| Revista Controle & Instrumentação
Edição nº 100 Janeiro de 2005
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Cover Page I
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| O que as empresas ganham
com o Gerenciamento de Ativos? |
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Acompanhar continuamente seus ativos e ter a garantia de que eles
vão desempenhar bem - e durante muito tempo - suas funções,
traz muita tranqüilidade. Para qualquer indústria evitar
uma parada inesperada ou desnecessária significa ganhar tempo
e dinheiro.
Aos poucos, a indústria brasileira concede espaço
aos sistemas e softwares de gerenciamento de ativos. Algumas ainda
consideram os custos altos e não vêem os pontos positivos;
outras não perdem tempo, investem agora com a certeza de
que vão ganhar mais tarde.
Gerenciar ativos é garantir uma maior disponibilidade dos
equipamentos, reduzir a variabilidade do processo e os custos com
manutenção, ou seja, é obter maior tempo e
qualidade de produção e, consequentemente, reduzir
as perdas. Com uma solução para gestão de ativos
é possível analisar a performance dos equipamentos,
prognosticar problemas, delimitar soluções alternativas
e ações para a otimização, além
de melhorar o planejamento estratégico. Já que são
tantos os pontos positivos, por que resistir e não investir
nisso então?
Algumas empresas ainda preferem fazer estudos e projetos para
uma nova linha de produção, por exemplo, para aumentar
a capacidade produtiva gastando milhões de dólares.
Elas não olham para a linha que têm em operação
- que muitas vezes possui uma disponibilidade extremamente baixa
- e não percebem que tratando melhor desta podem crescer
mais 5% ou 10% sem ter que investir milhões de dólares,
ressalta o diretor geral da Datastream Systems do Brasil, Daniel
Figueiredo. Fazer um projeto novo dá mais visibilidade
e essa falta de atenção em cuidar do que é
nosso ainda é muito comum, complementa.
Estudos internacionais realizados pela Datastream mostram que a
utilização de sistemas para a gestão da manutenção
dos ativos traz ganhos de até 15% na produtividade de mão
de obra, economia de até 4% no consumo de materiais e benefícios
diretos como aumento de capacidade produtiva entre 2% e 3% originados
do aumento da disponibilidade dos equipamentos e linhas de produção.
Ainda segundo a empresa, a implementação dessas soluções
aumenta entre 5% e 10% a vida útil dos equipamentos, que
no Brasil, é de cerca de 16 anos.
É importante lembrar que uma solução para gerenciamento
deve ter flexibilidade de configuração do sistema
e adaptabilidade à necessidade do usuário, do cliente.
Caso a solução seja muito simples o cliente
pode pensar que o software não serve, que ele não
vai conseguir inserir a informação que quer. Por outro
lado, se for muito elaborado ele pode achar que o software está
muito pesado e o técnico não vai conseguir utilizar.
Assim, ele decide voltar a utilizar a planilha Excel, que é
algo com que ele já está acostumado, explica
Figueiredo. Por isso é importante unir a facilidade
de adequação às necessidades do usuário,
além de considerar a qualidade da ferramenta de software
e a forma como deve ser implementada.
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| Daniel Figueiredo, da Datastream: Previsão
é de que conscientização sobre a importância
do gerenciamento de ativos esteja mais disseminada em três
anos |
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O diretor da Datastream lembra ainda que muitas
empresas entraram na onda do ERP investindo milhões de dólares
nessas soluções e, hoje, não querem investir
num sistema de gerenciamento de ativos. Identificar os problemas
de uma fábrica com antecedência e eliminá-los
ainda não é uma prioridade para a maioria das empresas,
apesar dos benefícios, diz. A manutenção
ainda é o patinho feio da empresa, ninguém
liga pra ela até que precise, completa.
Os Estados Unidos são os mais avançados na área,
enquanto na América Latina o assunto ainda é considerado
um centro de custo. Acredito que dentro de uns três anos
essa conscientização esteja mais disseminada. Já
vemos uma mudança, estamos caminhando para uma evolução
neste sentido. Percebemos que muitos projetos já foram tirados
da gaveta, mas ainda não foram concretizados, lembra
o diretor.
Outra questão que ainda precisa ser disseminada no setor é
a participação da equipe de manutenção
na hora da escolha e compra de um software de manutenção.
