Revista Controle & Instrumentação – Edição nº 106 – Julho de 2005
Artigos Técnicos
Ferramentas para ajustar a periodicidade de calibração
Celso Pinto SaraivaFundação CPqD, Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações, Campinas

Resumo

O estabelecimento de um Plano de Calibração otimizado não é uma atividade trivial e envolve algumas macroetapas:

- Identificação dos equipamentos e sistemas que irão fazer parte do Plano Mestre de calibração (cadastramento dos itens que deverão ser objeto de controle metrológico)
- Levantamento das tolerâncias dos processos ou das melhores capacidades de medição
- Determinação da periodicidade da confirmação metrológica a ser adotada
Em relação a esta última, é interessante destacar que diversas normas estabelecem que os equipamentos cujas medições afetam a qualidade do produto devem ser calibrados a intervalos adequados, não ficando muito claro o conceito de “adequado”. Com o auxilio da Norma MILSTD- 45662 A, é possível extrapolar uma definição para referido conceito e estabelecer um enfoque estatístico para a determinação da periodicidade de calibração ótima para um dado item de Teste e Medição.
Nos últimos anos, muitos métodos e modelos estatísticos foram publicados e sugeridos para a determinação de ciclos de calibração, mas a experiência tem mostrado que o emprego de diversos destes métodos podem ser prática ou economicamente inviáveis.

O objetivo deste trabalho é abordar a fundamentação estatística básica que relaciona teoria da confiabilidade e periodicidade de calibração, enumerando alguns modelos para o estabelecimento e controle destes ciclos.

São necessários os transmissores de temperatura?
Marcus Lauria,Especialista em Aplicações, Endress+Hauser Controle e Automação
Os CLP’s e SDCD’s têm uma variedade de tipos de entrada maior a cada dia, incluindo entradas para termopar e RTD’s. Essa maior flexibilidade traz uma pergunta: são necessários os transmissores de temperatura? Esse artigo pretende discutir esta matéria, abordando os casos em que o uso desses transmissores é recomendável.
Normas NBR ISO 9001:2000 e ISO 10002:2004 - Gestão da Qualidade – Satisfação do Cliente – Diretrizes para o Tratamento de Reclamações em Organizações
Katia Krasnikovicius CrespoIPT, São Paulo, Brasil, kacrespo@ipt.br
Resumo

Este artigo mostrará em que medida é possível utilizar os registros de reclamação para melhoria na prestação de serviços dos laboratórios do IPT, além de fornecer conceitos básicos para o gerenciamento de reclamações nas organizações.

Palavras chave: satisfação do cliente; tratamento de reclamação; fidelidade do cliente; reclamação; cliente.
Método de estimativa de incerteza por blocos analíticos
André Luiz Gonçalves Scabbia
IPT- Centro Tecnológico do Ambiente Construído
José Gabriel Vicente
IPT- Laboratório de Veículos e Componentes
Resumo

Este estudo visa estimar a incerteza dos ensaio dos Laboratórios de Segurança ao Fogo e Veículos e Componentes do IPT, tendo como premissa os conceitos do ISO GUM e a Versão brasileira do Documento de referência EA-4/02 – Expressão da Incerteza de Medição na Calibração, sendo este fruto do Grupo de Cálculo de Incerteza em ensaios do IPT, Sub-Grupo Aquisição de Dados. Este grupo (Aquisição de dados) propôs um trabalho em três fases: 1) definição e abrangência da Aquisição de dados no IPT; 2) Estudo dos Sistemas aplicados nas áreas do Laboratório de Segurança ao Fogo (DEC-LSF) e Laboratório de Veículos e Componentes (DITT/LVC); 3) Estimativa de Incerteza nos dois laboratórios. Fase 1, os equipamentos adotados como padrão apresentam como composição básica, um sensor um módulo de processamento e um IHM - Interface Homem Máquina. Fase 2, os sistemas de aquisição de dados apresentam como composição mínima, um módulo de processo analógico, um transdutor e um conversor. o presente estudo definiu o conversor A/D como o maior gerador de incertezas. Fase 3, Recorrendo, novamente, aos conceito matemáticos pode-se adotar as premissas de Barstsch (1993), que definiu que no processo de amostragem o erro gerado pode ser estimado por meio da seguinte equação:

