 |
| Tecnologia peso-pesado |
|
|
| Petrobras investe no desenvolvimento de tecnologias
para viabilizar a monetização de uma reserva de 3 bilhões
de barris de óleo pesado. |
No final deste ano, a plataforma P-34 deverá estar produzindo
60 mil barris diários no campo de Jubarte, área norte
da Bacia de Campos uma antecipação do projeto
definitivo, que vai contribuir para que o país chegue à
auto-suficiência. Mas, mais do que isso, será nesse campo
que a Petrobras irá avaliar, em escala real, inovações
tecnológicas para a produção de óleos
pesados.
A plataforma estará ligada a quatro poços produtores,
cada um com um sistema de elevação diferente: dois com
gás lift que é o sistema padrão da Petrobras
para águas profundas e dois com sistemas de bombeio
elétrico um sistema com a bomba a jusante da árvore
de natal, e outro com a bomba no interior do poço. Vamos
poder aprender qual o sistema de elevação mais eficiente
para este cenário de aplicação e antecipar problemas
que poderiam ocorrer na fase definitiva, justifica o coordenador
do Programa de Óleos Pesados Offshore da Petrobras, Wagner
Luz Trindade.
A Petrobras já adquiriu alguns dados sobre a produção
desse campo que tem reservas de óleo 17º API
desde outubro de 2002, através de um teste de longa duração
feito com o FPSO Seillean. O poço ESS-110, perfurado com um
trecho horizontal de 1.070 metros, mostrou uma vazão de 20
mil barris diários uma produtividade inicial 18 vezes
maior do que teria um poço vertical. Até então,
o poço horizontal de maior extensão em águas
profundas já perfurado pela Petrobras tinha 800 metros.
O reservatório de Jubarte é composto de uma rocha muito
permeável que faz com que o óleo flua mais facilmente,
mas com uma tendência de produção de areia acima
do tolerável. O problema seria o limite para a utilização
das tecnologias de contenção de areia em poços
de longa extensão, tanto das telas expansíveis quanto
do sistema gravel pack nesses primeiros poços a solução
mais viável continua sendo o gravel pack (o sistema de empacotamento
do poço com areia).
O próprio sistema de elevação já foi testado
com uma bomba de 900 hp a mais potente que a Petrobras já
tinha usado em operações offshore.
Na unidade de produção, os problemas de formação
de espuma que dificultam a separação do óleo,
gás e água exigiram a adequação
de equipamentos e o uso de produtos químicos.
Com o monitoramento da produção, eliminamos uma
série de dúvidas, conta Trindade.
Jubarte não é o única descoberta de petróleo
pesado nem o único laboratório da Petrobras.
Algumas tecnologias vêm sendo testadas nos campos de Fazenda
Alegre, na parte onshore da Bacia do Espírito Santo, e de Siri,
na Bacia de Campos que têm reservas de óleo ultrapesado,
de 13º API.
Das reservas provadas da Petrobras pelo critério SPE, 3 bilhões
de barris são de de óleo abaixo de 19º API. Em
2010, a Petrobras vai estar produzindo 2 milhões barris diários,
dos quais 450 mil barris serão de óleo pesado,
estima o coordenador.
A quantidade de reservas desse tipo de petróleo pode ser bem
maior do que essa já provada, basta que novas tecnologias viabilizem
o desenvolvimento da produção ou aumentem o fator de
recuperação que em campos de óleos abaixo
de 19º API em média giram em torno de 20%. No campo de
Marlim, onde o óleo produzido tem 20º API, o fator de
recuperação final atingirá 40%. Já para
o campo de Jubarte, com 17º API, a Petrobras espera chegar a
30%.
O desenvolvimento dessas tecnologias está sob coordenação
do Programa de Óleos Pesados Offshore Propes, criado
em outubro de 2002 para viabilizar a incorporação de
reservas e a produção desse tipo de petróleo.
Antes desse programa ser criado, já existiam esforços
para desenvolver tecnologias para a produção de óleos
pesados. Diante de perspectivas cada vez maiores, foi necessário
criar um programa de pesquisa e desenvolvimento específico.