Ninguém pede a opinião daqueles que vão
utilizar a ferramenta, lembra Figueiredo.
Os softwares de manutenção permitem que o operador faça
uma solicitação de serviço pelo computador, dessa
forma é aberta uma ordem de serviço, que é entregue
via palm top ou ordem impressa para a manutenção, que
vai até o campo e executa o serviço. Lá
ele anota a hora em que terminou o serviço e o que foi trocado
e devolve essa informação para o sistema. A utilização
cada vez maior da tecnologia móvel, equipamentos de pequeno
porte e rápido acesso às informações estratégicas
onde quer que estejam também são uma tendência,
explica o diretor.
Alguns softwares que acompanham sistemas de controle, em sua maioria
sistemas híbridos, já gerenciam o funcionamento de alguns
equipamentos. Para a implementação de soluções
deste tipo- que podem ser adquiridas independente do sistema de controle
utilizado - é necessário que estes sistemas utilizem
instrumentos de campo inteligentes, ou seja, que possuem a capacidade
de se auto-diagnosticarem. A tendência é que as
empresas passem a oferecer cada vez mais sistemas de gerenciamento
que provêm interoperabilidade, trabalhem com sistemas abertos,
e que possibilitem a utilização de diferentes tipos
de equipamentos. O futuro estará centrado nos sistemas de gerenciamento
de ativos que trabalham com a inteligência desses equipamentos,
diz Marco Pagnano, da Smar. O sistema de gerenciamento serve
principalmente para notificar o usuário e registrar o evento
a lógica para detectar possíveis falhas geralmente
está no próprio equipamento, ressalta.
Uma outra tendência é o surgimento de sistemas
voltados para a Internet, que permitem que o próprio usuário
defina as IHMs de seu interesse. O usuário constrói
dinamicamente as páginas Web, determinando as variáveis
que ele quer monitorar e gerenciar, comenta o engenheiro Pagnano.
Com os sistemas Web, as IHMs que representam os equipamentos
da planta, são mostradas em um navegador da Internet (browser),
estando assim disponíveis nos mais variados computadores
e a qualquer momento. O usuário pode acessar e configurar
o equipamento com um problema iminente, da sua própria casa.,
enfatiza Pagnano.
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| Marco Pagnano, da Smar: Tendência
é sistemas de gerenciamento que provêm interoperabilidade
e trabalhem com sistemas abertos |
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A Smar, por exemplo, desenvolveu o AssetView Ferramenta
Gerencial de Equipamentos de Campo on-line, parte integrante do
System302 (sistema aberto) , que monitora e armazena qualquer
alteração ou intervenção na planta,
facilitando a manutenção e permitindo auditoria completa
dos procedimentos efetuados. O sistema possui recursos gráficos
avançados que permitem obter um diagnóstico preciso
a qualquer hora e em qualquer lugar, além de tecnologia aberta
que permite integração entre protocolos.
O AssetView cuida da calibração/configuração
de equipamentos, monitora a condição da planta, faz
o gerenciamento das manutenções (proativa, preditiva,
preventiva e corretiva), faz o diagnóstico de equipamentos
e armazenamento de informação, a comparação
entre resultados de diagnósticos, entre configurações
e o gerenciamento de equipamentos via Internet e disponibiliza uma
série de relatórios de auditoria.
Na área de gerenciamento de ativos a Smar atende empresas
como Companhia Mineira de Metais (CMM), da Votorantim; a Companhia
Brasileira de Cristais (Cebrace); a Petrobras; a Deten Química;
Duke Energy, dos EUA; Shell, entre outras.
O Datastream 7i da Datastream Systems faz uma gestão hierárquica
de ativos, auditoria, possui Messenger, é multi-organizacional,
possui manutenção preventiva flexível e faz
monitoração do uso, entre outros.
Com a auditoria é possível fazer o rastreamento de
mudanças nos comentários, atributos, inserções,
atualizações ou eliminações do todos
os atributos das tabelas do Datastream 7i. O Messenger permite receber
notificações por e-mail em períodos definidos
depois de uma modificação do status da ordem de trabalho
ou de compra. As mensagens automáticas mantêm o pessoal
atualizado sobre as distintas atividades das requisições
de ordens de trabalho e de compra, aprovações, finalizações
e recibos de ordens de compra. E ainda sendo multi-organizacional,
a solução permite que as organizações
possam administrar múltiplas entidades com uma só
base de dados. Cada filial da organização pode ver
e editar seus próprios dados usando sua própria moeda
e idioma. Possibilitando aos usuários em distintos locais
compartilharem informações comuns.
