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A Sabesp investe, por ano, quase 100 milhões de reais em controle
de perdas, em todas as suas áreas, seja em equipamento para redução
de pressão, em hidrômetros ou treinamento. Segundo o gerente do
departamento de controle do abastecimento, Amauri Pollachi, na Macro
Medição existe um programa de investimento de cerca de 25 milhões
para os próximos cinco anos. Grande parte dessa verba será investida
na adequação de pontos de medição com aquisição e instalação de
medidores com tecnologia mais avançada, e detecção de perdas por
métodos não invasivos e com o aprimoramento do parque de instrumentação
para calibração. Toda a especificação e as licitações serão feitas
na unidade de Pinheiros, em São Paulo (SP).
“Temos completa aderência à metodologia proposta pela IWA – International
Water Association ou seja, fazer distinção entre perdas aparentes
— por falha de medição, ligações não autorizadas, erros comerciais
— e perdas reais — vazamentos. Todo nosso trabalho atual e futuro
está com os olhos voltados para indicadores de nível internacional,
muito mais qualitativos”, comentou Amauri. Na Sabesp, até que as
alterações sejam implantadas, as avaliações de índice de perdas
são feitas pelo percentual de água perdida, de água não faturada,
não medida, não contabilizada.
Os novos indicadores serão mais qualitativos, algo como litros por
quilometro de rede , ou litros por número de ligações existentes.
A Sabesp é pioneira na implantação dessa filosofia no Brasil, a
empresa é benchmark na área de saneamento e em controle de perdas,
no país. A Sabesp, no continente americano, é uma das mais avançadas
porque não existe uma preocupação com controle de perdas nos EUA
e lá o consumo per capita é muito alto. Em São Paulo, o consumo
per capita de água tratada,está em torno de 150 litros por habitante/dia.
Nos EUA, em algumas regiões, esse valor é 4 vezes superior: um bom
exemplo são as cidades de Phoenix no Arizona, plantada no deserto,
com consumo per capita de 600 l/h/d; e Dallas, no Texas, também
numa região mais seca, o consumo chega a 800 l/h/d.
O controle de perdas — foco de vários programas internacionais —
está muito ligado a questões ambientais e, consequentemente, é mais
intenso nos países comprometidos com o Protocolo de Kioto e o Desenvolvimento
Sustentável do planeta. Existem empresas privadas e públicas preocupadas
com controle de perdas em todo o mundo. Na Sabesp, o controle das
perdas vai começar com uma medição mais precisa nas próprias dependências
da empresa, na Macro Medição — seria improdutivo e custoso impor
outro tipo de medida sem assegurar os volumes internamente. Na Holanda
por exemplo, não existe micromedição como aqui, não existem hidrômetros;
a cobrança se dá por uma taxa em função do número de pessoas e da
área construída. “Lá existe preocupação com uso racional da água,e
como tudo, a água também é socializada. Micromedições em poços artesianos,
por aqui, só depois que o projeto de lei que tramita na Assembléia
de São Paulo seja aprovado e sancionado. Por enquanto, o controle
que se pode exercer é mesmo na MacroMedição”, completou Amauri.
E as entradas e saídas para MacroMedição, na Sabesp, têm pontos
muitos claros porque há a captação de água para tratamento, a produção
de água tratada, a adução – leva a água da adutora aos reservatórios
-, e a distribuição — do reservatório aos consumidores. As medições
acontecem em todos esses pontos, por departamentos diferentes com
os mesmos objetivos, o controle da operação e o controle da produção.
