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A origem da siderurgia perde-se no tempo, remontando aos primeiros
ensaios na manufatura de armas e implementos agrícolas. O século
XIX, com a revolução industrial e as ferrovias, deu o grande impulso
para que o setor começasse a se estruturar. Segundo Rudolf Bühler,
diretor técnico do IBS — Instituto Brasileiro de Siderurgia , o
aço é fator básico para o desenvolvimento de países e seu consumo
per capita é um dos principais indicadores econômicos estudados.
O consumo de aço depende de ciclos econômicos e a indústria siderúrgica
vem se modernizando cada vez mais para fazer frente a novos materiais.
O consumo de aço vem crescendo ano a ano e essa tendência não dá
sinais de enfraquecimento. No Brasil, existem vinte e quatro usinas
de aço, administradas por onze empresas, que faturam cerca de R$
51 bilhões, com capacidade instalada de 34 milhões de toneladas/ano
de aço bruto, o que coloca o país no oitavo lugar no ranking mundial
do setor.
Hoje, o minério de ferro, no Brasil, é abundante e de boa qualidade;
com disponibilidade de mão-de-obra e parque industrial atualizado
mas com continuidade do processo de reestruturação interno. O Brasil
é competitivo internacionalmente e apresenta baixos custos de produção,
crescente demanda interna e elevação das exportações de semi acabados
e ferro gusa.
Os principais desafios do setor são a competição com outros materiais,
o forte posicionamento da China no mercado internacional, as crescentes
restrições ambientais, um possível excesso de capacidade, a volatilidade
dos mercados — embora os preços estejam estáveis — e as sempre inovadoras
barreiras de comércio. E esses desafios entranham-se ainda mais
no mercado brasileiro a medida em que existe uma forte tendência
de internacionalização do setor com fusões e aquisições e mudanças
na geografia da produção e consumo do aço. Ou seja, é um setor em
expansão, com crescimento médio anual acima de 4% e um consumo aparente
projetado para 2010 de 1.230 mil t/ano. A alta utilização da capacidade
deve gerar aumento de produção pelo menos até 2008.
Segundo Mário Hermes Rezende — chefe de sistemas industriais da
Gerência de Tecnologia da Informação da Gerdau Açominas e diretor
da Divisão Técnica de Automação e Tecnologia da Informação da ABM
— as empresas da siderurgia brasileira procuram – e estão conseguindo
– acompanhar a evolução tecnológica da siderurgia mundial. Isto
pode ser constatado através dos investimentos realizados nos últimos
15 anos, tanto em melhorias quanto em expansão das plantas existentes,
bem como pelo sucesso na colocação dos produtos no mercado internacional.
Novas técnicas e tecnologias são incorporadas através da aquisição
de assistência técnica e novos processos, bem como pelo desenvolvimento
técnico dos especialistas brasileiros. “O IBS considera o parque
industrial siderúrgico atualizado frente ao mercado mundial”, comentou
Mario Hermes, acrescentando que isso pode não ser mensurável do
ponto de vista acadêmico devido ao tradicional grau de sigilo do
setor.
Esse segredo sobre ganhos por implantação de novas tecnologias foi
sentido pela analista de automação da Cosipa — Companhia Siderúrgica
Paulista, Luciene Coelho Lopez, quando da realização de um levantamento
sobre o uso de novas tecnologias pela indústria siderúrgica brasileira.
“A Cosipa tem como filosofia discutir e divulgar tecnologia, o que
não é regra no setor”, acrescentou Mário Hermes no IX Seminário
de Automação de Processos da ABM, realizado em Curitiba. Todos os
protocolos de comunicação são utilizados no setor siderúrgico, com
predominância de sistemas em 4 ~ 20 mA, tanto pela história quanto
pela segurança, mas os protocolos de comunicação digital apresentam
taxa de crescimento exponencial. A tendência atual ainda é a de
soluções híbridas na automação industrial e o uso de Ethernet é
muito próximo de 100% nas empresas siderúrgicas, tornou-se um padrão
de fato.
