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Em meio a dez mil pontos de pressão e temperatura a serem
medidos, erros de montagem podem colocar a segurança do instrumento,
do operador, e até mesmo da planta, em risco. Isso sem falar
em problemas de análise e controle quando a ligação
errada de algum sensor fornece uma informação irreal.
A falta de conhecimento teórico na medição
básica de variáveis do controle de processos
como pressão e temperatura colocam uma enorme dificuldade
de operação.
Saber o funcionamento de um transmissor deve ser conhecimento
básico. A aplicação desse instrumento passa
pelos vários princípios de medição de
temperatura ou pressão, explica o técnico de
manutenção da Transpetro, Reginaldo de Mattos Onofre.
Entre manômetros, termômetros e transmissores, a escolha
deve ser feita levando sempre em conta as premissas de funcionamento
do instrumento e das variáveis a serem medidas. E existem
vários princípios para medir as variáveis,
ressalta Reginaldo.
É o caso da medição de pressão: o técnico
precisa conhecer os conceitos de pressão estática
(quando o produto líquido ou gás está pressurizado
em estado estacionário), pressão dinâmica (quando
a pressão varia com o movimento do fluido), e pressão
diferencial (a diferença das pressões de entrada e
saída de um fluído em um tanque ou duto). Com
isso ele terá subsídio suficiente para entender o
tipo de transmissor de pressão mais adequado para a aplicação.
O coração do transmissor está no
sensor que informa a grandeza elétrica em milivoltagem,
freqüência, capacitância, ou indutância.
É nesse ponto em que a pressão deve ser medida
seja ele um transmissor capacitivo, piezo resistivo ou de silício
ressonante.
A primeira geração, lançada em 1970,
dos sensores trouxe a tecnologia do sensor capacitivo, que informa
somente a pressão diferencial ou a manométrica. Da
mesma forma, a segunda geração, do piezo resistivo
também fornece pressão diferencial. Estamos na terceira
geração, que é a dos sensores de silício
ressonante, que fornecem mais de uma informação: a
pressão diferencial e a pressão estática,
explica o gerente de Engenharia de Aplicações de Produtos
de Campo e de Marketing da Yokogawa, Augusto Pereira.
O conceito da célula capacitiva possibilita, por meio da
aplicação de pressão a diafragmas sensores,
a obtenção de uma variação da capacitância
entre os diafragmas sensores e um diafragma central. A variação
de capacitância gera uma variação de freqüência
em um circuito oscilador que será medida diretamente pela
CPU do equipamento e convertida em pressão. Este processo
não utiliza conversões A/Ds, o que, segundo o gerente
de produtos da Smar, César Cassiolato, garante uma melhor
exatidão e estabilidade e não sofre com as derivas
térmicas inerentes às conversões analógicas
/ digitais.
Entre 70% e 80% das operações confiáveis de
medição de pressão envolvem sensor capacitivo.
A grande vantagem do instrumento, completa o gerente da Smar, é
a resposta em função de temperatura e das próprias
condições do processo. Os sensores capacitivos
são muito confiáveis, estão no mercado há
muitos anos e ganharam melhorias com o avanço tecnológico,
proporcionando respostas lineares e insensíveis a variações
de temperatura, sendo indicados em instrumentação
e controle de processos desde as aplicações mais simples
à mais exigentes, já que possuem excelentes performance.
A aplicação das células capacitivas na construção
de transmissores de pressão aumentou a precisão e
as faixas de medição. A primeira tentativa de substituir
os sensores capacitivos por sensores piezo resistivos barrou em
fatores como repetibilidade e resistência mecânica.
Uma segunda onda de mudanças aconteceu com a tecnologia dos
semicondutores e sensores fabricados a partir de silício
ressonante, conferindo maior estabilidade e precisão para
os transmissores. Um sensor de silício ressonante de terceira
geração é fabricado por micro-usinagem tridimensional
onde se escava uma depressão, onde são depositadas
e removidas camadas de silício com diferentes dopantes formando
uma estrutura tridimensional. Um sensor de pressão é
formado por dois ressonadores de silício encapsulados a vácuo.
