Revista Controle & Instrumentação – Edição nº 101 – Fevereiro de 2005
Cover Page I
Onde o humano e a máquina se tocam. Onde?

Existe uma tendência de se supervisionar remotamente a planta, por meio de uma interface homem-máquina – aqui considerando-se a interface como um sistema que oferece, além da visualização/interface com o operador, um controle supervisório, a aquisição de dados, alarmes e informações para o planejamento corporativo. Alternativa “cliente leve”, PCs, palms ou celulares podem, por meio da web, reunir e mostrar pontos críticos de uma grande instalação numa mesma interface, tornando-se fonte de informação para operadores, técnicos e softwares corporativos.

Existem muitas opções comerciais de interface web que geralmente estão integradas a um bloco proprietário, ainda que existam propostas de implementação baseada em softwares de código aberto. Mas, então, como se definir Interface Homem Máquina?

Poeticamente, podemos definir como sendo o lugar onde a tecnologia e o humano se encontram. E, diga-se de passagem, que nos dias de hoje uma grande parcela das pessoas interage muito mais com a “tecnologia do computador” que com martelos...

Vale lembrar que a parte visível dos computadores e instrumentos não comunicam instantaneamente seu propósito mas, quando bem planejada, essa parte visível é um mapa preciso do que o usuário está buscando. O bom design de uma interface pode até determinar a aceitação – ou não – de uma solução inteira!

E o bom design, aqui, não quer dizer só beleza visual, mas a boa aplicação das normas e do bom senso. Pode ajudar ter sempre à mão a ISO9241, que define os três componentes básicos para o design de IHMs, quais sejam, sua efetividade (o produto faz o que se propõe a fazer), eficiência (fácil de ser usado, faz a coisa certa) e a satisfação (satisfaz o usuário, reduz o stress do uso, aumenta o prazer no trabalho). Mas é claro que além de tudo isso, o sucesso de IHM depende muito das necessidades e metas do usuário. E a interface homem máquina é tão importante que 50% dos códigos em um novo software é dedicada à interface com o usuário. E, no atual mercado, altamente competitivo, os produtos e serviços que não atendem às necessidades dos usuários, falham, desaparecem.

A importância dessa “usabilidade” varia de usuário para usuário, porque varia de acordo com a aplicação: numa central de tráfego aéreo ou de uma usina nuclear ela é crítica, já numa máquina de café, nem tanto. Por isso, envolver o usuário na elaboração do design da IHM é boa idéia afinal, os usuários são experts em imaginar como seria melhor se, ainda que muitas vezes não consigam definir bem o que esperam de um produto como uma IHM. E, se trabalhar com usuários nos conceitos do produto é sabidamente importante, trabalhar com o usuário industrial é complicado porque, embora ele seja mais fácil de ser identificado, é mais difícil ter acesso a ele ou mesmo envolvê-lo em um projeto de uma IHM que não seja a sua exclusiva. É bom frisar que, por melhor que tenha sido a pesquisa e o desenvolvimento, a instalação é o momento da verdade: se for assistida pelo fornecedor, menos mal; se for feita pelo usuário, entra em cena outra interface – que muitos descartam e poucos fornecedores têm o cuidado de tornar amigável –, o manual. (Você lê os manuais?). Claro, é bom não esquecer que surpresas – agradáveis ou não – só emergem quando o produto começa a ser utilizado.

As normas estão aí para ajudar os fornecedores de soluções, como as normas ISO 9241 (Ergonomic Requirements for Office Work and Visual Display Terminals); a ISO 14915 (standard em multimídia); as ISO-IEG 11581 (graphical symbols on screens), 13714 (para usuários de telefone com serviços de mensagem, voz e outras aplicações – uma das tendências mesmo para IHMs industriais); 11580 (nomes e descrições de objetos e ações usados em ambiente office). Existem as normas Ansi/HFES200, uma extensão da ISO 9241, que inclui guia para elaboração de interfaces para diferentes deficiências, escrita em solicitação à Americans with Disabilities Act. Ainda o IISP (Internation Infrastructure Standards Panel) deve unificar a infra-estrutura americana com vistas a uma normatização global. A AnsiT1M1.5 que fornece diretrizes para arquiteturas, interfaces e protocolos de telecomunicações, em estudo pelo grupo 10 da International Telecommunications Union. Quem procura seguir as tendências e está de olho em interfaces web, é bom verificar o que diz o W3C (World Wide Web Consortium).

Para ajudar sua pesquisa, alguns sites interessantes: www.ansi.org, www.w3.org, www.iso.ch, www.acm.org/sigs/sigchi, www.ergonomics.org.uk .

E, por isso tudo – mais aquele apoio técnico e bom atendimento/relacionamento – é que existem os favoritos do mercado, em Interfaces Homem-Máquina e outras categorias. No Brasil, prêmios para produtos caíram em descrédito mas, nos EUA, por exemplo, eles ainda continuam sendo boa referência e têm corroborado a posição dos usuários brasileiros – ao menos os da Editora Valete – que vêem seus fornecedores TOP nas listas americanas. Um bom exemplo são os quatro melhores softwares eleitos pela Control Engineering em 2004: o FPM-3170 da Advantech; o BeamOne Touchless Holographic Interface, da Atlantex; o InTouch 9.0, da Wonderware; e o Model 3712 da Xycom Automation. (Você usa algum deles ? ).

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