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A criação do Ministério de Ciência e
Tecnologia, em 15 de março de 1985, através do decreto
nº 91146, atendeu a uma reivindicação antiga
da comunidade científica. Antes do MCT, as atividades de
pesquisa ficavam sob a responsabilidade do CNPq e o desenvolvimento
de recursos humanos com a Capes, instituições que
desempenharam um papel muito importante para a atual estrutura do
ministério que foi criado com base nos investimentos efetuados
nesses dois organismos ainda ativos, participantes e importantíssimos
para o desenvolvimento da ciência e da tecnologia brasileira.
O padrão clássico da produção da ciência
brasileira formação de cientistas, elaboração
de programas com objetivos e méritos acadêmicos, etc.
nasceu dentro das universidades brasileiras, pois nelas se
concentravam os pesquisadores. Alguns institutos de pesquisa, embora
tenham sido criados bem antes das universidades caso do Museu
Goeldi, atualmente uma instituição do MCT, que foi
fundado em 1866, ou o IPT Instituto de Pesquisas Tecnológicas,
de São Paulo, que conta com 106 anos , atendiam demandas
muito específicas.
As universidades brasileiras surgiram num cenário mais recente,
na primeira metade do século XX. Apesar disso, o Brasil conseguiu,
à custa de grandes investimentos, ser o país de maior
produção científica e tecnológica da
América Latina. E está entre os melhores do mundo,
em algumas modalidades.
Antes do MCT, os primeiros financiamentos para a montagem de pesquisa
e cursos de pós-graduação foram financiados
pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
(BNDES). Só depois é que essa função
passou para a Finep, agência de fomento vinculada ao MCT.
Como conseqüência da fonte de recursos para fomento à
pesquisa nessa época ser externa, ou seja, não fazer
parte da dotação orçamentária das universidades,
a atividade de pesquisa era muito pouco institucionalizada.
Nas décadas de 1960 e 1970, o esforço de planejamento
para ciência e tecnologia era integrado ao planejamento governamental
e regido pelos Planos Nacionais de Desenvolvimento, que se desdobravam
em Plano Nacional de Pós-Graduação (PNPG)
administrado pelo MEC e voltado para a formação de
recursos humanos , e Plano Básico de Desenvolvimento
Científico e Tecnológico (PBDCT) gerido pelo
CNPq e voltado para o gerenciamento da atividade de pesquisa. Mais
tarde, a criação do MCT, em 1985, deu o arcabouço
institucional para às ações de fomento à
ciência dentro do plano governamental.
A recuperação dessa área se deu com a própria
recuperação econômica do País, que permitiu
manter patamares relativamente estáveis de investimento em
ciência e tecnologia. A Lei de Incentivos Fiscais também
serviu para estimular a atividade científica, pois ela permite
a dedução do Imposto de Renda (IR) das empresas privadas
que aplicam em ciência e tecnologia, por meio de convênios
com universidades e instituições de pesquisa para
o desenvolvimento de produtos e tecnologias.
Com a criação dos Fundos Setoriais de Ciência
e Tecnologia, a partir de 1999, houve novo avanço do fomento
à pesquisa. Os Fundos são instrumentos de financiamento
de projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação
no País. Eles atendem, hoje, a 15 áreas, cada qual
com recursos próprios e exclusivos. Esses recursos, oriundos
de contribuições incidentes sobre o faturamento de
empresas e/ou sobre o resultado da exploração de recursos
naturais pertencentes à União, são alocados
no FNDCT Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico
e Tecnológico.
Ministro Eduardo Campos - 28/01/2004
Economista formado pela Universidade Federal de Pernambuco, o atual
ministro da Ciência e Tecnologia, Eduardo Campos, 39 anos,
casado e pai de quatro filhos, está licenciado do seu terceiro
mandato de deputado federal pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB).
Campos atuava, pela segunda vez, como líder do Partido na
Câmara Federal.
Nascido em Recife, Eduardo Campos começou sua militância
política como presidente do Diretório Acadêmico
da Faculdade de Economia (UFPE), em 1985. Entrou para o PSB em 1990,
partido do qual é integrante do Diretório Nacional.
Foi deputado estadual em Pernambuco, chefe de gabinete do governo
estadual e secretário de Governo e da Fazenda do Estado.
Sua articulação com a área de ciência
e tecnologia é antiga, tanto em âmbito nacional, como
deputado federal, quanto no estado de Pernambuco. Quando ocupou
o cargo de chefe de gabinete do governador Miguel Arraes (1987),
participou diretamente da criação da primeira secretaria
de C&T do Nordeste e, em 1989, da primeira Fundação
de Amparo à Pesquisa da região, a Facepe.
No ano passado, destacou-se no Congresso Nacional como um dos principais
articuladores do governo Lula para a aprovação das
reformas da Previdência e Tributária.
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O Brasil foi um dos primeiros países
em desenvolvimento a estabelecer uma política de desenvolvimento
científico e tecnológico. Basta lembrar que o Conselho
Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
(CNPq) e a Coordenadoria de Aperfeiçoamento de Pessoal do Nível
Superior (CAPES) foram criados em 1951, meses apenas após a
National Science Foundation, nos Estados Unidos.
Na evolução da política de governo nessa área,
a criação do Ministério de Ciência e Tecnologia,
em março de 1985, há exatos vinte anos, representou
um marco importante. Pode-se discutir a orientação predominante
naquele momento, que se refletiu na mal-fadada lei de informática.
Mas é indiscutível que a criação do MCT
significou um avanço. Primeiro, porque indicou a prioridade
atribuída ao desenvolvimento científico e tecnológico.
Segundo, porque melhorou as condições de coordenação
de políticas nessa área.
Em meu período na presidência, o governo federal deu
início a uma série de reformas para fortalecer a capacidade
científica e tecnológica do Brasil. O MCT desempenhou
um papel central na concepção e execução
de todas elas.
Os desafios eram muitos. Cito apenas alguns. Havia que restabelecer
as bases de financiamento das atividades de ciência e tecnologia,
prejudicadas pela crescente escassez e instabilidade de recursos orçamentários.
E para tanto foram criados os Fundos Setoriais, com fontes próprias
de receita. Havia também que atualizar a legislação
pertinente, a começar por uma nova lei de patentes, sem esquecer
da prorrogação e aprimoramento da lei de informática
de 1991, que pôs fim à reserva de mercado. Havia ainda
que promover maior cooperação entre empresas, de um
lado, e institutos de pesquisa e universidades, de outro. Daí
a iniciativa de encaminhar ao Congresso uma Lei de Inovação,
recentemente aprovada, que facilita essa cooperação,
objetivo igualmente visado pelos Fundos Setoriais.
Ainda há muito a fazer para tornar a ciência, a tecnologia
e a inovação um grande motor do desenvolvimento no Brasil.
O tamanho da distância a percorrer pode ser medido, entre outras
coisas, pela diferença entre a participação brasileira
na produção científica mundial (relativamente
alta) e a participação brasileira no registro de patentes
(relativamente baixa). Perseverar e mesmo aperfeiçoar as reformas
iniciadas e fortalecer o MCT são fundamentais para tanto.
Fernando Henrique Cardoso
Ex-presidente da República
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