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Em 1961, quando foram criados os Institutos de Pesos e Medidas
IPEMs, poucos diriam que o Brasil precisava de mais. Já
em 1973, o volume de medições com precisão
para a indústria mostrava que a metrologia era parte integrante
do dia a dia e levou a criação do Instituto Nacional
de Metrologia Inmetro, sem o qual seria impensável
a inserção brasileira em níveis internacionais
de qualidade. Do seu apoio a implantação das normas
ISO 9000 às pesquisas atuais sobre próteses médicas,
o Inmetro é a base para a certeza da medição.
O Parque Tecnológico de Xerém (PTX), no Rio de Janeiro,
busca suportar as empresas em alta tecnologia em metrologia com
infra-estrutura de laboratórios e pessoal altamente qualificado.
O Parque é um projeto estratégico do Inmetro e tem
como objetivo consolidar a missão do Instituto para promoção
da competitiva da indústria nacional.Em uma área de
420 mil m2, o Parque está sub-dividido em três segmentos,
dentro de uma área total de 2.100 mil m2, cortado por rios
e nascentes, com florestas preservadas, com 56 mil m2 em edificações
e 25 mil m2 em laboratórios, com infra-estrutura de apoio
à produção de tecnologias ligadas à
Metrologia e Qualidade Industrial.
O Inmetro é o responsável pela realização
e manutenção das unidades do Sistema Internacional
de unidades (SI), disseminando-as pelos diferentes e assegurando
a confiabilidade metrológica nos serviços básicos
de qualidade e de infra-estrutura para a competitividade, desenvolvendo
pesquisa em metrologia e ensaios, além de participar de programas
de comparação inter-laboratoriais em nível
nacional e internacional. Nos laboratórios, estão
abrigadas as áreas de Metrologia Mecânica, Elétrica,
Térmica, Óptica, Química, Acústica e
Vibrações, mantidas sob condições especiais
de temperatura e umidade, com variações controladas
em operação ininterrupta, de forma a preservar as
condições ideais dos laboratórios. Algumas
edificações do Parque Tecnológico de Xerém
são aterradas para evitar trepidações.
O Inmetro tem estabelecido Acordos de Cooperação Técnica
com muitos organismos, de relevante importância no desenvolvimento
de Tecnologia Industrial Básica, dando ao Brasil a capacidade
de superar algumas barreiras técnicas às exportações.
O Inmetro possui acordo com o NIST (EUA), com o Comitê da
Federação Russa para Normalização, Metrologia
e Certificação (Gosstandart) e o PTB alemão
com este último, no mais alto nível de cooperação,
a horizontal nos campos científico e tecnológico.
O acordo com a BAM (Alemanha), desde setembro de 2002, permite desenvolver,
certificar e comercializar materiais de referência em parceria.
Além das atividades regulares, este acordo prevê ações
de capacitação mútua dos órgãos
em emissões veiculares. A parceria com a BAM deve dotar o
Inmetro de técnicas específicas para a análise
de contaminantes orgânicos e inorgânicos, possibilitando
ao instituto brasileiro tornar-se referência em Metrologia
Química no Brasil para diversas medições. Segundo
o diretor de metrologia científica e industrial do Inmetro,
Professor Dr. Humberto Brandi, essa parceria é estratégica,
já que a metrologia química se mostra como referência
para questões relativas a Barreiras Técnicas, seja
no tocante à etiquetagem, rotulagem, ensaios nos campos da
saúde, da agricultura e do meio ambiente.
E como na macropolítica nacional o estímulo às
exportações está entre as prioridades, o Inmetro
lançou em julho um edital para a construção
de um laboratório em Metrologia Química, avaliado
em R$ 65 milhões. No novo prédio da Química
teremos um laboratório grande... este e outros laboratórios
estão em fase de definições e são estratégicos
de acordo com a política industrial do país,
lembra o diretor Brandi. Estão na fase do edital de
licitação do projeto executivo. O que queremos para
estes novos laboratórios e os já existentes é
dar competitividade à indústria. Queremos colocar
essas áreas no mesmo nível de seus pares internacionais.
