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A Petrobras começa a implantar a tecnologia wireless em
seus sistemas de instrumentação para as áreas
de transferência e estocagem. O primeiro projeto, ainda em
fase piloto, está sendo implantado nos dutos que ligam a
Refinaria de Capuava ao Terminal de São Caetano, na região
metropolitana de São Paulo.
Hoje a onda é estar desplugado, não
da Internet, mas dos fios. É possível você acessar
a Internet via um PDA Personal Dist Assistent (computador
de bolso), explica o engenheiro Luís José Cavadas,
responsável pela Área de Automação da
Transferência e Estocagem da Recap.
É justamente em projetos que envolvem grandes distâncias
ou grandes áreas de aplicação como terminais
de tancagem ou centrais petroquímicas que reside o
grande potencial para adoção da instrumentação
wireless.
A concepção do Sistema Piloto de Informação
e Identificação de Dutos SPIID nasceu há
quatro anos, quando um grupo na Recap propôs um Plano de Automação
para a área de Transferência e Estocagem que fosse
viável técnica e economicamente. Percebemos
que onde a transferência de estocagem atua mais é na
questão da abertura e fechamento de válvulas, ou seja,
cerca de 90% do serviço dos operadores. Então começamos
a olhar isso primeiro pelo lado técnico.
Os desafios técnicos começavam com os pequenos atuadores
para válvulas de pequeno diâmetro, que ficam
mais caros na proporção da redução do
tamanho, pela precisão da fabricação. Outro
problema era a confiabilidade de motores para os atuadores elétricos,
que pudessem passar seis meses parados, mas que funcionassem quando
solicitados.
Quando fomos para o problema econômico, percebemos quanto
custa implantar uma infra-estrutura onde não existe nada,
comenta Luís Cavadas.
Além disso, seria necessário montar pequenas subestações
para alimentar os atuadores. Chegamos à conclusão
de que, para implantar um atuador elétrico na área
de Transferência de Estocagem, o investimento estaria em torno
de R$ 50 mil, sendo que o preço do atuador responde por cerca
de 20 a 30% desse valor, e o restante seria em infra-estrutura.
Foi aí que surgiu a história da mobilidade.
A primeira solução encontrada mas logo abandonada
foi utilizar o código de barras já existia
uma iniciativa na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar),
no Paraná, que não chegou a ser aplicada.
Como saída, os engenheiros partiram para o uso do Transponder
que consegue armazenar dados. Esta solução
começou a nos abrir um leque de possibilidades que começamos
a estudar. Imaginamos que poderíamos colocar um Transponder
numa válvula e ter todas as informações dela,
inclusive da parte de manutenção - quem atuou, data
e horário, quem foi o operador, se o status atual é
aberta ou fechada, entre outros.
O objetivo é identificar as válvulas e através
do sistema wireless (PDAs, via rádio) informar sua situação,
gravar no Transponder e enviar os dados para o SDCD. Nós
tínhamos todo o Projeto Conceitual.
Este Projeto Conceitual foi então apresentado
ao Produt - Programa Tecnológico de Dutos, criado pela Petrobras
em 1998, com a finalidade de disponibilizar e desenvolver tecnologias
para seu sistema dutoviário. Depois é só aguardar.
Se aprovado, é o Produt quem libera a verba para a concretização
do projeto. Como se trata de um programa tecnológico de pesquisa,
esta verba é coordenada pelo Cenpes. A Transpetro entrou
como um parceiro, principalmente na parte de implementação.
Como grande parte da equipe envolvida com o projeto morava em São
Paulo, foi criado um Núcleo Pesquisa na Recap. Ele
é um embrião para desenvolvermos tecnologias
wireless. Otimista, Cavadas imagina que, com a probabilidade
de no futuro não existir mais sala de controle, ela passaria
a ser o PDA do operador. A informação está
centralizada, mas as pessoas não precisam estar centralizadas,
completa.
Já com a verba, a equipe começa a colocar em prática
tudo o que foi proposto, a trazer para a realidade o projeto. A
equipe já recebeu um carro, que contará com um Tablet
com capacidade de memória de massa, que servirá como
um console de teto, sem conexão física. É
como se o operador tivesse um SDCD móvel, dentro
do carro, explica o engenheiro. De acordo com o grupo, esse
é um projeto pioneiro no mundo e já está em
depósito de patente.
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