Revista Controle & Instrumentação – Edição nº 104 – Maio de 2005
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Gerenciamento de Alarmes:
Um grande passo a caminho da excelência operacional
Julio Takai: “A política e o sistema de gerenciamento de alarmes deveriam nascer junto com a fábrica”

Já bastante difundidas no exterior, as soluções para gerenciamento de alarmes começam a dar os primeiros passos no Brasil. As empresas estão se conscientizando, ainda que um pouco tarde, que vale a pena investir em um programa de gerenciamento de alarmes para assegurar uma operação segura e eficiente de suas plantas industriais.

O ideal é que os diversos aspectos relativos à implementação de uma estratégia de automação da planta sejam avaliados durante a fase de concepção do projeto. É a partir da análise dos riscos operacionais que deveriam ser estabelecidos os critérios de definição/atuação dos alarmes. “A política e o sistema de gerenciamento de alarmes deveriam nascer junto com a fábrica”, ressalta o gerente da área de Engenharia de Sistemas da Yokogawa, Julio Takai.

A análise de riscos é vital para se fazer o gerenciamento. “O alarme, na verdade, é um indicativo de problema para o qual você deve procurar alguma solução. Numa fábrica, ele existe porque espera-se uma ação do operador para a correção do problema”, diz.

O resultado da análise de risco pode ajudar na definição de como tratar alarmes de diferentes criticidades, e ainda a necessidade de emissão de mensagens de guia ao operador para tomada de ação.

O cenário atual do parque industrial brasileiro é o de que a maioria das plantas já está automatizada, possuindo algum tipo de sistema de controle, que, obviamente já está programado com vários tipos de alarmes. “Todos os sistemas supervisórios e SDCDs possuem alarmes. O que tipicamente acontece é que durante a fase de projeto não é feita uma associação e análise dos alarmes com os riscos operacionais, ou seja, aos alarmes não é dada a devida importância. Freqüentemente estas plantas foram levadas a utilizar-se do critério de se “implementar os mais diversos alarmes possíveis, e depois esperar que sejam otimizados”, conta. Eis aí mais um problema: o acúmulo de alarmes desnecessários (espúrios).

Com o excesso de alarmes em determinados períodos, o operador fica sobrecarregado, e com isso, pode deixar que um alarme realmente importante passe sem ser visto. Desta forma, muitas vezes, o problema só é percebido quando a planta se desvia perigosamente de sua operação normal.

O segredo segundo Júlio não está na quantidade de alarmes e sim na qualidade da informação que eles transmitem e na capacidade dos mesmos de orientar a ação do operador. Quando uma empresa remove um alarme espúrio, ela faz com que o operador fique focado apenas naqueles que têm importância, e para os quais se espera uma ação. “Quando o operador não tem como distinguir quais eventos realmente são importantes, e qual efetivamente é o problema, com certeza a empresa está perdendo dinheiro. Nesta condição, a planta poderá estar produzindo um produto fora de especificação ou ainda consumindo mais energia para produção do mesmo. Esta condição, pode levar a uma situação onde nenhuma ação corretiva ou preventiva é tomada para um cenário de risco operacional”, ressalta.

“Muitas vezes o software de gerenciamento de alarmes é visto como a solução para otimizar os alarmes da planta. Na realidade, o software de gerenciamento de alarmes é uma ferramentas de análise e diagnóstico para suportar um programa de gerenciamento de alarmes, o qual envolve diversas áreas da empresa. Num contexto mais amplo, o gerenciamento de alarmes deve ser parte de um programa de melhoria operacional contínua.”

Uma outra linha de trabalho é a implementação de alarmes inteligentes. Freqüentemente o alarme está ligado a uma variável só, como por exemplo, uma temperatura. Talvez a análise da variável temperatura de forma isolada não dê ao operador uma perspectiva do que realmente está acontecendo no processo.


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