Além do novo laboratório em metrologia química,
o Inmetro está construindo um laboratório em Metrologia
de Materiais e Metrologia de Telecomunicações. A área
de vazão também está recebendo investimentos
só que o Inmetro não precisou se preocupar
com a parte de grandes vazões: a iniciativa privada e pioneira
da Conaut, com sua parceira Krohne, estão finalizando um
laboratório de calibração para grandes vazões
em São Paulo, e ofereceram uma participação
técnica ao Inmetro.
De fato, o Inmetro entrou em um ciclo de investimentos em pessoal
e equipamento. A área de química só existe
há três anos e a de materiais, há um ano e meio,
com 19 e 14 doutores, respectivamente. Todas essas pessoas estão
sendo incorporadas aos projetos através de um programa de
bolsas diferenciadas em conjunto com o CNPq onde o Inmetro repassa
recursos ao CNPq e gerencia o programa. Temos um projeto para
trazer para o Inmetro 200 doutores, entre 2004 e 2007. Até
agora, já foram trazidas 72 pessoas, e dessas, 48 são
doutores. Nosso objetivo é estabelecer um local de alto conhecimento
pronto para fazer pesquisa e inovação, afirmou
Dr. Humberto Brandi.
A nova área de Telecomunicações do Inmetro
envolve compatibilidade eletromagnética, radiações
não ionizantes, entre outras tecnologias. Segundo o Dr. Humberto
Brandi não é só o Brasil que está defasado
em metrologia nessa área tanto que ainda não
se sabe ao certo quais os efeitos de usar um celular, por exemplo.
A definição dos padrões não ionizantes
está em aberto no mundo inteiro, só existem normas
não obrigatórias.
A tarifação da telefonia brasileira é outro
exemplo, já que não é feita por tempo, mas
por pulso que varia de acordo com horários e lugares
e fazer a compatibilização disso é muito
difícil. Não há padrão. Para isso também
o laboratório do Inmetro será fundamental pois já
existe uma legislação e estabelecimento das normas
e procedimentos feitos pela Anatel.
A metrologia legal essa utilizada como referência de
cobranças e tarifas é apenas um dos aspectos
da metrologia. E se você quer cobrar um imposto, tem que ser
capaz de medir, como nos lembra o Dr. Humberto Brandi ao contar
uma história sobre a origem da metrologia fiscal,
que começou com a geometria, no Egito Antigo, quando Hamsés
resolveu dar a seus súditos terrenos iguais e dividiu uma
grande faixa em lotes quadrados, mais fácil de medir, e todos
pagariam o mesmo imposto. Só que o Nilo, nas cheias, mudava
o desenho de suas margens, alterando, assim, o tamanho dos terrenos.
Logo, foi preciso recalcular os terrenos para que os impostos fossem
cobrados corretamente. Com isso, criaram-se métodos geométricos
e métricos, que estão na origem da nossa metrologia.
A metrologia legal é apenas uma parte da metrologia, mas
a parte que garante o todo é a metrologia científica.
A metrologia é a ciência da medição com
o conhecimento das incertezas do meio. Uma medida sem o conhecimento
da incerteza é inútil. E é importante diminuir
a incerteza para que a vida se torne cada vez mais segura. E aumenta-se
a precisão fazendo pesquisa. A medição do segundo,
por exemplo, aumentou quando foi realizada uma pesquisa de armazenamento
e resfriamento do átomo área que rendeu seis
prêmios Nobel em oito anos. Um dos programas do Inmetro com
a COPPE estuda materiais no nível atômico, materiais
para próteses médicas e dentárias, sistemas
biocompatíveis onde se utiliza ligas de titânio. No
Brasil, não existe padrão para próteses e implantes
então o novo Laboratório de Materiais do Inmetro vai
estudar e criar ligas-padrão e doá-las ao mercado
brasileiro como referência.
