Revista Controle & Instrumentação – Edição nº 103 – Abril de 2005
Retrospectiva Abinee Tec
Abinee Tec: espaço para discussões

Sob o tema “Desenvolvimento Sustentável” a abertura oficial do Fórum Abinee Tec 2005, reuniu em São Paulo, importantes personalidades, tanto do Governo quanto do setor produtivo brasileiro. O Fórum, que marcou mais uma vez o início da 23ª edição da Fiee e da 3ª electronicAmericas, contou com o discurso de abertura do presidente da Abinee, Ruy de Salles Cunha, que aproveitou o momento para fazer um amplo panorama do setor. “O evento acontece num momento de grande atividade. Encerramos 2004 com crescimento nominal de 28%, atingindo o faturamento de R$ 82 bilhões, que representa 4,6% do PIB nacional. A expectativa é crescer 20% em 2005”, enfatizou.

Dando seqüência à abertura dos eventos, o ministro da Ciência e Tecnologia Eduardo Campos salientou o desenvolvimento de novos centros digitais. “Nosso objetivo é criar aqui no Brasil quatro Centros Digitais e oferecer a formação de recursos humanos em software não só através de recursos tradicionais como CNPq e o Capes, mas também através de programas transversais de fundos setoriais”, destacou.
De acordo com o ministro, em 2004 o Governo conseguiu que 68% de recursos dos Fundos Setoriais fossem designados para os programas da política industrial tecnológica de comércio exterior e, neste ano, esses recursos foram fechados em 72%, sendo que R$ 49 milhões foram focados em TI. O objetivo é incentivar e facilitar parcerias entre empresas e institutos de pesquisa.

Para o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, o momento é oportuno para pensar no futuro. “É importante pensar que este encontro - com uma programação tão ampla – deve criar uma agenda positiva. Daqui devem sair propostas efetivas, que possam alavancar o desenvolvimento industrial brasileiro, principalmente sugestões na área de tecnologia, que preparem sementes para o futuro”, ressaltou. Segundo ele, “se a nossa obrigação hoje é conseguir resultado, ela não pode e não deve impedir que tenhamos também um sistema de plantio voltado para o futuro”.

Durante seu discurso na abertura oficial do Fórum, Furlan ressaltou ainda as ações desenvolvidas pelo Governo com o objetivo de ampliar a competitividade das indústrias eletroeletrônicas. “Estamos fazendo um grande esforço de atração de investimentos”, afirmou. Mas, segundo o próprio ministro, a tentativa de atrair novos investimentos esbarra na falta de escala do mercado brasileiro e no excesso de impostos. “Não faz sentido num país como o nosso, carente de investimentos e de geração de empregos, o tributo dos investimentos”, disse.

Linhas de financiamento como o Modermaq, podem dar um alento ao setor, principalmente, às médias empresas, que hoje estão investindo em tecnologia e também olhando para o exterior.

Furlan também lembrou do Programa PC Conectado, que tinha previsão de lançamento para o final de 2004. “Primeiro houve uma discussão em torno da questão do software livre ou proprietário e depois, por questões de desconto tributário, o Programa foi retardado. Esperamos que seja lançado em breve e colocado em prática”, disse. Desta forma, o ministro condenou a não aceitação do software proprietário. Segundo ele, é estranho que um país que hoje avança consideravelmente na produção de software, com um universo extraordinário de pequenas, médias e grandes empresas, possa discriminar o software proprietário. “É claro que um programa como o PC Conectado deve privilegiar o software livre, mas a minha visão é muito prática. Nós temos que pensar que a propriedade intelectual é um bem para o Brasil. Nós já somos e seremos cada vez mais importantes produtores de softwares e, portanto, não faz sentido ser contra software proprietário”, enfatizou.
Outro destaque foi o estabelecimento de dois mil Telecentros de Treinamentos para pequenas empresas. “Queremos chegar a seis mil. Há projetos de Telecentros onde inclusão digital significa inclusão social. Não há empregabilidade no século XXI sem inclusão digital”, disse o ministro do Desenvolvimento.

Furlan lembrou ainda a necessidade de maior mobilização a favor da aprovação de bons projetos que tramitam pela Câmara e destacou o crescimento das importações. “Ele continua muito vigoroso, principalmente na área de componentes. Por esses motivos é que tornou-se uma das prioridades da política industrial”.

Eduardo Campos: “Objetivo é criar quatro Centros Digitais no Brasil”
Também presente na abertura do Fórum, o governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, fez questão de ressaltar o compromisso de São Paulo com o setor. “Queremos consolidar aqui uma plataforma de tecnologia mundial lançando o programa “São Paulo Competitivo”. Entre as prioridades deste, estão questões como infra-estrutura, logística e recursos humanos.

Entre os planos do Governo está o de aumentar em 65% a capacidade de acesso ao Porto de Santos, com a nova pista da Imigrantes; além de um novo corredor de importação/exportação: Campinas / São José dos Campos / Porto de São Sebastião, com a duplicação da Rodovia dos Tamoios.

Na parte de recursos humanos, o governador lembrou que foram criadas na USP, Unesp e Unicamp cerca de 5.222 vagas nos últimos três anos. Ressaltou ainda a ampliação das Fatecs - Faculdades de Tecnologia – curso superior e das ETES. “Dentro do nosso compromisso com a inovação tecnológica, a Fapesp investirá em 2005 cerca de R$ 482 milhões – 1% da receita corrente líquida do Estado - e estamos trabalhando para que esse investimento seja o maior possível na área de tecnologia”, enfatizou.

Alckmin também explicou que já tinha encaminhado à Assembléia Legislativa o projeto de lei para inclusão da CTEEP (Companhia Transmissora de Energia Elétrica de São Paulo) no programa estadual de desestatização. Depois disso, o processo de venda pode começar de fato, com edital de licitação e leilão. “Não temos outra alternativa a não ser colocar a CTEEP dentro da Cesp para manter a geradora. Com isso, privatizamos a CTEEP e capitalizamos a Cesp. Encaminhamos também ao Ministério da Fazenda um pleito para participação nesta capitalização ou um prolongamento da dívida”, explicou.

Alckmin fechou seu discurso dizendo que o setor eletroeletrônico é fundamental para o país e está na ponta da inovação tecnológica. “A Abinee é o fio condutor da modernidade”, concluiu.

Participaram ainda da abertura oficial do Fórum AbineeTec o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Bernard Appy, representando o ministro Antônio Palocci; o deputado federal, Júlio Semeghini, representando o presidente da Câmara dos Deputados; o secretário-executivo do Ministério das Comunicações, Paulo de Tarso Lustosa da Costa, representando o ministro Eunício de Oliveira; os presidentes da Alcantara Machado, José Rafael Guagliardi, e da Areva T&D, Philippe Guillemot; o primeiro vice-presidente da Abinee, Nelson Ninin, entre outras autoridades.

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