projeta um crescimento anual para os diferentes tipos de resina, tendo
como base o potencial de consumo para cada resina e projeções
de crescimento da economia interna até 2013.
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Num cenário considerado conservador pelos pesquisadores
com o PIB crescendo em média 3,1% ao ano a demanda por
resinas crescerá entre 6% e 7,4% ao ano. Para um cenário
otimista em que a economia cresça 5% ao ano a
demanda pode crescer próximo de 12%.
Essa elasticidade no consumo ainda é explicada pelo potencial
de substituição de outros materiais como o vidro,
o papel e o metal e do baixo consumo interno. Em 2004, o Coplast
registrou um consumo per capita de resinas em 23,2 kg que representa
aumento de 9,3% em relação a 2003, embora ainda esteja
abaixo do consumo per capita registrado em países europeus
beira os 100 kg, nos EUA, com 150 kg.
As resinas que apresentarão maior crescimento no consumo
serão o polipropileno e o polietileno de baixa densidade linear,
enquanto a demanda por poliestireno e por PVC cresce num ritmo menor,
explica o presidente do Siresp.
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Segundo dados da Abiquim, a produção interna foi superior
a 4,4 milhões de toneladas em 2004 um crescimento de
6,5% em relação a 2003, num ano em que a ocupação
média da indústria de resinas bateu a casa dos 86%.
As exportações somaram 825,7 mil toneladas e as importações
alcançaram 627,6 mil toneladas.
Os primeiros projetos a garantirem o suprimento dessa demanda extra
começam a entrar em operação no segundo semestre
deste ano. O maior deles é a Riopol, que produzirá 540
mil toneladas anuais de polietilenos um empreendimento que
pode ser considerado um estudo de caso para os futuros projetos petroquímicos,
não só por causa de sua inovação no uso
de matérias-primas, mas também na modelagem societária
e financeira.
Nessa linha dos polietilenos, a Braskem prepara um revamp em sua planta
localizada no pólo de Camaçari serão mais
50 mil toneladas a partir de 2006 enquanto a Polietilenos União
terá ampliada em 200 mil toneladas sua capacidade de produção
a partir de 2007. Outros projetos ainda esbarram na disponibilidade
de matérias-primas caso do revamp na Politeno e da duplicação
da Petroquímica Triunfo.
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E foi buscando fontes alternativas de suprimento que as produtoras
de polipropileno estão investindo em novos empreendimentos.
O maior projeto será construído pela Petrobras
que avalia parceria com a Braskem ao lado da Refinaria de Paulínia:
uma nova unidade de 300 mil toneladas anuais.
A Polibrasil irá ampliar em 50% sua capacidade produtiva nas
fábricas de Mauá e Duque de Caxias utilizando propeno
fornecido não só pela PQU e Riopol, mas também
da Revap e da Repar.
Fabricantes de PET e PVC também se movimentam para atender
ao crescimento do consumo de PVC: a Solvay Indupa terá mais
30 mil toneladas, enquanto a Braskem colocará no mercado mais
50 mil toneladas no segundo semestre deste ano. A M&G tem planos
para construir em Pernambuco a maior fábrica de PET do mundo,
com capacidade de 450 mil toneladas anuais investimento que
deve iniciar suas operações no final de 2006.
Na esteira, também são projetados investimentos para
ampliar a produção de matérias-primas
caso do revamp da Petroquímica União e de intermediários
como a unidade de paraxileno da Petrobras.
Em paralelo, os principais players do setor já começam
a discutir qual será o cenário do fim da década
em termos de demanda e de disponibilidade de matérias-primas.
E a partir daí, traçar os projetos de investimento.
A primeira opção seria a construção de
um complexo integrado para a produção de 600 mil toneladas
de polietilenos na fronteira do Brasil com a Bolívia. O projeto
está calcado na proximidade com a fonte produtora de matérias-primas
e na política de desenvolvimento dos dois Países. É
uma vantagem competitiva ter dois grandes produtores de matérias-primas
competitivas em nossa fronteira, explica o presidente da Braskem,
José Carlos Grubisich.
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A Braskem, que participa dos estudos para a construção
desse complexo petroquímico, assinou com a Pequiven um memorando
de entendimento para avaliar oportunidades de desenvolvimento de negócios
conjuntos na Venezuela.
Ter acesso à matérias-primas a preços competitivos
vem sendo a estratégia adotada pelas empresas que estão
construindo suas fábricas na Arábia Saudita e no Irã.
E a política de Governo pode trazer não apenas vantagens
fiscais, como também a disponibilização de toda
a infra-estrutura embora uma política industrial nos
moldes que se viu na época da criação dos pólos
petroquímicos de Camaçari e Triunfo dificilmente se
repetirá nos dias de hoje, em que qualquer projeto terá
como concorrentes as grandes unidades industriais do Oriente Médio
e da Ásia.
O Grupo Unipar aposta suas fichas na conjunção proximidade
da fonte de matérias-primas e do mercado traduzido
em investimentos no pólo do ABC e na Riopol. Entre 2000 e 2004,
a Unipar investiu US$ 480 milhões parcela substancial
na construção da Riopol. Para o ciclo 2005 2007,
estão sendo investidos mais US$ 350 milhões.
Iniciamos o ciclo de investimento em 2000, e pretendemos continuar
nele. Esse conjunto nos permitirá buscar uma participação
nesse novo ciclo de crescimento. Os dois blocos em que participamos
têm qualidades fundamentais para a competitividade de qualquer
projeto petroquímico: fornecimento de matéria-prima
e condição de mercado, avalia Roberto Garcia.
