| Revista Controle & Instrumentação
Edição nº 102 Março de 2005
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Cover Page
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| O futuro do controle na transferência
de dados |
| Agentes começam a discutir
vantagens da norma IEC 61850, vislumbrando as perspectivas de médio
e longo prazo, enquanto o ONS implementa padronização
do tráfego de informações por meio do Projeto
Sinocon |
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O controle sobre a geração de 79 mil MW em 79 Agentes
além da transmissão dessa energia elétrica
por cerca de 80 mil km de linhas deverá ser significativamente
ampliado quando o ONS concluir a primeira fase do Sistema Nacional
de Observabilidade e Controlabilidade Projeto Sinocon.
O Sinocon visa a melhoria da observabilidade e controlabilidade
da operação do Sistema Interligado Nacional
SIN por intermédio do atendimento integral ao preconizado
no Submódulo 10.19 dos Procedimentos de Rede que especifica
todos os requisitos de supervisão e controle e as informações
que devem estar disponibilizadas nos Centros de Operação
do ONS.
A Agência Nacional de Energia Elétrica estabeleceu,
no final do ano passado, que o ONS procedesse a uma revisão,
com o objetivo de aprimorar os Procedimentos de Rede. Esse processo
está sendo conduzido com a participação de
todos os agentes, explica o diretor de Operação
do ONS, Luiz Eduardo Barata Ferreira.
De acordo com o Submódulo 10.19, cada usina ou subestação
da Rede Básica tem um conjunto coerente de informações
analógicas e digitais, que devem ser disponibilizadas por
dispositivos locais, os quais, por sua vez, mediante canais de comunicação
enviam informações para o centro de operação
imediatamente superior na hierarquia operativa.
O ONS demonstrou, em relatório enviado para a Aneel, que
a ausência de dados e informações de instalações
relevantes nos sistemas de supervisão e controle não
provia a necessária observabilidade e controlabilidade do
Sistema Interligado Nacional. Diante disso, a Agência autorizou
o ONS a coordenar uma ação emergencial para implementar
o Projeto Sinocon, contemplando a implementação de
Unidades Terminais Remotas em usinas e subestações
do SIN um projeto de R$ 85 milhões que prevê
a instalação, em uma primeira fase, de 131 UTRs até
2007, além de outras 161 unidades até 2009 nas fases
subseqüentes.
Os distúrbios ocorridos em 1999 e em 2002 mostraram
que existiam algumas áreas do sistema onde a supervisão
era frágil. O resultado disso foi a constituição
de um programa com o objetivo de cobrir essas lacunas. Hoje não
permitimos que nenhuma instalação entre em funcionamento
sem que esteja com a supervisão adequada, conta o diretor.
O Sinocon procurou implantar um padrão, de acordo com
os Procedimentos de rede vigentes. Então foi feita uma especificação,
que procurou ser compatível com a tecnologia já instalada
nos agentes, completa o gerente de Supervisão e Controle
do ONS, Jorge Miguel Ordacgi Filho.
Para algumas usinas e subestações, foi necessário
substituir os equipamentos existentes ou até mesmo
implementar novas UTRs. Em outros casos, foi necessário apenas
complementar a UTR já existente.
Dentro da usina ou da subestação, a função
da Unidade Terminal Remota é convencional essencialmente
os sinais são todos elétricos, com os contatos de
um disjuntor ou de uma seccionadora enviando informações
para a UTR, além das informações propiciadas
pelos relés de proteção destinadas ao estabelecimento
da seqüência de eventos. São instalados
multimedidores digitais ou aproveitados transdutores analógicos
existentes para trazer as informações analógicas
para a UTR. Dependendo dos critérios de fabricação,
pode haver um acoplamento eletro-óptico na entrada da UTR
só por questão de compatibilidade eletro-magnética,
além de alguns casos de utilização de fibras
óticas em função de peculiaridades de cada
instalação.
A UTR pode também ser utilizada para o controle da instalação
aí dependendo da necessidade de cada usina ou subestação,
de acordo com os requisitos do Agente. Essas UTRs atendem
ao interesse dos próprios Agentes em seus processos, como
também para a coleta e transferência de informações
para o Operador Nacional, explica Luiz Eduardo Barata.