n
S (xi - y)2 ni    (1)
i = 1
Experiência do IPT em Estimativa da
Incerteza em Ensaios
João Marcos de Almeida Bispo
IPT - Laboratório de Materiais de Referência Inorgânicos
Silvia Giacobbe
IPT - Laboratório de Concreto
Cláudia Yuri Mizuta
IPT - Setor de Gestão da Qualidade
André Luiz Gonçalves Scabbia
IPT - Laboratório de Segurança ao Fogo
José Gabriel Vicente
IPT - Laboratório de Veículos e Componentes
Atualmente, a norma NBR ISO/IEC 17025:2001 é uma referência mundial aos laboratórios de ensaio e de calibração, contemplando requisitos técnicos e gerenciais. A estimativa da incerteza de medição é um requisito técnico desta norma, e requer que o laboratório estabeleça sistemáticas para o seu cálculo.

A estimativa da incerteza praticada nos serviços de calibração, realizados no IPT, já está bem estabelecida, no entanto, o cálculo de incertezas para área de ensaios ainda representa um desafio, seja pela falta de parâmetros comparativos ou pela singularidade do ensaio executado, sendo que muitas vezes a principal variável é a repetitividade e poucos conhecem a melhor maneira de identificá-la.

Devido à necessidade dos laboratórios em determinar a incerteza de seus ensaios, o IPT vem elaborando cursos com instrutores internos desde 2001, ministrados pelo engenheiro Walter Link, e externos desde novembro de 2002, por especialistas como Paulo R. G. Couto a funcionários de diversas áreas do instituto.

Após estes cursos e a partir da iniciativa de seus participantes, formou-se o Grupo de Cálculo de Incerteza em Ensaios do IPT com o intuito de manter o “foco” no assunto tratado.

Ao longo de 2003 foram realizadas sete reuniões onde foram apresentados casos de cálculo de incerteza em ensaios, elaborados internamente no IPT e realizadas posteriormente discussões sobre a sua execução que ao final geravam propostas de melhoria na estimativa, sendo que, em algumas reuniões foram convidados especialistas em cálculo de incerteza para auxiliarem no esclarecimento das ferramentas estatísticas ou para compartilhar a experiência em seus laboratórios.

Em 2004 mudou-se a estratégia de ação e foram criados seis grupos de trabalho para o desenvolvimento de cálculos de incerteza sobre temas específicos.

Neste trabalho serão apresentados o planejamento deste grupo, as dificuldades encontradas, as vantagens observadas e os resultados alcançados após dois anos de atividades.
A solução definitiva para a sua medição no ar
Pedro E. Cohn
IME – Engenharia de Aplicação
Quando o assunto é o teor de um produto tóxico no ar ambiente, lembramo-nos em primeiro lugar da tabela 1 do anexo 11 da NR 15 do Ministério do Trabalho, “Agentes químicos cuja insalubridade é caracterizada por limite de tolerância e inspeção no local de trabalho” lista os principais agentes químicos, e estabelece limites de tolerância.
As bases científicas da metrologia e vice-versa
Giorgio Moscati Inmetro, USP e Vice-presidente do Comitê Internacional de Pesos e Medidas - CIPM
Introdução