A Sabesp capta água bruta e trata. O volume muda no tratamento e
por evaporação, além do uso interno de cada unidade. O rendimento
das ETAs (Estações de Tratamento de Água) da Sabesp é muito bom,
quase não há perdas mesmo que a diferença de volume entre água bruta
que entra e água tratada que sai dependa da estação. Na unidade
do Guaraú, por exemplo, que produz mais da metade do sistema integrado
do estado de São Paulo, a produção é de cerca de 33m3/s, com perda
de menos de 1%. “Só se consegue isso com muito controle”, pontua
Rildo Tetsuo Inaoka, engenheiro da divisão de MacroMedição e Controle
de Perdas da Unidade de Negócio de Produção de Água da Metropolitana
da Sabesp
Segundo Tetsuo, uma ETA pode receber água limpinha para tratamento
mas podem acontecer perdas por processo, por exemplo na lavagem
de filtros de decantadores. Sem contar as perdas nas unidades em
que é baixo o percentual de recirculação da água utilizada — devolvendo-a
para tratamento. Nem todas as ETAs têm esse tipo de sistema porque,
se o processo de produção de água tratada é igual, independente
do tamanho — porque a qualidade da água tem que ser a mesma — o
design da estação, sua automação e topografia diferem muito. O rendimento
ideal seria 100% de aproveitamento mas as perdas realmente acontecem
e as medições servem para os cálculos dos índices dessa perda, na
produção. O maior índice de perda não é na adução (da ETA ao reservatório)
mas da saída do reservatório ao consumidor e, segundo a assessoria
de imprensa da Sabesp, o índice atual está em torno de 15% o que
não é alto comparado a índices de outros países e mesmo com resultados
anteriores da companhia.
A distribuição compara a MacroMedição com a soma dos hidrômetros
residenciais e industriais. Segundo Tetsuo, não se costuma calcular
a perda geral, da entrada no manancial direto ao consumidor, mas
da produção da ETA em diante, comparando água tratada com água tratada.
A MacroMedição cuida da produção da ETA até o reservatório e daí
cada unidade de negócio tem suas medições, com as distinções entre
perdas físicas e perdas comerciais cuja nova nomenclatura chama
de reais e aparentes. “A perda real é a de processo; a aparente
acontece pelas derivações clandestinas ou medidores imprecisos.
Na Macro, os medidores estão sendo trocados por outros de tecnologia
melhor. São cerca 500 pontos de MacroMedição só na Região Metropolitana
de São Paulo. Estamos trocando os antigos deprimogêneos (diferencial
de pressão) por eletromagnéticos de diversos diâmetros, desde 50’’
até 3.200 metros. Um bom exemplo é o de 2,5 m de diâmetros em Guarapiranga,
instalado em 2000 e calibrado na Holanda”, comenta Tetsuo.
A tecnologia para medidores de vazão de grandes diâmetros e sua
calibração vem do exterior mas já existem representantes brasileiros.
A Conaut, depois de firmar jointventure com a Krhone, fabrica e
calibra no Brasil. O problema dos medidores de grande porte — 600
milímetros pra cima —, é que o maior laboratório certificado pelo
INMETRO não atinge as vazões necessárias. O laboratório horizontal
de vazão da Conaut calibra até 600 milímetros pelas normas da Sabesp,
mais rígidas, sempre acompanhando as NBR ISO. Calibrar medidores
acima de 600 milímetros em território nacional, somente após a certificação
do novo laboratório de vazão vertical da Conaut — que deve ser inaugurado
em dois meses.
Os valores de compra e calibração para medidores acima de 500 milímetros
são muito altos, ainda. Por isso a Sabesp criou, em conjunto com
o IPT, uma outra metodologia, que permite a calibração do medidor
no campo. “Só tiramos para a bancada se o medidor estiver danificado,
caso contrário a gente calibra no local mesmo, garantindo a confiabilidade
do mesmo. Retirar requer uma parada que gera desabastecimento e
vários custos envolvidos, para isso, temos nossa metodologia de
calibração”.
Sobre as trocas dos medidores, Tetsuo só adianta que um medidor
pode até ser antigo mas se ele estiver dentro do programa periódico
de calibração, ele está confiável. Somente no caso de medidores
mecânicos como os hidrômetros, é preciso trocar com freqüência porque
há o desgaste de sua relojoaria. “Aí sim, existe norma com tempo
de uso ou volume medido”.
Na Sabesp, a calibração sempre foi feita por pitometria porque é
uma tecnologia que casou bem com as necessidades do setor de saneamento
porque, para medir onde não há medidor no local, pode-se instalar
um registro ( TAP ) e insere-se um Tubo de Pitot para medir por
diferencial de pressão comparando seu resultado com o medidor instalado.
