Revista Controle & Instrumentação – Edição nº 104 – Maio de 2005
Cover Page III
Projeto piloto com tecnologia wireless desponta na Recap
Engenheiro Luís José Cavadas, da Petrobras: Projeto piloto implantado na Recap busca mobilidade e eficiência

A Petrobras começa a implantar a tecnologia wireless em seus sistemas de instrumentação para as áreas de transferência e estocagem. O primeiro projeto, ainda em fase piloto, está sendo implantado nos dutos que ligam a Refinaria de Capuava ao Terminal de São Caetano, na região metropolitana de São Paulo.

“Hoje a “onda” é estar desplugado, não da Internet, mas dos fios. É possível você acessar a Internet via um PDA – Personal Dist Assistent” (computador de bolso), explica o engenheiro Luís José Cavadas, responsável pela Área de Automação da Transferência e Estocagem da Recap.

É justamente em projetos que envolvem grandes distâncias ou grandes áreas de aplicação – como terminais de tancagem ou centrais petroquímicas – que reside o grande potencial para adoção da instrumentação wireless.

A concepção do Sistema Piloto de Informação e Identificação de Dutos – SPIID nasceu há quatro anos, quando um grupo na Recap propôs um Plano de Automação para a área de Transferência e Estocagem que fosse viável técnica e economicamente. “Percebemos que onde a transferência de estocagem atua mais é na questão da abertura e fechamento de válvulas, ou seja, cerca de 90% do serviço dos operadores. Então começamos a olhar isso primeiro pelo lado técnico”.

Os desafios técnicos começavam com os pequenos atuadores – para válvulas de pequeno diâmetro, que ficam mais caros na proporção da redução do tamanho, pela precisão da fabricação. Outro problema era a confiabilidade de motores para os atuadores elétricos, que pudessem passar seis meses parados, mas que funcionassem quando solicitados.

“Quando fomos para o problema econômico, percebemos quanto custa implantar uma infra-estrutura onde não existe nada”, comenta Luís Cavadas.
Além disso, seria necessário montar pequenas subestações para alimentar os atuadores. “Chegamos à conclusão de que, para implantar um atuador elétrico na área de Transferência de Estocagem, o investimento estaria em torno de R$ 50 mil, sendo que o preço do atuador responde por cerca de 20 a 30% desse valor, e o restante seria em infra-estrutura. Foi aí que surgiu a história da mobilidade”.

A primeira solução encontrada – mas logo abandonada – foi utilizar o código de barras – já existia uma iniciativa na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), no Paraná, que não chegou a ser aplicada.

Como saída, os engenheiros partiram para o uso do Transponder – que consegue armazenar dados. “Esta solução começou a nos abrir um leque de possibilidades que começamos a estudar. Imaginamos que poderíamos colocar um Transponder numa válvula e ter todas as informações dela, inclusive da parte de manutenção - quem atuou, data e horário, quem foi o operador, se o status atual é aberta ou fechada, entre outros”.

O objetivo é identificar as válvulas e através do sistema wireless (PDAs, via rádio) informar sua situação, gravar no Transponder e enviar os dados para o SDCD. “Nós tínhamos todo o Projeto Conceitual”.

Este “Projeto Conceitual” foi então apresentado ao Produt - Programa Tecnológico de Dutos, criado pela Petrobras em 1998, com a finalidade de disponibilizar e desenvolver tecnologias para seu sistema dutoviário. Depois é só aguardar. Se aprovado, é o Produt quem libera a verba para a concretização do projeto. Como se trata de um programa tecnológico de pesquisa, esta verba é coordenada pelo Cenpes. A Transpetro entrou como um parceiro, principalmente na parte de implementação.

Como grande parte da equipe envolvida com o projeto morava em São Paulo, foi criado um Núcleo Pesquisa na Recap. “Ele é um “embrião” para desenvolvermos tecnologias wireless”. Otimista, Cavadas imagina que, com a probabilidade de no futuro não existir mais sala de controle, ela passaria a ser o PDA do operador. “A informação está centralizada, mas as pessoas não precisam estar centralizadas”, completa.

Já com a verba, a equipe começa a colocar em prática tudo o que foi proposto, a trazer para a realidade o projeto. A equipe já recebeu um carro, que contará com um Tablet com capacidade de memória de massa, que servirá como um console de teto, sem conexão física. “É como se o operador tivesse um SDCD ‘móvel’, dentro do carro”, explica o engenheiro. De acordo com o grupo, esse é um projeto pioneiro no mundo e já está em depósito de patente.


© Valete Editora Técnica Comercial Ltda. – São Paulo, SP