Hoje o Propes tem como meta viabilizar a produção daqueles
450 mil barris diários em 2010. Para isso trabalha em conjunto
com várias unidades de negócios da companhia
e até mesmo com institutos de pesquisa externos investindo
recursos financeiros e humanos aquele chamado H/H. No total,
são 44 projetos, que vão desde a perfuração
de poços horizontais até o processamento em unidades
de produção.
Os desafios
Para produzir petróleo com grau API abaixo dos 19º, só
mesmo investindo pesado em tecnologia em todas as fases do
processo.
O primeiro desafio é ter poços horizontais, que aumentem
a vazão do óleo. À medida em que a Petrobras
começou a descobrir essas reservas de óleo pesado, ao
norte da Bacia de Campos, notamos que as vazões dos poços
não eram suficientes para justificar o desenvolvimento desses
reservatórios, conta Trindade.
No campo de Pampo, que tinha óleo de 13º API, a Petrobras
teve sua primeira experiência offshore. Até então,
a literatura existente dava conta que a relação de produtividade
em poços horizontais eram de duas a cinco vezes maior do que
um poço vertical a surpresa do poço 39 foi uma
produtividade oito vezes maior.
Em Fazenda Alegre conseguimos uma produtividade 15 vezes maior.
E quando furamos o poço ESS-110 em Jubarte, conseguimos um
fator inicial 18 vezes maior, que atualmente está estabilizado
em 12 vezes. Isso mudou nosso conceito.
A meta agora é chegar a poços com trecho horizontal
de 2.000 metros até 1.200 metros a tecnologia já
está assimilada. O fator mais importante, no entanto, é
o recobrimento no campo de Jubarte, onde a distância
entre o subsolo marinho e o poço é de 1.500 metros,
perfurar um trecho horizontal de 1.070 metros não foi grande
problema. Em áreas como o campo de Albacora Leste, onde a espessura
de recobrimento chega a 500 metros, perfurar um poço com esse
trecho horizontal já se torna crítico. Completar
esse poço é a grande complexidade. A pressão
necessária para deslocar a areia para fazer o gravel pack não
pode ser muito grande, para evitar o fraturamento da formação,
explica Trindade.
Na formação de Siri, em lâmina dágua
de 100 metros na Bacia de Campos, a Petrobras perfurou um poço
horizontal com trecho de 2.000 metros, numa formação
do tipo carbonato que não desagrega tão facilmente
diferente da maioria das jazidas encontradas no Brasil, que
estão em arenito. Estudos iniciais dão conta de que
em um projeto definitivo para a área, caso todas as premissas
se confirmem, a produção seria de 100 mil barris diários
a companhia busca uma unidade para fazer um teste de longa
duração e avaliar o comportamento do reservatório.
Mas nos outros casos o desafio é fazer a tela expansível
funcionar, ou então desenvolver metodologias de gravel pack
para grandes extensões horizontais. Só que, em poços
de longa extensão, o esforço necessário para
expandir as telas seria incompatível com a tecnologia existente
em quase todos os poços horizontais a Petrobras utiliza
o gravel pack.
Outro desafio é encontrar o método ideal para elevação
desse óleo. Com a P-34 serão testados três sistemas
diferentes: dois poços com gás lift, um poço
com a bomba próxima da árvore de natal, e outro sistema
com a bomba dentro do poço.
O gás lift é o sistema padrão da Petrobras para
elevação artificial em águas profundas. Relativamente
de baixo custo e de fácil manutenção, uma linha
injeta gás junto à coluna de produção,
empurrando o óleo para a plataforma. Só
que os sistemas de gás lift não têm se mostrado
eficientes para a produção de óleos pesados
primeiro porque a quantidade de gás demandada para o petróleo
pesado é bem maior e, por vezes, o gás transpassa o
óleo.
A solução mais eficiente seria o uso de bombeio elétrico,
embora a manutenção desses equipamentos tornem a opção
mais cara imagine quanto custa uma operação de
substituição de uma bomba submersa.
A proposta é tentar desenvolver, junto aos fornecedores,
sistemas de bombeamento que tenham maior confiabilidade, para que
essas bombas durem mais tempo. A outra opção é
tirar a bomba de dentro do poço: com a bomba no fundo do mar,
a manutenção é facilitada.
