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| Poderia ser melhor? |
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| ANP estuda alterações na concessão
de campos maduros para estimular companhias independentes. |
As companhias independentes nacionais já respondem por uma
produção média de 741 barris diários,
ou 0,05% da produção nacional. A sensação,
no entanto, é de que, passados oito anos desde que o monopólio
foi quebrado, a participação de empresas de pequeno
porte na produção de petróleo poderia ser maior.
A falta de uma política específica para as atividades
em campos considerados marginais tem sido apontada como a maior barreira
para a consolidação de um segmento formado por companhias
independentes no país.
O Governo Federal e a Agência Nacional do Petróleo se
mostram preocupados em desenvolver o segmento revendo pontos
de gargalo, como as questões tributárias e ambientais.
As medidas anunciadas na Rio Oil & Gas (sobre uma nova sistemática
para a concessão de campos marginais) estão se materializando.
O Conselho Nacional de Política Energética, a partir
da Resolução Nº 2, de 8 de dezembro de 2004, definiu
como objeto da Sétima Rodada de Licitações, entre
outras coisas, os campos marginais de petróleo e gás
natural visando à reativação da produção
de campos com reservas conhecidas. Esses campos não atraem
o interesse econômico das grandes empresas, em face do baixo
volume de hidrocarbonetos recuperáveis, mas podem representar
oportunidades interessantes para pequenas e médias empresas.
Em decorrência disso, a ANP estará disponibilizando para
a Sétima Rodada de Licitações vários campos
marginais, desativados há algum tempo, nos Estados da Bahia
e de Sergipe. Os contratos de concessão para esses campos marginais
serão, necessariamente, diferentes dos contratos de concessão
apresentados para as áreas exploratórias, explica
o diretor da ANP, Newton Monteiro.
Entre as empresas nacionais que já produzem petróleo
no país, a Petrosynergy registrou, em 2004, uma produção
média de 364 barris diários de petróleo, seguida
pela W. Washington, com produção diária média
de 272 barris, UP Petróleo com produção média
de 95 barris diários, e PetroRecôncavo, com produção
de 10 barris.
Comparados com a quantidade produzida pela Petrobras 1.428
mil barris diários e mesmo a Shell 51,6 mil barris
diários a produção dessas pequenas companhias
é pouco expressiva. Sua importância para a economia nacional
reside menos na quantidade de petróleo produzido, mas principalmente
no efeito que têm sobre a geração de emprego e
renda principalmente nas regiões mais pobres do país.
É chegado o momento de se modificar todo o conjunto de
regulamentações, se é que se intenciona que essas
empresas entrem no mercado (tirar restante), argumenta o geólogo
Giuseppe Bacoccoli, da Coppe / UFRJ.
Por quase cinqüenta anos, o país se acostumou a trabalhar
para uma única empresa e seria natural que a abertura
do setor encontrasse alguns gargalos, como a disponibilidade de mão-de-obra
especializada e um parque supridor de equipamentos e serviços
diversificado o suficiente para atender toda a demanda. (tirar
Então) se criou uma espécie de cultura exclusiva,
explica Bacoccoli, citando como exemplo a falta de cursos de engenharia
do petróleo nas universidades brasileiras. Com várias
empresas trabalhando nesse segmento, podemos ter escala para sedimentar
a capacitação tecnológica, completa.
Não bastasse isso, o ambiente institucional criado a partir
da abertura do setor de petróleo à exploração
e produção por empresas privadas esteve longe de favorecer
o surgimento de pequenas companhias operadoras no país. Criar
uma empresa de petróleo é relativamente simples. O problema
começa quando ela adquire uma área exploratória:
a ANP dá o mesmo tratamento às majors e às pequenas
empresas em termos de exigências burocrática. Isso representa
um custo praticamente proibitivo para uma empresa pequena, conta
o consultor Eduardo Rappel.