A Suzano Petroquímica tem uma estratégia bem definida:
focar na produção de poliolefinas, com prioridade nos
mercados da região Sudeste. O ritmo dos investimentos iniciados
no ano 2000, com a construção da Riopol e da nova unidade
da Polibrasil, deve prosseguir pelos próximos anos com as ampliações
da Polibrasil serão mais US$ 40 milhões até
2006.
Tanto a Unipar quanto a Suzano já avaliam ampliações
na Riopol e na PQU. A primeira exigiria um investimento de US$ 80
milhões a US$ 100 milhões para atingir uma capacidade
de 700 mil toneladas anuais. E a PQU já estuda a viabilidade
técnica e econômica para atingir a capacidade de produzir
um milhão de toneladas de eteno por ano.
O Grupo Ultra se apresenta com uma proposta tecnológica diferente
baseada em seu know how sobre catalisadores: a construção
de uma refinaria petroquímica em parceria com a Petrobras.
A unidade, que deve entrar em operação em 2010, demandará
investimentos de US$ 3 bilhões a US$ 3,5 bilhões, e
terá capacidade para processar entre 150 mil e 200 mil barris
de petróleo por dia.
A Petrobras está estudando, mas com certeza vão
ter outras empresas participando do empreendimento, limita-se
a dizer o presidente da Petroquisa.
E é justamente a Petrobras que deverá ser a indutora
desse salto não só pelos investimentos, mas principalmente
porque as propostas tecnológicas para solucionar a disponibilidade
de matérias-primas devem sair de seu centro de pesquisas.
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Matérias-primas:
obstáculo para a expansão?
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Para que os grandes projetos saiam do papel, o obstáculo
crítico é a disponibilidade de matéria-prima.
As tradicionais fontes de nafta já não geram matéria-prima
suficiente para atender a demanda, forçando toda a cadeia a
buscar soluções alternativas como o aproveitamento
de gases residuais e correntes de propeno em refinarias da Petrobras.
É pouco provável que os empreendimentos sejam
construídos tendo como base o fornecimento de nafta. Ou vão
ser baseados em gás natural, ou através de desenvolvimento
de tecnologias que produzirão petroquímicos a partir
de frações pesadas de petróleo, conta Armando
Guedes Coelho.
Como o pesado petróleo produzido nas bacias brasileiras não
se traduz em nafta, de qualidade e em quantidade suficientes, resta
às refinarias recorrerem a rotas tecnológicas que suportem
o processamento desse petróleo gerando eteno, propeno e outros
derivados aromáticos, além de diesel e GLP.
A solução pode ser atrativa para a indústria
petroquímica, mas ainda é um desafio tecnológico
tão grande que algumas empresas preferem se arriscar
investindo em projetos no Oriente Médio do que investir bilhões
de dólares em tecnologias ainda não totalmente comprovadas.
No mundo, existem quatro unidades na China e uma na Tailândia
processando cargas pesadas através da tecnologia CPP
um FCC mais severo, que transforma os resíduos pesados em 24%
de eteno e 14% de propeno. O acordo assinado recentemente entre a
Petrobras e a estatal chinesa Sinopec permitirá um intercâmbio
dessa tecnologia.
Baseada em sua experiência em FCC e RFCC, a própria Petrobras
vem desenvolvendo no Cenpes sua tecnologia de FCC petroquímico.
A companhia explica que o mais promissor para nossa realidade
seria a utilização de sistemas catalíticos (catalisadores
e aditivos) voltados para a maximização de olefinas
leves (eteno e propeno), associado ao emprego de recraqueamento em
alta severidade da nafta produzida e de reatores tubulares de fluxo
descendente (downflown).
A alternativa clássica para a disponibilidade de matérias-primas
seria o gás natural produzido nas Bacias de Campos,
Santos ou importado da Bolívia. Embora ainda não haja
um estudo conclusivo sobre as reservas de gás natural descoberto
na Bacia de Santos, já se sabe que as atuais reservas não
ultrapassam meio trilhão de m³, mas que têm a vantagem
de estar próximas do mercado do Sudeste. E a Bacia de
Campos tem algum potencial extra para gás natural, lembra
Roberto Garcia.
As reservas mais promissoras estão mesmo na Bolívia:
812 bilhões de m³, embora o teor de etano contido no gás
gire em torno de 5%. Nos outros países da América do
Sul, a novidade é o campo de Camisea, no Peru, que possui reservas
de 14,5 tcf de gás com teor de etano contido na casa
dos 10% e de 890 mmbdl de líquidos.
Já na Argentina, resta pouco potencial a ser explorado, tanto
em etano quanto em gasolina natural a não ser por investimentos
em transporte entre as Bacias da região Sul (Austral e Neuquina)
e o pólo de Bahia Blanca.
Só que o teor de matéria-prima petroquímica contida
no gás só permite a produção de olefinas
sobretudo eteno. O problema para a falta de eteno pode
ser resolvido a partir do gás natural, mas a solução
para a disponibilidade de propeno vai estar numa refinaria,
explica o superintendente da Suzano Petroquímica.
E uma parcela significativa do propeno consumido no País já
é produzido pela Petrobras embora a companhia estude
ampliar essa disponibilidade para 1,7 milhão de toneladas anuais
com a instalação de splitters e a utilização
de aditivos catalíticos nas unidades de FCC.
O aproveitamento do eteno em refinarias depende de investimentos em
novas UPGR o potencial de produção em todas as
refinarias da Petrobras gira em torno de 450 mil toneladas ano.
O primeiro empreendimento nesta direção foi firmado
com a PQU para aproveitamento do gás residual produzido nas
refinarias Revap e Recap, que permitirá a ampliação
da produção de eteno das atuais 500 mil toneladas para
700 mil toneladas anuais.
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Indústria de
máquinas alcança equilíbrio na balança
comercial
Acordos entre Brasil e venezuela podem resultar em nova refinaria |
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