Já o wireless é muito forte em sistemas de aquisição de dados nos
processos de acabamento, movimentação e controle de estoque, com
crescimento da sua utilização na parte administrativa do negócio.
Equipamentos para monitoração nos sistemas de controle já são uma
realidade e demonstram uma tendência de crescimento. Os novos processos,
em função do alto índice de utilização de equipamentos digitais,
já estão utilizando o gerenciamento de ativos – que além do gerenciamento
físico dos ativos, busca ter o controle de quem acessa e utiliza
os recursos e com quais direitos; controle de versões e parametrizações
– identificando o quê, porquê, quem, quando e onde ocorreram as
alterações. Enfim, busca o controle do processo de gerenciamento
de mudanças com softwares e ferramentas pro ativas e preditivas,
maximizando o tempo dos especialistas e é “sonho de consumo” de
11 entre cada 10 empresas de qualquer setor.
Todas as empresas siderúrgicas, quando investem, contemplam grandes
orçamentos para automação e instrumentação pois, para as plantas
existentes, há um ganho potencial na introdução de tecnologia digital,
otimizando e racionalizando processos produtivos. Os novos processos
produtivos já são projetados com um alto índice de utilização de
Sistemas Digitalizados e com integração total desde os instrumentos
de campo até aos Sistemas de Gestão. Segundo Mário Hermes, quanto
à Tecnologia da Informação, todas as empresas fizeram e estão fazendo
investimentos significativos em Sistemas de Gestão (ERP) que suportam
as transações operacionais, em sistemas colaborativos e de inteligência
de negócio que apóiam e suportam a tomada de decisão dos gestores
em todos os processos de vendas, finanças, administrativos e cadeia
logística. Mas vale lembrar que o foco está no core business, assim,
o primeiro desafio será sempre o desenvolvimento de aços de melhor
qualidade e com o menor preço possível, produzido segundo as restrições
ambientais.
Planos setoriais existem para solucionar problemas de processos
externos – como o abastecimento de carvão – e as preocupações com
a produção, a qualidade, o meio ambiente e o setor de utilidades
– são resolvidos por cada empresa. Todas possuem setores dedicados
à gestão de energia e utilidades, com controle eficiente de demanda
e consumo junto às concessionárias e existe uma luta constante para
evitar desperdícios. A monitoração, o controle da demanda e os consumos
internos são dependentes da instrumentação e de sistemas de automação,
integrados e sincronizados, onde os gestores têm domínio completo
dos índices e indicadores de geração e consumo de energia e utilidades
nas empresas siderúrgicas.
As grandes novidades tecnológicas, segundo Mário Hermes, são, no
processo, a identificação e controle on-line de não-conformidades,
a busca contínua da redução de defeitos em cada etapa do processo,
a otimização com redução de custos e maximização de rendimentos.
Some-se a isso a pressão constante (não apenas no setor siderúrgico)
para reduzir o tempo de desenvolvimento, implantação, montagem e
testes de um novo processo/planta e a evolução constante das normas
e padrões internacionais possibilitando a interoperabilidade de
equipamentos nos sistemas de controle, como a IEC 6185.
Pelas projeções do IBS, a siderurgia brasileira vai continuar em
ascensão, ainda que com um ou outro imprevisto. Os investimentos
em automação industrial, em 2005, aumentaram em 20% em relação ao
ano anterior e, desde a privatização (1993), as siderúrgicas vêm
investindo, em média, US$ 50 milhões por ano em automação. Os objetivos
são, em geral, a redução da variabilidade dos processos, a estabilidade
operacional, segurança, menores custos, menor impacto ambiental.
No começo de 2005, o executivo da Gerdau apresentou um resumo dos
programas de ampliação das usinas, por ocasião da Abinetec, que
projetava investimentos de US$12 ,5 bilhões até 2010 apenas para
elevar a capacidade de produção do parque já existente, sem contar
com os novos projetos. Esses recursos seriam em sua maioria próprios
(52,7%) com captações interna e externa para o restante.
Segundo Mário Hermes, não existe segredo: para atender o setor,
é preciso vender solução, conhecer o dia a dia do cliente, praticar
a empatia e ter certificação de serviços e produtos.
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