Um campo magnético permanente é aplicado e quando
uma corrente é aplicada, os ressonadores oscilam, fazendo
o sensor entrar em ressonância. Na ausência de uma ressonância
aplicada, a freqüência dos ressonadores é de 90kHz.
Quando em operação, o sinal pode ser lido por um microprocessador.
Os sensores que se baseiam nessa tecnologia, explica Augusto Pereira,
têm maior precisão e estabilidade porque a grandeza
física em função da pressão é
a freqüência e um instrumento eletrônico mede freqüência
com mais facilidade pois elimina intermediações. Outra
vantagem é a possibilidade de fabricação de
sensores muito pequenos, graças as característica
da sílica e da forma de encapsulamento. Soma-se a isso a
possibilidade de medição em sentidos opostos e a medição
de pressão diferencial, pressão estática e
temperatura simultâneos.
A Yokogawa lançou, em 1990, o silício ressonante.
E os outros fabricantes estão pesquisando células
que não sejam capacitivas e num futuro que creio próximo
deverão também lançar esta tecnologia,
comenta Augusto Pereira.
Também não deve ser deixada de lado a calibração
de todo esse conjunto sensor e placa eletrônica
até aqui nenhum segredo: um equipamento denominado maleta
de calibração vai fornecer a pressão
para o sensor.
Mas a calibração pode ser feita pelo próprio
usuário em um ensaio interno ou por um laboratório
certificado pela Rede Brasileira de Calibração
que nesse caso vai gerar o Relatório de Calibração
exigido pela Norma ISO 9000.
A empresa pode fazer essa calibração em seu
próprio laboratório, desde que com equipamentos rastreados
pela RBC. E ela própria pode gerar esse Relatório
de Calibração, mencionando o instrumento utilizado,
período de calibração e grau de exatidão.
E o instrumento terá um selo da RBC, conta Augusto
Pereira.
Temperatura
Temperatura é uma variável mais simples de ser medida
e com isso as classificações dos sensores são
menos complexos do que em outras variáveis. Os mais utilizados
são o termopar e a termorresistencia as variações
ficam por conta dos tipos de materiais e bitolas de fios utilizados
dependendo do range de temperatura.
O termopar é um sensor formado por dois fios diferentes,
que geram uma milivoltagem. Nele é acoplado um transmissor.
O instrumento pode ter um display que indica a temperatura e um
sinal de saída, explica Reginaldo.
Trata-se de um efeito bem conhecido da física: se dois fios
metálicos de composição distinta são
soldados nas extremidades, e uma das junções é
mantida a temperatura superior à outra, circulará
corrente elétrica entre essas junções. Para
diferentes combinações de metais e diferentes temperaturas,
a diferença de potencial entre essas junções
será também diferente.
A seleção de metais para os termopares é normalmente
feita com base nas condições de aplicação.
Ligas metálicas com base em Ferro, Níquel, Cromo podem
ser usadas a temperaturas moderadas para temperaturas superiores,
são necessários termopares à base de platina.
Já a termorresistência possui uma resistência
formada por um fio de platina que varia de amperagem conforme
a mudança da temperatura. Na termorresistência, um
metal tem sua resistividade elétrica modificada com a temperatura.
Esse tipo pode ter um tempo de resposta mais lento que o termopar,
mas oferece vantagens como estabilidade e pequena susceptibilidade
à contaminações.
Não existe um tipo de termômetro mais avançado.
Existem características que podem determinar o uso em um
ou outro processo, conta o engenheiro, exemplificando que
a termorresistência possui um grau de precisão mais
apurado e um preço hoje em dia bem próximo
ao dos termopares. Ás vezes, a variável que
vai ser medida não demanda uma precisão tão
grande, então o técnico pode instalar um termopar,
que é suficiente.
Mas há casos em que a temperatura de uma determinada reação
como ocorre na indústria farmacêutica
exige uma exatidão de 0,5%. Um termopar tem uma boa
exatidão, mas não nesse nível. Talvez vale
instalar uma termorresistência, um pouco mais cara , mas com
exatidão muito melhor.
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