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Recentemente a cidade de Buenos Aires, na Argentina, reuniu usuários
do Fieldbus Foundation de diversos países como Chile,
Bolívia e Colômbia. O objetivo: discutir as novidades,
questões a serem melhoradas, e possíveis soluções.
O gerente de Marketing e gerente de Engenharia de Aplicação
e Produtos de Campo da Yokogawa, Augusto Passos Pereira - que esteve
no encontro - avisa existem novidades em Fieldbus Foundation
tanto na parte de instrumentos, quanto de acessórios.
Há pelo menos 11 anos no mercado, este protocolo tão
conhecido na transmissão de dados de variáveis analógicas
conta com lançamentos na parte de derivadores, fontes, caixas
de derivação com proteção eletrônica,
cabos, entre outros.
No caso dos derivadores, por exemplo, dentro dos barramentos que
interligam os instrumentos, agora existe proteção
eletrônica para curto circuito, o que não existia.
Quando ocorria um curto circuito num instrumento, perdia-se
a comunicação de todo o barramento, conta Augusto.
Agora, o curto circuito de um instrumento não interfere nos
outros. Esse é o grande achado. A própria Petrobras
já padronizou todos os seus projetos, ressalta. Além
da Turck aqui no Brasil, a Sense já desenvolveu esse produto.
Ainda segundo Augusto, um outro grande foco é a segunda geração
do software de Foundation Fieldbus. Antes, na primeira geração
de instrumentos tínhamos opções com um ou dois
blocos. Agora a novidade é que os grandes players possuem
o que chamamos de Instanciação, ou Software Download,
que é o seguinte: você compra o instrumento com alguns
blocos, e se quiser colocar mais blocos funcionais de Fieldbus,
faz um download. Essa é uma grande novidade, conta.
No Brasil, a Instanciação já é oferecida
por empresas como Yokogawa e Smar . Em relação a Yokogawa,
a Refinaria Duque de Caxias (Reduc) da Petrobras vai ser a primeira
a utilizar a solução. Lá, eles estão
trocando as tecnologias antigas por novas soluções.
De acordo com a ARC cerca de 95% dos problemas em instalações
com o fieldbus acontecem na parte do campo, ou seja, aterramento,
mal contato, água, ligação mal feita, cabo
instalado errado, entre outros. Em muitos projetos onde aconteceram
problemas, pode-se verificar que as pessoas não seguiram
as boas práticas de engenharia, diz Augusto.
Ainda dentro das novidades estão os cabos. No início
não se dava muita importância. Hoje, sabe-se que o
problema, muitas vezes, pode estar na qualidade do cabo. Um cabo
que não atende as especificações da Norma Foundation
pode distorcer o sinal, ressalta Augusto.
A probabilidade de ocorrerem problemas com cabos em projetos com
barramentos pequenos é muito remota, mas, em barramentos
com mais de 500 metros isso pode acontecer com mais freqüência.
O limite de extensão total de um barramento e suas derivações
, para garantir um bom funcionamento, é de 1900 metros. Atualmente
as empresas estão lançando novos modelos de cabo.
Uma outra novidade é que a Westlock está trazendo
para o Brasil um atuador de válvula ON/OFF em Fieldbus. Isso
é uma novidade porque geralmente o acionamento deste tipo
de válvula era feito em Profibus DP, Devicenet e outros,
ressalta Augusto.
O que buscam os usuários?
O consultor e Chairman do Fieldbus Foundation End Users Group,
Ian Verhappen, em visita ao Brasil, lembrou que as empresas basicamente
implementam Fieldbus em novos projetos ou quando estão saindo
do pneumático.
De acordo com o chairman, entre as vantagens do Fieldbus estão:
primeiro, o tempo de comissionamento, que é bem menor. Quanto
menor o tempo de comissionamento, antes você começa
a produzir e com isso a planta entra em operação e
você começa a ganhar mais rápido, explica.
A segunda vantagem é o tempo gasto no projeto, na engenharia,
que é bem menor. E a terceira vantagem está relacionada
às informações de diagnósticos. Com
as informações de diagnóstico e utilizando
um software de gerenciamento de ativos você consegue mudar
o caráter da manutenção para uma manutenção
preditiva, baseada nos diagnósticos dos instrumentos e, com
isso, consegue economizar até 20 % dos custos relacionados
à manutenção, ressalta.
Segundo Verhappen, os treinamentos também são muito
importantes. Basicamente as pessoas que devem ser treinadas
são aquelas que fazem a montagem no campo, os engenheiros,
os operadores, o pessoal de manutenção, enfatiza.
Entre os pontos a serem melhorados está uma melhor integração,
entre o host e os equipamentos. Queremos uma melhor comunicação
entre o sistema de controle e o instrumento de campo. Estamos trabalhando
nisso. Para uma melhor integração a tecnologia deveria
ser plug and play, mas ainda existem alguns pontos que devem ser
melhor trabalhados, diz.
Hoje, segundo Verhappen, o que se está tentando fazer é
melhorar a qualidade da informação de diagnóstico.
Já existem planos para viabilizar o acesso a mais informações,
com qualidade diferente, como por exemplo, a possibilidade de levantar
gráficos. Isso porque o foco é melhorar as condições
de operação da planta, diz.
Uma coisa é certa, os usuários sabem que dentro de
cinco ou dez anos o Fieldbus estará muito mais divulgado,
muito mais popularizado.
