| Revista Controle & Instrumentação
Edição nº 109 Outubro de 2005
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Cover Page
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| Melhores práticas
para bateladas |
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Segundo a S-88, batelada é um processo que conduz a produção de
quantidades determinadas através de inputs de materiais ordenados
e trabalhados por um determinado período de tempo, usando um ou
mais equipamentos. Óbvio! Mas se é tão claro assim, porque a norma
é o assunto do momento nas discussões sobre batches?
Produção em ordem, uma vez que o processo é repetitivo, vai-se gastar
tempo para reduzir custos, tratar do meio ambiente... Mas no processo
de bateladas o processo em si precisa estar sempre em observação
porque novas receitas sempre aparecem e, dessa forma, como determinar
se uma batelada está sendo feita corretamente, enquanto é feita?
Então, o negócio é garantir que a batelada seja bem feita de primeira!
Por isso o controle do processo na batelada é tão importante e a
S-88 faz tanto sucesso. Afinal, não existem modelos universais de
controle para batelada e a configuração dos sistemas é sempre difícil
– para usuários e engenheiros.
Em 1988, a ISA criou um grupo de estudos e, em1995 foi divulgada
sua primeira norma para controle de sistemas de batelada, a S-88
e, desde então, ela tem tomado o mercado. De fato, era necessário
unificar linguagem e modelos para batelada, de forma que ficasse
mais simples o uso das novas tecnologias, com sua tão alardeada
intercambiabilidade. Não estar preso a um único fornecedor era um
alívio desejado.
A S-88 possui, até agora, três partes. A primeira, define o que
é batelada e sua estrutura — projeto e operação dos sistemas (ANSI/ISA-S88.01)
—, a segunda voltada para linguagem, a codificação da estrutura
(ANSI/ISA-S88.02) e a terceira é sobre representação e receitas.
Até 2006 devem ser divulgadas orientações sobre embalagem e endereçamento
da produção.
O quadro que segue dá uma leve idéia do que se pode obter com o
uso da S-88, como e porquê:
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O quê
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Porque
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Como
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| Reduz o tempo para colocar novos
produtos |
Modelo modular torna mais fácil mudar
um ou todos os controles e receitas |
Código reutilizável Receitas modificáveis
e reutilizáveis
Controles flexíveis Revalidação simples ou desnecessária |
| Consegue maior rendimento do equipamento
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Melhora tudo |
Segmentação de processo Produção
mais flexível
Redução do tempo de ciclos Redução de perdas e retrabalho |
| Consegue mais das pessoas |
Torna mais fácil desenvolver receita
Receitas e processos mais organizados Terminologia comum Melhor
visibilidade do processo Melhor controle |
Desenvolvedores de receita não precisam
de profundo conhecimento de controle
Receitas e módulos reutilizáveis
Engenheiros não precisam de conhecimento profundo de cada receita
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| Maior coerência de processos e plantas |
Partilhamento de módulos e receitas |
Receitas podem ser usadas em diferentes
equipamentos e controles
Terminologia comum Menos dependência de tecnologias proprietárias |
| Mais fácil trabalhar com fornecedores
de tecnologia |
Partilhamento de metas e linguagem
Fácil integração de multi vendedores de solução |
Terminologia comum Melhoramentos
mais freqüentes Ajustes podem ser feitos durante o processo |
| Evita erros comuns |
A norma foi criada por experientes
engenheiros, consultores e provedores de tecnologia para bateladas |
Melhores práticas são construídas |
| Simplificação de desenvolvimento
de receitas |
Normatização e modularidade |
Pode ser percebido nas bases da formulação |
| Tracking melhor |
As bases da norma possibilitam ver
exceções com rapidez |
O histórico é construído por fases
e por receitas |
| Fácil manutenção |
Modularidade Normatização |
Células de trabalho podem ser isoladas
Reduz dependência de sistemas proprietários
Melhor código de controle |
| Torna a validação mais fácil |
É mais organizado e modular |
Reutilização de módulos validados
podem economizar tempo e dinheiro |
| Fonte:RoviSys Batch Control Systems |
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A norma define ainda uma hierarquização do gerenciamento
das receitas e da segmentação dos processos, separando os produtos
dos processos que os fabricam. A S-88 permite também a reutilização
e a flexibilidade do equipamento, gerando coordenação e integração
entre as diversas fontes e destinos da informação.