Neste trabalho pretendemos mostrar como a metrologia tem suas bases fundamentadas no estado atual da Ciência. Para isto, consideraremos os fundamentos científicos utilizados para estabelecer as definições das Unidades de Base do Sistema Internacional de Unidades SI, sua realização, validação, manutenção e disseminação.
Procuraremos mostrar a importância de se ter sempre em mente as bases científicas das mensurações a serem realizadas na prática metrológica, bem como as limitações e incertezas dos conhecimentos científicos envolvidos e suas conseqüências. Finalmente, pretendemos mostrar que a Ciência utiliza amplamente os instrumentos da metrologia para o estabelecimento dos conhecimentos investigados tanto nas atividades experimentais, que em grande parte envolvem resultados quantitativos de experimentos, quanto na criação, desenvolvimento e verificação de teorias e modelos científicos. Podemos mesmo dizer que a Metrologia é um instrumento fundamental para validar modelos e teorias. Enfim, pretendemos mostrar que Ciência e Metrologia são atividades distintas que se complementam e não podem prescindir uma da outra no mundo contemporâneo. A Metrologia atual tem sido considerada como situada na fronteira entre Ciência e Tecnologia [1].
O Brasil quebrando as barreiras tecnológicas com a inovação – Transmissores de Pressão
César Cassiolato
Gerente de Produtos – Smar Equipamentos Ind. Ltda
Introdução

Este artigo mostra alguns detalhes dos transmissores da série LD300 da Smar.

Esta série disponibiliza ao usuários recursos nas três principais tecnologias: HART/4-20mA(LD301), Foundation Fieldbus(LD302) e Profibus-PA(LD303).

Esta família de transmissores de pressão desenvolvida no Brasil, em Sertãozinho-SP, possui o seu princípio de medição baseado na célula capacitiva. São sensores altamente confiáveis utilizados em várias aplicações e nos mais diversos segmentos, como por exemplo, na marinha norte-americana (que padronizou transmissores Smar em seus porta-aviões, onde em testes de robustez e confiabilidade, o transmissor brasileiro teve excelente desempenho), na plataforma marítima de prospecção de gás Troll, na Petrobras, PEMEX, PDVSA, etc.
Termômetro digital programável para termopares de platina na faixa de 0°C A 1100°C
Slavolhub G. Petkovic, Klaus N. Quelhas, Paulo Roberto F. SantosInmetro, Duque de Caxias, Brasil
Antônio Rafael S. Antunes, Paulo Pércio M. Magro, Vinícius NunesPresys Instrumentos e Sistemas Ltda, São Paulo, Brasil
Resumo

Termômetros digitais programáveis para termoresistências existem no mercado há vários anos. Entretanto, quando os sensores são termopares, as memórias eletrônicas normalmente são gravadas com valores de referência, não permitindo a inserção de novos coeficientes.

Uma vez calibrado, o termômetro programável possibilita ao usuário realizar medições em unidade de temperatura, sem a necessidade de se aplicar correções nos valores lidos.

Para programar um termômetro digital simultaneamente com seu respectivo termopar, em uma ampla faixa de temperatura, é necessário que o indicador apresente uma boa linearidade nas medições de tensão elétrica, que o sensor seja estável e suas forças eletromotrizes estejam próximas da função de referência. Tais características garantem que as contribuições das incertezas da equação ajustada e da estabilidade do sensor sejam baixas, justificando a calibração do indicador em conjunto com o termopar.

Como os termopares de metais básicos normalmente apresentam desvios elevados e irregulares para suas tabelas de referência, na faixa de 0°C a 1100°C, inicialmente, a empresa Presys desenvolveu o termômetro digital programável apenas para termopares de platina.

O Inmetro calibrou um desses termômetros em conjunto com um termopar tipo S, pelo método dos pontos fixos, e encontrou incertezas da ordem de ±0,3°C (k=2) – incerteza típica para um termopar de platina, calibrado por pontos fixos no Inmetro, na faixa de 0°C a 1100°C.