Correção de rota
Cada ator envolvido tem uma sugestão para consolidar um novo
segmento empresarial formado por companhias independentes no país
sugestões essas que vão desde a sistemática
de venda dos campos até à compra do óleo produzido.
Mundo afora, existem várias regulamentações
relativas ao aproveitamento de pequenas jazidas ou jazidas marginais
por pequenos e médios produtores de petróleo. Foram
analisadas várias experiências nessa área (especificamente
Texas, Oklahoma, Kansas, nos Estados Unidos, e Alberta, no Canadá)
e estamos procurando, a partir desses modelos, construir um que seja
adequado à nossa realidade, conta o diretor da ANP.
Simplificar o processo licitatório, com a separação
de áreas marginais do processo tradicional, tem sido uma das
solicitações de quem está envolvido com o assunto.
O sistema de aquisição de áreas não
pode ser o mesmo dos blocos oferecidos para grandes companhias. Teria
que ser um sistema em que pequenas áreas produtoras fossem
oferecidas livremente para pequenas companhias, comenta Bacoccoli.
O consultor cita como exemplo o próprio Texas, onde, além
de livre negociação, a legislação sobre
concessões cabe ao Estado ou à Província. Um
poço com uma vazão de 5 mil m³ de gás, que
não vale nada para a Petrobras, é suficiente para uma
empresa fazer um negócio combinado, como acontece com olarias.
Mas não há a mínima condição de
uma Agência Nacional, ou de um Ministério, correr atrás
dessas coisas. Isso tem que ser do âmbito do Estado ou município,
como ocorre nos EUA.
A forma mais promissora para uma pequena companhia seria adquirir
os blocos (tirar maduros) que, por ter uma produção
pequena e declinante, já não interessam à Petrobras
ou outra grande companhia aquela história de que dono
do supermercado não tem quitanda. Quem possui um grande
ativo não tem como se dedicar a pequenos negócios, que
podem ser bons, mas interessam apenas a empresas de pequeno porte,
comenta Bacoccoli.
Só que, com o petróleo batendo a casa dos US$ 58, poucos
campos são considerados marginais e essa opção
de adquirir áreas sob concessão da Petrobras, por enquanto,
está descartada. Porque até mesmo a Petrobras volta
a olhar com mais carinho os campos que havia disponibilizado para
venda cinco anos atrás tome como exemplo o campo de
Massapé, o melhor poço já perfurado na Bahia
nos últimos 20 anos, mas que quase foi colocado no edital de
venda.
Resta então adquirir as concessões diretamente da ANP
como vem ocorrendo, de forma crescente, nas três ultimas
rodadas de Licitação. Para a Sétima Rodada, a
Agência incluiu acumulações já devolvidas
pela Petrobras que já têm instalada a infra-estrutura
para tratamento e transporte do petróleo e do gás natural.
Outro assunto que poderia ser copiado do Texas é a tributação.
No Brasil, o governament take é o mesmo para quem trabalha
no campo de Marlim ou num pequeno campo na Bahia. Isso exige mudanças.
Nos EUA, as pequenas empresas que operam os poços marginais,
com produção de até 10 barris por dia, têm
isenção de impostos e garantia de compra do óleo
pelo governo, conta Bacoccoli.
Para um pequeno produtor, os royalties e impostos são
proibitivos. As empresas precisam pagar royalty pelo gás associado,
mesmo que seja queimado, acrescenta Eduardo Rappel.
A ANP explica que, em sua atribuição, a única
alteração possível de implementação
legal é a adoção da alíquota mínima
de royalties prevista na Lei do Petróleo. Os campos marginais
a serem ofertados na Sétima Rodada de Licitações
deverão ter uma alíquota de royalty de 5%, diz
Newton Monteiro.
Dependendo da taxa interna de retorno, uma redução
de 10% para 5% no royalty já pode viabilizar um projeto,
avalia o diretor da companhia Aurizônia, Renato de Tocantins.