Mas não adianta procurar na prateleira: a S-88 não é um produto, é
um jeito de pensar, uma filosofia. Entendê-la vai facilitar melhores
desenhos para os produtos e processos de batelada. Vivenciá-la torna
mais fácil perceber as necessidades do cliente, elaborar melhores
receitas. E, para a S-88, receita é o conjunto de informações necessárias
que define de forma única os requisitos para a produção de um determinado
produto.
A receita pode ser um bom exemplo de como a norma se aprofunda para
tornar mais clara e utilizável a informação: a receita nos diz, então,
como combinar ingredientes usando equipamentos. Mas diferentes áreas
da empresa precisam de diferentes tipos de informação sobre o produto
e sua forma de produção. O grupo de pesquisa deve ficar interessado
nas propriedades do produto e no processo geral; um engenheiro gostaria
de saber dados sobre a performance dos equipamentos envolvidos; o
pessoal operacional quer saber quais e equipamentos estão disponíveis
para produzir receitas ao longo do tempo... Uma única receita tem
que ter toda essa informação, e muitas mais. Então, a S-88 define
quatro “caixas” de informação: a receita geral (1), que engloba a
matéria-prima, suas quantidades e requerimentos de processo, sem aprofundar;
o lugar da receita (2), que dá os detalhes necessários para uma escala
de produção; a receita master (3) que é dirigida a uma área determinada
contendo informações detalhadas do scheduling e dos requisitos dos
equipamentos - é a base para criar receitas individuais e sem este
máster, nenhuma batelada pode ser feita; o controle da receita (4),
que começa como uma cópia da receita e vai sendo modificado pelo tamanho
da batelada, as características das matérias-primas, equipamento utilizado
no momento... Cada batelada tem um controle de receita único e ainda
que dois controles de receita possam ser iguais em ingredientes, quantidades
e equipamentos, eles serão identificados separadamente.
Mas veja que muitas soluções de mercado estão mexendo nas receitas
no nível master. Engenheiros podem gerenciar esse nível mas ele não
deve ser tratado como um lugar que “precise de espaço”porque, quando
uma batelada está definida na linha de produção, a S-88 cria um controle
de receita na memória – a informação que vai ficar gravada até o final
do processo quando o controle é deletado mas os dados são arquivados,
a receita em si é preservada.
Ainda com foco na receita — e corroborando a característica de que
as bateladas possuem uma quantidade arrasadoramente maior de informações
e detalhes que os contínuos —, ela possui cinco categorias: comando,
requisitos de equipamento, fórmula, procedimento, e um mix – uma miscelânea
de instruções para o operador. Atentando para o procedimento — a estratégia
de conduzir a batelada —, outras informações saltam aos olhos: o procedimento
consiste em ordenar uma unidade procedural , que ordena a operação,
que ordena a batelada em si.
A ISA S-88 é equivalente a IEC 6151 e , juntas, as duas são as mais
divulgadas normas para controle de manufatura do mundo, definindo
modelos e terminologia, enfatizando as boas práticas. Mas é bom não
esquecer que a base para elas está num trabalho realizado pela universidade
de Purdue (USA, 1984) e na recomendação NAMUR NE 33 (1992). Essas
normas têm em sua origem uma forte influência da tecnologia de informação,
como na orientação a objetos. E não por acaso, durante as discussões
para elaboração da S-88, criou-se um subgrupo para normatizar a parte
de TI, que resultou na ISA S-95.
As operações de batelada sempre tiveram um pouco de tudo: controle
discreto, processo contínuo muitos ingredientes e significativa intervenção
do operador. Mesmo assim, a batelada sempre foi tratada como um filho
esquecido porque, se os processos discretos se utilizaram rapidamente
dos PLCs e os processos contínuos tinham os DCSs, a batelada sempre
teve que adaptar uma ou outra tecnologia.... Com a S-88, as bateladas
vão se beneficiando cada vez mais de ferramentas e normas feitas sob
medida. Resta, agora, o mercado vestir-se! |
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