“Os medidores são instalados dependendo da sua aplicação e o eletromagnético
é o único que por norma aceita transferência de custódia. Como a
Sabesp produz água tratada, distribuída para os reservatórios/população
e outros municípios, para custódia, o medidor utilizado é o eletromagnético.
Existem medidores mais baratos, com tecnologia até superior, mas
que não atendem a norma e, consequentemente, não podem ser utilizados
para medições fiscais”, comenta o engenheiro da Sabesp, lembrando
que o hidrômetro é usado até determinado porte porque se for muito
grande o desgaste e as trocas acontecerão mais vezes, gerando perda
de carga e atrapalhando a vazão nas substituições. Por isso, a Sabesp
só utiliza hidrômetros até 300 milímetros; depois disso são usados
os Venturi (deprimogêneos) em diversas configurações instalados
num corte da tubulação. “Tecnologicamente, os Venturi estão imediatamente
antes dos medidores eletromagnéticos mas introduzem perdas de carga.
Não colocamos mais esse tipo de medidor ainda que mantenhamos o
parque instalado calibrado. A maioria dos grandes medidores da Sabesp
ainda é Venturi mas estão em fase de troca para eletromagnéticos”,
comentou Tetsuo para quem a troca deve ser vista mais como uma melhora
das condições de vazão – para evitar perda de carga e manutenções
freqüentes — do que por problemas tecnológicos ou de aplicação..
Outro ganho da troca, segundo o engenheiro, é a precisão que aumenta
muito pois, nos Venturi é de 2% a 3%, enquanto que nos eletromagnéticos,
a precisão é de 0,5%.
A Sabesp está instalando medidores eletromagnéticos mas seus engenheiros
já estudam um modelo ainda mais preciso e menos invasivo, o ultrassônico.
E a equipe da Sabesp já tem uma idéia de aplicação para os dois
tipos: um deles é colocado externamente e acaba não sendo muito
preciso porque demanda de informações como a espessura e a composição
da parede do tubo, o que pode variar por causa das incrustrações
internas: a incerteza aumenta. Mas já existe um outro medidor ultrassônico,
onde o sensor fica em contato com a água através de uma inserção
mínima mas não está normatizado. Segundo Tetsuo, a equipe da Sabesp
já sabe experimentalmente que ele é tão preciso quanto o eletromagnético,
mais barato e fácil de instalar. “A relação custo benefício do ultrassônico,
para diâmetros superiores a 400 milímetros, compensa”, completa
Tetsuo que lembra que o grande desafio tecnológico para medição
é a busca pelo menor custo, pela facilidade de instalação e desinstalação,
calibração e sempre maior precisão. No caso, de medições de canais
abertos são aplicados medidores tipo calhas e vertedouros, onde
se utiliza um medidor de nível associado a uma fórmula para obter
a vazão.
Na Unidade de Produção de Água da Metropolitana, fica o controle
do sistema de água tratada onde a sala de controle recebe os dados
de todas as unidades produtoras na sala de telemetria, onde a medição
de vazão é só uma variável que chega com os dados de temperatura,
nível, aberturas de válvulas, status de bombas.... A transferência
para a CCO da Metropolitana é feita por linha privativa de telefone
mas cada ETA tem um sistema interno de coleta e envio de dados.
Tetsuo apresentou um trabalho na Fenasan – Feira Nacional de Materiais
e Equipamentos para Saneamento sobre como escolher o melhor medidor.
“Para escolher o melhor equipamento tem-se que levar em conta o
local de instalação, se é permanente ou provisório, qual a finalidade
da medição — e aí existem restrições legais se for para transferência
de custódia — e o nível de precisão requerido também”, resume o
engenheiro.
Durante sua palestra, Tetsuo lembrou que o medidor precisa ser corretamente
instalado para cumprir sua função, seu dimensionamento deve ser
verificado, sua faixa de operação e trechos retos a montante e a
jusante. “Não existe equipamento que trabalhe de qualquer jeito,
todos têm uma condição determinada”, finalizou.
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