Entre os anseios por avanço da tecnologia, está a
já comentada integração com o host; a utilização
de fieldbus em aplicações de segurança; a possibilidade
de utilização do HSE ser mais difundida e aumentar
a integração deste entre devices; e o de aumentar
a possibilidade de informações dentro do EDD. Atualmente
já existe um plano pra se estar conseguindo elaborar gráficos.
Hoje o EDD está totalmente em inglês. Um dos
requisitos é que ele seja passado para outras línguas,
entre elas, o chinês, conta o chairman.
Uma outra sugestão dos usuários é que o Fieldbus
forneça ferramentas que facilitem sua utilização.
Hoje a Foundation disponibiliza para download em seu site
um meeting gate para ajudar na especificação,
além de uma planilha onde é possível fazer
um comparativo entre as vantagens de se estar utilizando a tecnologia
Fieldbus e a de não estar utilizando, conclui.
Rede Ethernet avança para o chão-de-fábrica
Com mais de 13 milhões de nós instalados
em todos os tipos plantas, com um destaque para mais de 2,1
milhões de nós nas indústrias
de processo (sendo mais de 400 mil em Profibus PA), o protocolo
de comunicação Profibus também mostra sua disposição
em crescer. Ele abrange aplicações em todas as demandas
das indústrias, tanto em áreas com típico perfil
de manufatura (tancagens, armazéns de matérias-primas,
setores de engarrafamento / embalagem e armazéns de produtos
finais) quanto em áreas de processo (reatores, colunas de
destilação, digestores, laminadores, lingotamentos).
Também é importante ressaltarmos sua ampla disponibilidade
de dispositivos: inversores, instrumentação de campo,
remotas de I/O, relés de proteção de motor,
relés de média tensão, leitores de código
de barras/RFID, sistemas de I/O Fail-Safe, entre outros, de
mais de 1200 fabricantes diferentes, enfatiza Carlos Fernando
Albuquerque, da área de Process Automation - Pharmaceuticals,
Fine Chemicals, Glass and Food & Beverage Industries, da Siemens
do Brasil.
Segundo Albuquerque, o grande desafio hoje encontra-se na capacitação
dos instaladores, integradores e empresas de engenharia para o aproveitamento
total dos recursos e vantagens da rede Profibus nos projetos realizados
no Brasil.
O avanço da rede Ethernet para o chão de fábrica
também é uma tendência irreversível,
segundo Albuquerque, mas que precisa contemplar todas as funcionalidades
hoje existentes nas redes de campo desenvolvidas para a realidade
industrial, como a rede Profibus, para realmente agregar valor às
instalações industriais. O novo protocolo Profinet
tem exatamente este objetivo, sendo o meio pelo qual a Organização
Profibus conseguiu integrar a tecnologia Ethernet com as funcionalidades
da rede Profibus, de maneira gradual, para pavimentar o uso efetivo,
padronizado e eficiente do Ethernet no chão de fábrica,
explica.
Atualmente já estão disponíveis produtos e
sistemas Profinet para aplicações de Automação
de Manufatura e Motion Control (com funcionalidades Fail-Safe e
performance de comunicação abaixo de 1ms em modo determinístico)
em vários fornecedores do mercado. Já começamos
a identificar no Brasil os primeiros projetos a tomar partido desta
nova tecnologia totalmente compatível e integrada à
base instalada Profibus existente, diz.
A Siemens está buscando disseminar os conhecimentos necessários
sobre o Profinet para o mercado brasileiro, para acelerar a introdução
deste padrão no país. Assim que as funcionalidades
específicas da área de Automação de
Processo forem transportadas para o protocolo Profinet como
a segurança intrínseca, redundância de meio
físico, energização dos dispositivos via cabeamento
de rede e perfis de dispositivo, estaremos bastante próximos
do uso de um padrão de rede de campo baseado na tecnologia
Ethernet para todas as aplicações, ressalta
Albuquerque. Isso, segundo ele, vai gerar uma maior simplicidade
de projeto, instalação, comissionamento e manutenção
para as redes utilizadas na automação industrial,
o que deve ocorrer até o final desta década.
Sistemas Híbridos
O engenheiro da Siemens também enfatiza o quanto a aceitação
de Sistemas Hbridos é cada vez maior no mercado brasileiro
em diversos segmentos - química, alimentos, bebidas, mineração,
papel & celulose, cerâmica e siderurgia. Isso leva
a um aumento de demanda por projetos com esta tecnologia (só
no Brasil são quase 50 sistemas Simatic PCS 7, da Siemens,
nestes segmentos e mais de 3.500 no mundo), tanto por parte dos
clientes finais, quanto pelos integradores e OEMs de Processo.
Isto se justifica, segundo Albuquerque, pelas significativas vantagens
oferecidas pelas bases de dados única, modelagem física
de plantas, configuração orientada à objetos
e ambiente unificado de visualização e controle, com
o uso dos dispositivos em Profibus e Ethernet para a criação
de arquiteturas decentralizadas de Automação e Controle
envolvendo acionamentos, CCMs inteligentes, Instrumentação
e Energia (Baixa e Média Tensão), de forma integrada
dentro do conceito TIA - Totally Integrated Automation.
O Simatic PCS 7, base para a implantação de
arquiteturas TIA para plantas de processo, encontra-se agora na
versão 6.1, tendo como principais novidades as novas ferramentas
de gerenciamento de ativos integrais de planta (englobando as estações
de operação, redes Profibus/Ethernet, controladores,
sistema de I/O e dispositivos de campo inteligentes) e os Web
Clients para as estações de operação,
além do suporte integral aos sistemas operacionais Windows
XP / Windows 2003 Server, conclui o engenheiro.
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