Outra mudança prevista para a Sétima Rodada é
a criação de uma nova categoria de operador denominado
provisoriamente como Operador D visando incentivar o aparecimento
de candidatos a pequenos produtores independentes de petróleo.
É uma imposição desse novo processo a adaptação
da qualificação do licitante à natureza do negócio,
explica o diretor da Agência.
As dificuldades não param por aí: o acesso a linhas
de crédito, numa atividade marcada pelo alto risco e investimentos
específicos, ainda está longe do ideal. Em primeiro
lugar pelo desconhecimento das entidades financeiras em relação
à essa atividade tanto é que a Petrobras vai
buscar, na maioria das vezes, financiamento em bancos estrangeiros.
E também porque , sem garantias para oferecer como contrapartida,
fica ainda mais difícil obter um empréstimo de milhões
de dólares que a atividade exige.
O diretor da ANP lembra que estão em andamento entendimentos
com bancos comerciais entre eles o Banco do Nordeste
para viabilizar esses empreendimentos. Haja visto que eles são
empreendimentos de produção de petróleo já
descoberto e, por esta razão, estão desonerados do maior
risco inerente a atividade petrolífera, qual seja o risco exploratório.
Uma vez produzido...
Os problemas não param por aí: não há
uma cadeia uma cadeia de fornecedores de equipamentos e serviços
suficiente para atender a uma demanda de várias companhias
de petróleo. E o volume de produção ainda não
viabiliza a criação de uma infraestrutura alternativa
para escoamento do petróleo ou do gás produzido
a Marítima planeja construir um terminal de estocagem, carregamento
e despacho de petróleo na Bahia, o que pode ser o primeiro
passo para quebrar o monopólio também no transporte.
A questão ambiental mais especificamente a sistemática
para abandono de poços se apresenta como outro gargalo
para as companhias. Em primeiro lugar porque a empresa que adquire
um campo maduro arca com o passivo ambiental acumulado durante todo
o período de produção. E os investimentos em
abandono teria que acontecer justamente num período em que
a companhia não está mais tendo receita com a produção.
Newton Monteiro explica que todos os campos marginais a serem ofertados
na Sétima Rodada de Licitações constavam como
passivo ambiental do antigo concessionário como o arrasamento
dos poços e instalações, e restauração
ambiental. O licitante deverá propor um plano de reabilitação
para o campo envolvendo a utilização dos recursos ainda
existentes na área. Desse modo, todos os recursos que vierem
a ser utilizados pelo licitante vencedor passarão a ser responsabilidade
exclusiva dele. Todo recurso não utilizado, continuará
como responsabilidade do antigo concessionário.
Mais importante do que isso seria vender o petróleo. As
pequenas companhias têm um único comprador, que é
a Petrobras. As duas refinarias privadas do país já
têm seu plano estruturado, comenta Rappel.
A Petrobras utiliza uma fórmula baseada nas cotações
do dólar e do petróleo no mercado internacional, só
que dentro de uma faixa limite para piso e teto. Como esses preços
têm dois donos o vendedor e o comprador nenhuma
empresa divulga qual tem sido o valor negociado. Quanto à
compra de petróleos produzidos por terceiros no Brasil, cumpre
informar que essas aquisições são feitas a preços
de mercado, a exemplo das compras feitas pela Petrobras no mercado
internacional, limita-se a dizer a empresa, em nota oficial.
Não conseguir vender o óleo pelo preço
da commodity tem sido o principal entrave, argumenta o diretor
da Aurizônia.
O diretor da ANP ressalta que não cabe à ANP regular
os preços de compra do óleo produzido. Caberá
a ANP fiscalizar essa atividade e, detectando procedimentos, inadequados
levar o fato ao conhecimento das autoridades competentes.
São problemas que não dependem da capacidade gerencial,
finaliza Eduardo Rappel. |
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