|
Há décadas empresas e grupos industriais vêm
desenvolvendo e aprimorando normas para projetar, construir e manter
sistemas instrumentados de segurança, de forma a garantir
que as variáveis estejam dentro de limites considerados seguros
para a operação da unidade. E é preciso conceituar
adequadamente os vários termos usados em segurança
industrial... Veja no quadro nesta página.
Em 1996, a ISA publicou uma norma para guiar a classificação
de Sistemas Instrumentados de Segurança SIS para indústrias
de processo dos EUA a norma ANSI/ISA-S84.01, que introduziu
o conceito de Nível de Integridade de Segurança
SIL.
A IEC publicou a norma IEC 61508 (Functional safety of electrical
/ electronic / programmable electronic safety-related systems
general requirements) para quantificação do grau de
disponibilidade em sistemas elétricos. As duas normas sugerem
metodologias para a definição do SIL requerido pelo
sistema de segurança que se traduz no nível
de robustez a ser implementado para minimizar os riscos do processo.
As normas IEC e ISA recomendam que as aplicações de
controle e segurança devem rodar em equipamentos totalmente
independentes porque, por exemplo, sistemas de controle (SDCD ou
PLC) dificilmente atingem SIL1 e os requisitos para os sistemas
de segurança são muito maiores que para os sistemas
de controle e por isso surgiram os PLC de segurança, certificados
por um órgão externo.Para atender a norma IEC, deve
haver independência entre a função de controle
e a função de segurança se essa função
de controle puder gerar uma demanda para a função
de segurança e é isso que geralmente impede
que elas possam compartilhar hardware. Mas já existe a busca
para integrar o SIS com os SDCD sem comprometer a independência
das funções de segurança.
IEC 61508 / IEC 61511, ISA-84.1...No refino, a Petrobras utiliza
a norma Petrobras N-2595, que poderia servir de exemplo para as
indústrias petroquímicas nacionais já que não
existe no país uma legislação que obrigue a
instalação de sistemas de desligamento de emergência...
A indústria de processo nacional utiliza, normalmente, a
IEC-61511 complementada por normas próprias que definam um
ou vários métodos de avaliação de risco
e alocação das funções de segurança,
bem como a determinação do SIL requerido, como faz
a Petrobras já que a N-2595 e a IEC-61511 não são
excludentes e sim complementares até porque a IEC,
sozinha, não dá conta do recado. A IEC é extensa
e está em inglês, enquanto a N-2595 procura tratar
o ciclo do SIS de forma objetiva, mas a N-2595 pode não ser
diretamente aplicável à outra empresa que não
a Petrobras porque a determinação do SIL requerido,
por exemplo, depende do risco tolerado pela empresa, e este pode
não ser igual ao da estatal.Segundo Mônica Santana,
supervisora de Engenharia de Aplicação de Sistemas
da Yokogawa, o SIS é composto por sensor, elemento executor
de lógica que pode ser um PLC de Segurança
e elemento final, com o objetivo de levar o processo a um
estado seguro quando condições pré-determinadas
forem violadas. Esses sistemas instrumentados de segurança
utilizam uma estrutura independente da instrumentação
de processo e do sistema de controle e, numa situação
de risco, ele atua para dar o shutdown a parada da planta
e o shutdown toma a decisão com base nos dados do processo.
Existe uma lógica para avaliar qual é a grandeza
da anormalidade e baseado nessa análise de conseqüências,
o shutdown pode vir até a promover o desligamento de todos
os sistemas, completa Estellito.
O conceito de Nível de Integridade de Segurança
SIL, introduzido pelas normas ISA 84.01 e IEC 61508-1, estabelece
uma ordem de grandeza para a redução do risco
ou o nível de robustez necessário a ser implementado
de forma a reduzir o risco do processo a níveis aceitáveis.
O SIL é um número que varia de 1 a 4 e quanto
maior o SIL mais crítico é processo.
Para a determinação do nível de segurança
exigido pelo processo, devem ser analisados basicamente a identificação
dos perigos envolvidos e a avaliação dos riscos de
cada perigo detectado. Podem ser aplicadas várias metodologias
PHA e Hazop para identificação dos riscos,
e Hazop Modificado, Conseqüências do acidente, Matriz
de Riscos, Gráfico de Riscos ou Análise Quantitativa
para identificação do nível de segurança
que deve ser alcançado. As normas sugerem algumas metodologias
para a definição do SIL a ser implementado pelo sistema
de segurança. Dos métodos disponíveis, alguns
são qualitativos e outros quantitativos ou semi-quantitativos.
O SIL adequado para o SIS é o que faz com que o risco inerente
do processo seja igual ou menor ao nível de risco aceitável
proporcionando assim a segurança necessária para a
operação da planta.
Todos os equipamentos que fazem parte do SIS (sensor, executor de
lógica e elemento final) são certificados para determinar
qual o nível de integridade de segurança SIL do sistema
e sua probabilidade de falha em demanda. O SIL da malha é
determinado pelo pela soma das probabilidades de falha em demanda
de cada um dos componentes da malha. O SIL é aplicado nos
equipamentos que são utilizados nos sistemas de instrumentação.
O critério é utilizado para analisar a confiabilidade
do equipamento tendo relação com as taxas de
tempo entre falhas.
De forma simplificada, podemos dizer que, para se implementar
uma solução SIL 3, cada componente da malha deve ter
uma probabilidade de falha em demanda compatível com SIL3. As
tecnologias disponíveis no mercado são bastante diferentes,
e por exemplo existem PLCs que necessitam de redundância para
implementar SIL3 enquanto outros conseguem alcançar o mesmo
nível de SIL em uma arquitetura simples, completa Mônica.
Os equipamentos de controle têm por objetivo controlar
o processo e têm como características a conexão
com redes digitais, facilidade de expansão, flexibilidade
nas alterações. Em contrapartida, os PLCs de segurança
têm por objetivo levar o processo a um estado seguro quando
condições pré-determinadas forem violadas,
e tem como características a limitação
de utilização de redes digitais, são críticos
para alterações, não devem ser expandidos quando
em funcionamento.
Vale lembrar que a principal preocupação das normas
é garantir a segurança ao máximo possível.
Mas um outro fator que não pode ser esquecido é a
disponibilidade da planta porque, quando se aumenta a disponibilidade,
na maioria das vezes, se diminui a segurança e vice versa.
Um bom projeto deve buscar a maior disponibilidade possível
semcomprometer o nível de segurança requerido ou seja,
um equipamento com certificação SIL3, por exemplo,
embora seguro, pode levar a planta para o shutdown mais vezes que
o necessário. E, claro, a qualidade da instalação
é fundamental para a segurança.
|