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Para os grandes consumidores a energia tornou-se não só
solução e insumo básico, mas também
gasto e um dos maiores. O que é feito então,
para que esses custos não sejam tão penosos ? Quais
as soluções encontradas por estas empresas para consumir
menos ?
De acordo com o diretor Executivo da Associação Brasileira
de Grandes Consumidores Industriais de Energia (Abrace), Paulo Ludmer,
estas empresas conseguem atingir melhores resultados tornando-se
livre ou autogeradoras - ou os dois.
Para o grande consumidor, qualquer 0,01% que possa ser reduzido
na conta final - por ter um processo produtivo mais eficiente ou
um sistema de conservação - já é muito
significativo. Os investimentos realizados são muitos e é
por isso que diversas empresas associadas quebram recordes mundiais
de eficiência, ressalta. Quando ocorre um racionamento,
por exemplo, cortamos o topo do que podemos. Os resultados
que esses cortes de energia trazem são diretamente proporcionais:
cortamos efetivamente a produção, diz.
Os 63 grupos industriais reunidos na Abrace consomem juntos mais
de 45% da energia elétrica industrial do país, o que
corresponde a mais de 20% do total. Entre eles estão gigantes
como produtores químicos e petroquímicos, de aço,
não-ferrosos, cimento, papel e celulose, vidro, gases industriais
e outros.
Chamados de grupos energointensivos, eles participam ativamente
do desenvolvimento econômico e social brasileiro e, por depender
exclusivamente da eletricidade e dos demais insumos térmicos
para garantir a produção, são figuras importantes
também no desenvolvimento do próprio setor energético
brasileiro.
Do ponto de vista de automação, o ideal para as associadas
da Abrace, segundo Ludmer, é investir no seu próprio
negócio, na tecnologia do seu processo. O problema
é que elas não fazem isso o tanto quanto gostariam.
Por causa da incerteza, da tributação e encargos,
entre outros, elas são obrigadas a fazer investimentos defensivos
em autogeração, diz. O setor de alumínio,
papel e celulose e as centrais petroquímicas, por exemplo,
são setores campeões da autoprodução.
Mais de dois terços das associadas da Abrace são autogeradoras.
Juntas, elas estão participando da construção
de mais de 6 mil MW, com o objetivo de reduzirem a vulnerabilidade
da competitividade no que diz respeito aos custos da energia, e
de não tornarem-se reféns de um possível racionamento,
como em 2001.
Para tornar-se livre uma empresa precisa consumir mais de 3 MW de
potência e estar ligada em redes de tensões iguais
ou superiores a 69 mil volts. Tornando-se livres, elas podem
evitar algumas despesas com comercializadores e distribuidores e
buscar energia direto na alta tensão, o que equivale a 230
mil volts ou mais, explica Ludmer.
Sendo livre, a empresa também pode flexibilizar contratos
de compra, adquirindo energia de um ou mais geradores, obtendo condições
contratuais mais flexíveis e que permitem uma aquisição
de energia mais compatível com seus processos industriais
e necessidade.
De acordo com o diretor da Abrace, o mercado livre hoje no Brasil
corresponde a 12% do total, mas o mercado potencialmente livre pode
chegar a 35% sem contar a autogeração. Na Europa,
por exemplo, os consumidores livres, recebem o nome de elegíveis
e já são quase 100%. No Brasil, os elegíveis
estão restritos porque as distribuidoras pressionaram o governo
no sentido de conter essa migração da condição
de cativo. Porém, a tendência mundial é que,
nos países com economias mais maduras e desenvolvidas, o
número de elegíveis cresça, diz.
Uma outra providência é gerar uma parte do que
se precisa para se defender da alta dos preços e também
de eventuais faltas de energia, conta Ludmer. Para fazer um
investimento em autogeração, ou seja, uma usina geradora,
a empresa precisa de capital intensivo - o que ela já tem
pela própria natureza de suas plantas produtivas. Com a autogeração
estas empresas passam a ter então dois capitais intensivos
para remunerar com a venda e a margem de lucro do seu produto. Ou
seja, elas dobram a responsabilidade do produto, que passa a ser
obrigado a remunerar dois investimentos intensivos, explica
Ludmer.
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| De quanto é a perda?
Preocupados com os constantes desligamentos sofridos ao longo de
2004, a Abrace e seus associados realizaram um criterioso levantamento
em 18 empresas, com 28 unidades industriais, da quantidade de interrupções,
perdas de produção e perdas financeiras decorrentes
dessas paralisações.
Segundo o levantamento, foram registradas por essas companhias 663
interrupções que ocasionaram um prejuízo de
R$ 55 milhões (decorrentes das 91 mil toneladas que deixaram
de ser produzidas). As principais causas dos desligamentos segundo
a pesquisa são as falhas operacionais, oscilações
de tensão, queimadas, vandalismo e variação
de freqüência. Desligamentos freqüentes ou mesmo
variações de tensão em fração
de segundos trazem prejuízos significativos para a indústria
brasileira, podendo acarretar interrupções no processo
produtivo, que implicam em perda de eficiência da indústria
brasileira, com reflexos econômicos negativos extensivos à
população.
Entre as propostas da Abrace estão: a criação
de um comitê, formado por técnicos da Aneel, concessionárias
e consumidores para apontar e acompanhar, anualmente, antes do reajuste/revisão
tarifária de cada concessionária, investimentos que
visem a melhoria do desempenho das redes de distribuição;
realizar mensalmente análise de falha criteriosa de todos
os desligamentos sofridos pela indústria que interfiram ou
não no padrão de continuidade; e certificar, até
dezembro de 2006, toda a mão-de-obra empregada na operação
de sistemas elétricos de distribuição nas indústrias
e nas concessionárias.
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