Um exemplo bem sucedido das pesquisa do Inmetro é o padrão
da cachaça, estabelecido para que a tradicional bebida fosse
melhor aceita nos mercados externos o que de fato está
acontecendo. Os padrões, no caso, são realmente doados
quando são fruto de pesquisa exclusivamente do Inmetro; quando
a pesquisa envolve outros agentes, isso é estudado com os
parceiros. No caso de materiais-padrão com dureza específica,
projeto desenvolvido com a PUC e a Mitutoyo, a colocação
no mercado foi feita por venda onde um terço do valor arrecadado
ficou com o Inmetro. Mas quando se trata de padrão desenvolvido
para aumentar a competitividade do país, como foi o caso
da cachaça, ele é doado.
O Inmetro gera, com os serviços medições,
calibrações, ensaios, etc prestados a terceiros,
recursos que praticamente cobririam suas despesas mas essa receita
vai para o Tesouro, que os repassa de volta de acordo com as normas.
Uma outra parte dos recursos vem dos projetos ou seja, de fundos
setoriais e de parceiros privados ou públicos incluída
também a mão-de-obra.
No meio acadêmico, tem-se discutido ultimamente a colocação
de doutores no mercado de trabalho privado e a pretensão
do Inmetro de incluir 200 desses profissionais em seu quadro não
chegou sequer a repercutir. Segundo Dr Humberto Brandi, o Brasil
forma cerca de 8 mil doutores por ano, uma parte substancial nas
áreas humana e social. Mas na área científica
existe uma defasagem em relação à demanda.
Somente 10% dos cursos de pós graduação são
de engenharia. Um bom exemplo é o déficit de professores
de física: enquanto a demanda é de 50 mil por ano,
formam-se apenas 700. Mas, segundo o diretor do Inmetro, um doutor
em engenharia tem emprego certo, o que já não é
tão fácil para um doutor em física, e isso
se complica ainda mais nas áreas de humanas.
O Brasil tem um bom projeto de formação de mão-de-obra
ainda que com distorções de concentração
entre as áreas biológicas, exatas e humanas
mas falta ao desenvolvimento industrial brasileiro a absorção
de engenheiros... 85% dos doutores continuam na universidade. Se
olharmos países com desenvolvimento forte e crescente, acontece
exatamente o contrário porque as indústrias estão
envolvidas com pesquisa e inovação. E o Inmetro pode
fazer o papel de mediador entre a academia e a indústria
através dos diversos programas em andamento.
Vale lembrar que a iniciativa privada investe pouco em pesquisa,
no mundo todo. O MIT, expoente da pesquisa aplicada, tem cerca de
17% do seus recursos vindos da iniciativa privada; Harvard, apenas
3%. Então o papel do governo é fundamental. Não
há possibilidade da pesquisa fundamental ser toda feita pela
iniciativa privada. Ao menos áreas estratégicas têm
que ter a presença do Governo porque é uma coisa cara
e sem datas. O objetivo de uma pesquisa na universidade é
sua publicação, a divulgação do conhecimento,
o reconhecimento dos pares; o objetivo das pesquisas privadas é
gerar produtos que gerem lucros em sigilo e isso só
acontece dentro de prazos estipulados. O conhecimento gerado nas
universidades faz parte do acervo global, que é a base para
o desenvolvimento e para a tecnologia.
Conhecimento e tecnologia são bases para manter a qualidade
da indústria. Para manter a qualidade do Inmetro, é
preciso que estejamos sempre em contato com sangue novo... Por isso
criamos o Centro Internacional para Capacitação em
Metrologia fazendo com que, através de diversos programas,
as universidades e seus jovens pesquisadores estejam em contato
com o Inmetro. A gente precisa fazer isso de uma maneira orgânica!
E aí, quando se fala em jovem não estamos medindo
a idade, mas o frescor da formação acadêmica
e seu comprometimento com a busca contínua da excelência,
finaliza Dr. Humberto Brandi.
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