Outra liberdade que o Agente tem é a opção
pelo controle local ou remoto da instalação
desde que estejam assegurados que os tempos de atuação,
no caso de um controle remoto, sejam aqueles que teríamos
em caso de uma operação local. O agente tem
que seguir os Procedimentos de Rede, em termos de recomposição
ou religamento de uma linha ou equipamento. A decisão de
se adotar um telecontrole não pode afetar o desempenho da
instalação, completa o diretor.
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| Luiz Barata: Sinocon visa a melhoria da observabilidade
e controlabilidade do sistema |
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A Norma IEC 61850
O Projeto Sinocon enseja as ações em curso no ONS para
o aumento da observabilidade e da controlabilidade do SIN em curto
prazo. Para o médio e longo prazo, as expectativas recaem sobre
a Norma IEC 61850, que começará a ser aplicada no nível
de usina e subestação, ou seja, junto ao processo elétrico,
e que certamente evoluirá para abranger os centros de operação.
A tendência é que, se conseguirmos um padrão
de comunicação dentro de cada subestação
ou usina, vai haver um encaminhamento natural para que isso suba na
hierarquia operativa, saindo de junto do processo para uma aproximação
com os centros de operação, avalia Jorge Miguel
Ordacgi Filho, também coordenador do Comitê de Estudos
B5 do Cigré.
Jorge explica que a norma IEC 61850 possibilita ao usuário
algo inicialmente perdido com a tecnologia digital: a interoperabilidade
de equipamentos de supervisão, controle e proteção
ou seja, a possibilidade do usuário não ficar
preso a um único fornecedor, seja na instalação,
seja na ampliação de uma usina ou subestação.
Todas as usinas e subestações antigas nos fazem
recordar que isso era viável com a tecnologia analógica.
E essa interoperabilidade foi perdida, em primeira instância,
com a tecnologia digital, pelo benefício que se ganhou com
a capacidade de integração de funções,
custos mais baixos e extrema flexibilidade. Os usuários começaram
a pleitear uma maior liberdade, que é a capacidade de fazer
a instalação ou a ampliação com mais de
um fornecedor de equipamento ou software.
Os ganhos com a IEC 61850 poderão ser mensurados não
só pela interoperabilidade, mas também com uma precisão
maior na hora de avaliar o custo da aquisição ao longo
de sua vida útil. Quanto vai custar aquele sistema de
automação, proteção ou controle, ao longo
de sua vida, desde a sua aquisição até incluir
os custos de sua substituição, também vai ser
passível de mensuração, acrescenta o gerente. |
| Jorge: IEC 61850 como tendência para
controle |
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Mas a questão principal é
ter uma quantidade razoável de produtos que atendam a essa
norma que os fabricantes de sistemas Scada já estão
cogitando oferecer, completa.
Por outro lado, o advento da IEC 61850 implica numa mudança
substancial do modo de pensar e agir dos usuários desde o modo
de especificar, projetar, parametrizar e manter os sistemas de supervisão,
controle e proteção.
Até mesmo a formação de uma base de dados
que pode ser simplificada a partir de uma padronização
dos sistemas de supervisão, controle e proteção
será submetida a mudanças simplificadoras. Jorge
explica que, quando se adota um sistema padrão seja
na subestação ou no centro de controle é
necessário ter uma base de dados que viabilize a criação
de telas demonstrativas do que está sendo supervisionado, que
as nomenclaturas sejam adequadas, e que, por exemplo, a corrente de
uma linha de transmissão ou de um transformador apareça
associada com a unidade correta. Esse tipo de ação,
por conta dessa norma, fica extremamente simplificado.
No topo da hierarquia operativa, o CNOS (Centro Nacional de Operação
do Sistema) recebe hoje informações de mais de 320 instalações
e nem sempre a base de dados é a mesma desde a usina
ou subestação até o Centro Nacional. Todas
essas bases de dados são grandes matrizes, onde só quem
conhecer a base de dados profundamente teria facilidade de identificar
um determinado elemento. O proposto na IEC 61850 é um processo
mnemônico de denominação de cada informação
desde o processo elétrico até o nível que se
desejar na hierarquia operativa. A partir daí, o usuário
não tem a necessidade de conhecer cada elemento da matriz
o sistema digital saberá responder a informação
solicitada. Se a Norma IEC 61850 migrar para os centros de controle,
vamos ter um único trabalho de base de dados propriamente dito,
finaliza Jorge. |
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