| Revista Controle & Instrumentação
Edição nº 101 Fevereiro de 2005
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Cover Page II
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| Pesquisas revelam novos caminhos
para IHMs |
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Um grupo de trabalho da Universidade Federal de Campina Grande
(UFCG), na Paraíba, pesquisa atualmente um método
para a concepção de interfaces industriais mais ergonômicas,
levando em conta a tarefa, o usuário e o contexto de uso.
Este método, que se concentra na construção
de modelos formais (matemáticos) e de protótipos das
interfaces, tem o objetivo de apoiar uma atividade de projeto sistemática
e fundamentada em princípios ergonômicos. Dentre os
estudos que apóiam este método está a análise
de incidentes e acidentes ocorridos em sistemas industriais críticos,
com base em modelos oriundos da IA (Inteligência Artificial).
O objetivo é obter elementos que esclareçam
a origem do erro humano e verifiquem sua relação com
as características da interface. A partir deste estudo, pretende-se
identificar falhas no projeto da interface que possam ser eliminadas
melhorando a robustez e segurança dos sistemas a elas associados,
explica a professora do Departamento de Engenharia Elétrica
da Universidade Federal de Campina Grande, Fátima Vieira
Turnell.
O método inclui a avaliação da usabilidade
das IHMs a partir de uma abordagem híbrida, incluindo testes
de usabilidade, inspeção por normas - como a já
citada ISO 9241 - assim como o levantamento da opinião dos
usuários sobre a qualidade destas interfaces. Esta avaliação
da usabilidade, segundo a professora, consiste na aplicação
de um conjunto de técnicas onde os resultados devem gerar
informações que permitam a identificação
e localização de problemas e sirvam de referência
no desenvolvimento de soluções. Os benefícios
da avaliação se traduzem na redução
do tempo de treinamento, aumento na produtividade do usuário
e redução do número de erros do usuário,
resultando em sistemas mais robustos, destaca Turnell.
O grupo, chamado de Grupo de Interfaces (GIHM), desenvolve pesquisas
em cooperação com o Departamento de Engenharia Industrial
da Universidade de Marseille, e com o Laboratório de Psicologia
cognitiva na França na temática do erro humano. Há
também a colaboração de uma indústria
do setor elétrico na pesquisa da relação entre
o erro humano, acidentes industriais e o projeto das IHMs.
Para apoiar a pesquisa e os projetos acadêmicos do Grupo de
Interfaces, Fátima deu início, no começo da
década de 90, a criação do Laboratório
de Interfaces Homem Máquina (LIHM), que hoje conta com alunos
e pesquisadores dos Departamentos de: Engenharia Elétrica,
Informática e Desenho Industrial, e está sob sua coordenação.
Atualmente, somam-se aos objetivos do laboratório a prestação
de serviços de concepção e avaliação
de IHMs. Atualmente, ele está dividido em dois ambientes
físicos: um situado no Departamento de Engenharia Elétrica
da UFCG, que consiste em uma célula de avaliação,
voltado para atividades acadêmicas; e outro ambiente com duas
células de avaliação, situado no Parque Tecnológico
da Paraíba, voltado para atividades de prestação
de serviços a indústria. Este, segundo conta, tem
o apoio da Associação para Promoção
da Excelência do Software Brasileiro, a Softex.
Cada célula de avaliação é composta
por uma sala de controle onde está instalada toda
a infra-estrutura para coleta de dados em áudio, vídeo
e em computador dedicado; um ambiente para observação
do usuário e um ambiente de teste no qual o usuário
realiza as tarefas.
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| Profª Fátima Vieira Turnell,
coordenadora do Laboratório de Interfaces Homem Máquina
(LIHM), da UFCG |
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Os ambientes são separados por espelhos
unidirecionais, que asseguram ao usuário a privacidade necessária
à realização de sua tarefa. Já os ambientes
de teste podem ser configurados para representar o ambiente real de
trabalho podendo conter os equipamentos reais ou com uma simulação
do que for considerado essencial para recriar as condições
do ambiente real. O LIHM também possui recursos
para realizar testes de campo.
As atividades desenvolvidas no LIHM encontram-se num estágio
de amadurecimento adequado à prestação de serviços
à indústria, em nível equivalente aqueles realizados
por estruturas similares na Europa e nos Estados Unidos, enfatiza
Fátima.
Para onde apontam as pesquisas?
É preciso priorizar o que há de mais adequado
ao usuário em termos de conforto, segurança, facilidade
de uso e de aprendizado, assim, a coordenadora do Laboratório
de Interfaces Homem Máquina da UFCG aponta os primeiros passos
para o desenvolvimento de IHMs mais eficazes à realidade de
mercado.
Segundo Fátima, numa época onde os computadores fazem
parte do cotidiano, uma linha de pesquisa que vem se intensificando
é a das interfaces ubíquas e pervasivas, que busca alternativas
ao modelo atual de interação com os computadores baseando-se
na interação entre um usuário e um computador.
O objetivo é propor um modelo menos restritivo no qual
um usuário possa simultaneamente interagir com outros usuários
e com vários dispositivos (com processadores embutidos) interconectados,
assegurando-lhe mais naturalidade e mobilidade durante a interação,
explica. Um outro exemplo de flexibilidade e mobilidade são
as IHMs disponibilizadas na web, com as quais o usuário pode
interagir sem restrições geográficas.
Atualmente, tanto a automação industrial quanto a indústria
de instrumentos e equipamentos se beneficiam dos avanços na
tecnologia da informação. Segundo a professora, em breve,
elas poderão introduzir novas formas de interação
como o reconhecimento de voz, a interação táctil
e o rastreamento da visão (eye tracking), com o objetivo de
tornar a interação o mais natural possível.
Já quanto à visualização, Fátima
ressalta que não necessariamente precisa ser mais elaborada,
mas, com certeza, a apresentação da informação
precisa ser mais adequada às necessidades dos usuários,
às tarefas que estão sendo realizadas e ao contexto
de uso no qual os dispositivos estão inseridos, como: condições
oferecidas pelo ambiente de trabalho, restrições temporais
sobre a interação, conseqüência das falhas
dos equipamentos e dos erros humanos, entre outros aspectos.
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