O Datastream 7i oferece ainda indicadores chave de performance (KPIs),
onde, por meio gráfico mostram como é o desempenho
dos ativos comparando-os com as métricas definidas pelo usuário.
Também o Datastream 7i Móbile permite, por meio de
dispositivos portáteis, a conexão remota ao sistema
de gerenciamento de ativos. Com um simples handheld, telefone celular
ou qualquer dispositivo com acesso à Internet e Windows CE,
pode-se acessar em tempo real toda a informação on-line.
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| Carlos Sanchez, da Rockwell: Além
de se monitorar ativos, é preciso gerenciar o desempenho
das pessoas que os utilizam |
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A Rockwell Automation fortaleceu sua participação
na área de gerenciamento de ativos com a compra da marca Entek
que oferece equipamentos, softwares e sensores para monitoramento
de condições, há alguns anos. Dentro desta área,
hoje, a empresa oferece diversos serviços como a remanufatura
de seus produtos feita através da re-fabricação
dos equipamentos. A Rockwell dispõe de 13 Centros de
Remanufatura no mundo, sendo que um deles está no Brasil. Isto
garante maior rapidez e confiabilidade nos serviços prestados,
diz o gerente de Asset Management e Treinamento da Rockwell Automation,
Carlos Eduardo Sánchez. Neste processo, recebemos o equipamento
do cliente, fazemos todas as revisões e atualizações
necessárias, e somente a partir deste ponto são substituídos
componentes danificados ou com potencial de falha. Em seguida, o equipamento
é submetido a vários testes funcionais em testadores
certificados pela matriz. Somente após passar por todas estas
etapas o equipamento é liberado para o cliente, com 12 meses
de garantia.O que se pretende hoje com o gerenciamento de ativos é
oferecer soluções para aumentar o uptime da planta do
cliente, reduzindo seus custos e minimizando o tempo para o lançamento
de um novo produto no mercado, diz Sánchez.
Outro serviço de muito sucesso é o gerenciamento de
estoque de peças nas instalações do cliente,
PMA, onde a Rockwell Automation disponibiliza seus produtos 24h por
dia, de acordo com a base instalada do mesmo. A grande vantagem
para o cliente é dispor de sobressalentes 24h por dia em sua
fábrica sem precisar incorporá-los em seu inventário
Segundo ele, indústrias como petroquímica, geração
de energia, siderurgia, mineração e papel e celulose,
costumam investir mais em gerenciamento de ativos justamente para
não correrem o risco de parar seus processos, já que
os prejuízos podem ser muito grandes. Hoje, também
é importante lembrar que, além de se monitorar ativos,
é preciso gerenciar o desempenho das pessoas que os utilizam.
Trata-se de um trabalho em conjunto, ressalta.
Pensando nisso, a Rockwell Automation destaca os Serviços de
Treinamento e Desempenho, que dispõem de diversas alternativas
para o desenvolvimento dos recursos humanos, desde cursos padronizados
até serviços de consultoria para mapeamento do inventário
de conhecimento do cliente, IPA.
Dentro dos treinamentos oferecidos, o destaque está para o
Treinamento On-Site, onde a empresa pode escolher o horário
e as datas que melhor se ajustam à disponibilidade de seus
funcionários, com a vantagem de realizá-los em suas
instalações. Além dos cursos on-site, a Rockwell
Automation oferece cursos regulares em seu Centro de Treinamento,
na cidade de São Paulo.
Segundo Sánchez, a Rockwell pode fornecer ao cliente um treinamento
especificamente desenvolvido para suas necessidades. 80% dos
treinamentos realizados pela empresa são customizados, ou seja,
verificamos exatamente o que o cliente está precisando. Trata-se
de um treinamento sob medida. Desta forma, podemos usar o tempo com
a maior eficiência possível, explica.
A Rockwell Automation faz ainda um trabalho de mapeamento do conhecimento
técnico dos funcionários da empresa, permitindo desenvolver
um programa específico para o preenchimento das lacunas existentes.
A partir disso trabalhamos em cima das deficiências dele,
desenvolvemos aquilo que ele realmente precisa.