A metodologia de calibração, os padrões e instrumentos empregados, os resultados e as características de desempenho são discutidos neste trabalho.
Conectando laboratórios de calibração e ensaios com seus clientes na indústria
M.Sc. Charles R. Stempniak, Sc. Wagner R. Landgraf, M.Sc. Leonardo Costa de Paula
AUTOMA Consultoria & Informática Ltda, Curitiba-PR, Brasil
Resumo

A parceria entre indústrias e laboratórios que fazem metrologia é cada vez mais evidente. A qualidade e, conseqüentemente, o marketing que envolve os setores produtivos dependem mais intensamente da qualidade das medições, que vão resultar em produtos melhores para os clientes finais. Para assegurar a confiabilidade e a rastreabilidade dessas medições, o sistema metrológico está organizado internacionalmente e fundamenta-se nas medições que são realizadas em todo o mundo, cujos resultados são propagados a partir dos padrões primários internacionais até a ponta da cadeia de medições que se encerra nos produtos oferecidos ao mercado consumidor.

O custo da metrologia não é pequeno, mas pode ser otimizado através do emprego de informatização. O ponto tratado neste trabalho é melhoria no processo de troca de informações e serviços entre laboratórios (de um nível para o outro na cadeia de rastreabilidade) e, principalmente, entre os laboratórios e as indústrias, ou mesmo apenas no espaço das organizações. A Tecnologia da Informação apresenta ferramentas bastante eficientes para isso, destacam-se o uso da Internet para a comunicação de documentos em meio eletrônico, bem como para uma troca de informações mais abrangentes envolvendo a prestação de serviços. Serão apresentados aqui algumas modalidades de soluções dessa informatização, comentários sobre as principais tecnologias disponíveis e seus potenciais resultados.
Metrologia: Uma Proposta para Gerenciamento da Rotina
Sovenir Tomasi
WEG
Introdução

Gerenciamento da Rotina, segundo definição Falconi (1994, p.19) “as ações e verificações diárias conduzidas para que cada pessoa possa assumir as responsabilidades no cumprimento das obrigações conferidas a cada indivíduo e a cada organização”.

A necessidade pela busca da competitividade nacional e internacional tem exigido em todos os mercados o aumento da qualidade dos seus produtos e serviços prestados.
Nos dias de hoje é impossível pensar em qualidade sem lembrar em metrologia. As medições fazem parte da vida de todos e, fica difícil viver sem elas, pois a maioria dos produtos consumidos é medida de alguma forma. Para tanto, é de fundamental importância que as empresas tenham um sistema de gerenciamento de instrumentos de medição, garantindo com isso confiabilidade nas medições e em conseqüência, melhor qualidade dos produtos.
Ensaio de tração à temperatura ambiente: diretrizes para a implementação da incerteza de medição
Luiz Roberto Oliveira da SilvaCentro Federal de Educação Tecnológica do Rio de Janeiro
A aplicação do conceito de incerteza de medição já vem ocorrendo a um bom tempo nos laboratórios de calibração brasileiros, tendo como referência vários guias elaborados para tal finalidade no qual destacamos a Terceira Edição Brasileira do ISO GUM [1], revisada e publicada pelo INMETRO e a ABNT em agosto de 2003. Já no caso dos laboratórios de ensaios a estimativa da incerteza de medição é recente, estimulada pelo INMETRO através da norma nº NIT-DICLA-033 [2] com a finalidade de atender a política de transição para a norma ISO/IEC 17025 [3].

Considerando a importância da estimativa da incerteza de medição em ensaios e as dificuldades encontradas nas diversas áreas da metrologia para a sua implementação, o objetivo deste trabalho é o de apresentar uma proposta para a sua estimativa tomando por base os ensaios de tração à temperatura ambiente, pelo fato de ser o referido ensaio de ampla utilização na determinação de importantes características mecânicas em materiais metálicos, tendo em vista que a última edição da norma NBR ISO 6892 [4], de novembro de 2002 referente a este ensaio, que substituiu a norma NBR 6152:1992, chama a atenção para a necessidade da estimativa da incerteza de medição das propriedades mecânicas medidas neste ensaio, sem contudo definir de maneira objetiva uma metodologia para esta estimativa.

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