A potência dessas também será um item crítico:
as bombas utilizadas até então em lâminas dágua
rasa, para vazões de até 2 mil barris diários,
tinham potência de 200 hp. No teste de longa duração
feito no campo de Jubarte, a bomba utilizada tinha 900 hp, e as duas
bombas que estarão ligadas à P-34 terão 1.200
hp o que existe de mais potente disponível.
No campo de Siri, com lâmina dágua rasa
e acesso ao poço feito através da própria plataforma
a opção mais eficiente foi utilizar bombeio elétrico.
Em parceria com pesquisadores da Universidade de Campinas, a Petrobras
estuda o método core flow que consiste em lubrificar
com água as paredes das linhas de escoamento de óleo.
Outra linha de pesquisa estuda o bombeio de cavidade progressiva
a tecnologia atual mostra que essas bombas conseguem escoar fluidos
sólidos e pesados, só que em vazões de até
dois mil barris por dia.
Seja qual for o método de elevação, o problema
é controlar a temperatura da linha quando ocorre uma parada
imprevista no fluxo. Quando a produção pára
de uma maneira controlada, substituímos esse óleo por
diesel. Mas quando ocorre uma parada sem controle, o óleo esfria
a 4º C, e pode ocorrer a formação de hidratos,
bloqueando as linhas, explica o coordenador do Propes.
Estudos vêm sendo feitos, tanto para conhecer qual a temperatura
e qual o tempo para a formação do hidrato, quanto para
desenvolver soluções que mantenham as linhas de produção
aquecidas.
Estamos desenvolvendo um sistema elétrico que utilize
a energia também para aquecer a linha no momento em que a bomba
pare de funcionar. Esse projeto já está na fase de protótipo
só não instalamos ainda porque as primeiras análises
têm mostrado que o custo desse aquecimento é muito alto
para grandes distâncias, principalmente por causa da parte elétrica
no fundo do mar.
Quando o óleo fica emulsionado em água, o escoamento
e a elevação também viram um problema. Para isso,
a saída é encontrar o desemulsificante e o antiincrustrante
correto. Em outra linha, os pesquisadores trabalham para desenvolver
quebradores de emulsão que evitam a formação
de emulsão no início, ou até mesmo quebrando
a emulsão ao longo da linha. A complicação
foi desenvolver um umbilical que consiga levar energia elétrica
e produto químico a montante da bomba quando esta se encontra
no fundo do poço.
Uma vez na plataforma, o desafio é separar esse óleo
que traz um volume de água maior do que os campos de
óleo leve. Na plataforma PPM-1, instalada no campo de Pampo,
a Petrobras vem testando os hidrociclones para separação
de água. Os técnicos avaliam que a utilização
de hidrociclones apresenta grandes perspectivas em redução
de área e capacidade de carga requerida para instalação
offshore. Outra vantagem é que o hidrociclone já deixa
a água em condição de descarte com limite
de 20 ppm de óleo ou para reinjeção.
No projeto da plataforma para a fase 2 do campo de Jubarte, a Petrobras
incluiu um separador de água livre no primeiro estágio,
e um vaso tratador de óleo que trabalhe em temperaturas mais
altas. O tratador da P-57 vai tratar o óleo a 140ºC.
Ensaios de bancada têm mostrado que essa temperatura é
suficiente para adequar o óleo às condições
de transporte.
Os pesquisadores também estudam a aplicação de
produtos químicos de forma a utilizar equipamentos de separação
com maior capacidade sem que haja a necessidade de aumentar o tamanho
das plantas.
E, quando todas essas tecnologias de fronteira estiverem disponíveis,
uma nova etapa na produção de petróleo poderá
ser atingida estimativas conservadoras dão conta de
que as reservas prováveis e possíveis de óleo
pesado girem em torno dos 4 bilhões de barris, à espera
de tecnologia que viabilizem sua produção. |
|
Alta nos preços
do aço ameaçam fabricantes de equipamentos
Entidades iniciam certficação de conteúdo nacional
de plataformas
Rumo á auto-sufuciência
Investimentos na Bolívia poderão ser revistos com nova
lei
OPEP eleva produção, mas proços mantêm
alta
STF julga constitucional Lei do Petróleo
Petrobras descobre óleo leve na Bacia de Santos
Empresas de sísmica reagem a restrições na região
Sul do país |
|