No exterior Nos Estados Unidos a Rockwell Automation assinou,
entre o último trimestre de 2003 e o início de 2004,
cerca de 14 acordos com grandes fabricantes, incluindo a Alcoa, a
Owens Corning e a Robert Bosch Corporation, para gerenciar ativos
de manutenção, reparo e operações (MRO
Maintenance Repair and Operations) em unidades específicas.
Com isso, o Programa de Gerenciamento de Ativos da Rockwell Automation
(RAAMP Rockwell Automation Asset Management Program) - que
já está disponível no Brasil - está agora
implementado em cerca de 114 unidades localizadas nos Estados Unidos,
Canadá, Reino Unido, Alemanha e México.
O RAAMP permite que a Rockwell personalize estratégias de MRO,
ajudando os fabricantes a melhorar a precisão do estoque e
acelerar os reparos de peças. Descobrimos que não
é incomum que fabricantes de qualquer porte obtenham o retorno
sobre o investimento em menos de um ano ou, para grandes organizações,
economizem de US$ 1 milhão a US$ 1,5 milhão em redução
de despesas de MRO durante o primeiro ano dos contratos de RAAMP,
diz o vice-presidente de Gerenciamento de Ativos da Rockwell Automation,
Mike Laszkiewicz.
Segundo a empresa, são feitas economias de custos significativas
através do rastreamento de ativos reparáveis, o que
otimiza o estoque de peças, melhora a confiabilidade da manutenção,
compila dados de desempenho sobre equipamentos e recupera dinheiro
perdido de garantia. O RAAMP fornece às empresas uma capacidade
de terceirização personalizada, que otimiza o gerenciamento
de ativos e as funções de estoque, permitindo que as
empresas reduzam despesas e obtenham maior lucratividade.
O gerente da Divisão Automation da Mitsubishi, Luiz Tadashi
Akuta, lembra que a maioria das empresas trabalha com softwares específicos
para gerenciamento de ativos e a dificuldade do setor é a transferência
de dados em muitos níveis de tratamento dos mesmos na empresa.
Nós desenvolvemos alguns projetos de automação
para fabricantes de máquinas. Nossas ferramentas são
adequadas às necessidades dos clientes, devido à facilidade
de conexão dos componentes do chão de fábrica
com os diversos bancos de dados existentes, ressalta. Temos
ferramentas desenvolvidas (por observar que 97% da plataforma de computadores
é baseada em ambiente Windows), centradas em bibliotecas Active
X.
Tadashi explica que o Active X é uma tecnologia de interface
entre aplicativos Windows. Estes componentes se comunicam de
forma nativa entre si, sem conflitos. No caso do hardware Mitsubishi,
o mesmo é detectado e incorporado por todos programas existentes
no microcomputador que utilizam a biblioteca Active X, diz Tadashi.
O hardware da Mitsubishi trabalha com esta tecnologia, que é
padrão de interface de troca de dados da Microsoft para diversos
aplicativos, como SQL Server, Acess, Excel do pacote MS Office. Outras
empresas fazem isso com software supervisório ou com drivers
específicos para um banco de dados proprietário sendo
necessário criar drivers de interface para programas existentes
na empresa. Nós oferecemos uma interface para plataformas existentes
em praticamente todos os clientes e setores da empresa. Quem não
possui o MS-Office em sua empresa ?, pergunta o gerente. A Mitsubishi
desenvolve este trabalho também em conjunto com os fabricantes
de máquinas. Com a nossa ferramenta, basta que o cliente
tenha o Windows. Com as de outras empresas, os clientes precisam,
na maioria das vezes, ter um software próprio do fornecedor
da solução, explica.
A Mitsubishi lançou esta ferramenta em 2004, sendo que novas
versões já se utilizam para a tecnologia .NET
também da Microsoft. Nossa rede de comunicação
para controladores, devido à crescente necessidade de trafego
de dados cada vez maiores, navega em 25 MBPS sendo que nosso concorrente
mais próximo trafega em 12 MPBS, portanto possuímos
uma capacidade de trafego de dados duas vezes superior, diz.
A Mitsubishi também fornece soluções de comunicação
em Ethernet 100 e lançará a rede em 1GIGA entre controladores.
No Japão, já existem soluções em
Wireless com os controladores, porém em nosso país ainda
não encontramos clientes projetando este tipo de solução,
completa. |
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