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Há males que vêm para o bem. A nacionalização das reservas de gás na Bolívia serviu para duas coisas: acelerar os investimentos no Brasil e ensinar a Petrobras a nunca mais montar uma estratégia em cima de uma única fonte de suprimento. Dos 134 milhões de m³ de gás natural que a companhia estará disponibilizando ao final de 2010, apenas 30 milhões de m³ serão importados da Bolívia. Um volume superior a esse 31,1 milhões de m³ será suprido por GNL importado de outros lugares, e 72,9 milhões de m³ serão extraídos dos campos nacionais.
“Vamos montar uma infra-estrutura para flexibilizar a oferta, de tal maneira que possamos ter gestão sobre a oferta, já que a demanda vai depender essencialmente de preços”, explica o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli.
Mais de um terço desse volume terá como destino a geração termelétrica o restante se dividirá entre o setor industrial, veicular, residencial, comercial, refinarias e químicas. O presidente explica que esses 48 milhões de m³ que serão disponibilizados às termelétricas podem nem ser usados, mas têm que estar disponíveis quando todas as usinas tiverem que operar ao mesmo tempo.
O recém anunciado Plano de Negócios da Petrobras para o período 2008-2012 reservou US$ 19,6 bilhões para a cadeia de gás natural valor que aumenta exponencialmente quando computados os investimentos em exploração e produção de gás. O Plangás programa que visa a acelerar a implantação de projetos para aumentar a oferta de gás natural para a região Sudeste prevê investimentos totais de US$ 25 bilhões no setor até 2010, quando a Petrobras espera estar disponibilizando 55 milhões de m³.
Serão oito grandes empreendimentos de exploração e produção e a ampliação dos pólos de processamento de gás natural de Cacimbas / ES, Cabiúnas / RJ e Cubatão / SP. Um dos projetos que a empresa espera colocar em operação até o final de 2008 são os campos de Peroá, Canapu e Camarupim, na Bacia do Espírito Santo. Da Bacia de Campos virá mais gás associado ao óleo produzido por novas plataformas nos campos de Roncador e Marlim Sul e na área do ESS-130.
Já na Bacia de Santos a produção de gás natural chegará a 2,5 milhões de m³/dia com a interligação do campo de Lagosta e da área SPS-25 ao sistema de Merluza. Em 2009, o campo de Mexilhão, já estará disponibilizando até 9 milhões de m³/dia em 2011, no pico de produção, serão extraídos do campo 15 milhões de m³/dia. E no ano seguinte, será a vez dos campos de Uruguá e Tambaú entrarem em produção.
O projeto de GNL prevê a aquisição de plantas de regaseificação instaladas em navios metaneiros. Duas Floating Storage and Regasification Unit FSRU já foram afretados da Golar LNG por dez anos, com opção de compra: a primeira, de 14 milhões de m³ será instalada na Baia da Guanabara / RJ e entrará em operação já em abril de 2008. Outra menor, de 6 milhões de m³ entra em operação em 2009 no Porto de Pecém / CE. Mas a companhia pretende instalar mais uma ou duas unidades até porque pretende tornar-se trader de GNL. “Os dois navios que já estão contratados, nos permitem atuar na comercialização de GNL. Vamos ter outros tipos de contrato firmes, e a Petrobras prevê atuar de maneira integrada na cadeia de produção-transporte-comercialização um novo papel que está assumindo em função dessa nova realidade internacional”, adianta o diretor da Área de Gás e Energia da Petrobras, Ildo Sauer.
O primeiro contrato de suprimento de GNL já foi assinado com a Nigéria mas a companhia deve anunciar novos contratos ainda este ano. O diretor explica que o GNL virá atender a demanda flexível já que o GNL não está sujeito às regras de take or pay quando a oferta é permanente. “É melhor pagar US$ 8 a US$ 10 por milhão de BTU durante dois meses do ano do que ficar pagando US$ 5 ou US$ 6 durante o ano todo, sem usar”, avalia. Além disso, a Petrobras acessaria o mercado internacional num período de preços relativamente menores no verão do Hemisfério Norte, quando o consumo é menor, e por aqui é período reservatórios em baixa, devido ao menor índice pluviométrico.
Segundo estimativas da Associação Brasileira de Gás Natural Canalizado Abegás, já em 2011 o País estará consumindo 131,2 milhões de m³/d nesse caso o equilíbrio entre oferta e demanda dependerá da operação das usinas termelétricas. Para a entidade, o consumo dos automóveis, comércios e residências alcança 43,6 milhões de m³/d quase 10 milhões de m³ a mais do que projeta a Petrobras.
Os estudos da Empresa de Pesquisa Energética EPE apontam que o gás natural terá uma importância cada vez maior na matriz energética brasileira em 2030 o insumo responderá por 16%, maior que a geração hidrelétrica, que será de 14%. “Temos um potencial para aumentar essa oferta do produto”, vaticina o presidente da EPE, Maurício Tolmasquim. |