AGOSTO DE 2000 – Edição nº 49 – Controle & Instrumentação
Cover Page
Integração das células:
o futuro da automação no setor sucroalcooleiro

Através de parceria com a Revista ALCOOLbrás, publicação técnica especializada no setor sucroalcooleiro, a Controle & Instrumentação traz um levantamento sobre a automação em algumas unidades produtoras de açúcar e álcool. Encontramos desde empresas onde já se fala em controle avançado e otimização de processo até empresas onde não existe nem o básico de automação. Na média, o setor encontra-se com muitas células automatizadas mas não integradas em um único sistema.
Um pouco diferente das demais indústrias de processo, onde a automação é um item agregado a projetos turn key, o setor sucroalcooleiro, em geral, figura como um setor que está conhecendo o que é a automação e os benefícios que ela pode proporcionar para o processo. Não é difícil encontrar em unidades produtoras, técnicos que possuem especialização em informática cuidando de equipamentos de instrumentação e da automação, embora, em outros tipos de indústrias, está acontecendo uma forte interação entre a automação e a informática.
Por outro lado, esse "atraso" nos investimentos em automação até que foi benéfica para as indústrias sucroalcooleiras do país. Isto porque em outros segmentos industriais, sem médias palavras, algumas empresas casaram com fornecedores. Pela avaliação do chefe de divisão central de tecnologia de utilidades do Centro de Tecnologia Copersucar de Piracicaba, engenheiro José Carlos Lourenço Mazzoco, há 20 anos na área de automação, as mudanças no que se refere ao domínio e ao uso mais intensivo de tecnologias de processo e de automação pode ser percebida significativamente na última década. Para exemplificar, Mazzoco faz um paralelo com outros setores industriais. "No caso das indústrias de papel e celulose, química e petroquímica foram importadas plantas inteiras, que vinham completas em termos de processo e de automação". Por esta razão, era comum encontrar nestes segmentos sistemas completos de controle que, segundo o engenheiro, passaram por sérios problemas quando as substituições por manutenção ou modificações começaram a ser necessárias. No início, muitos técnicos brasileiros mal sabiam como operar tais equipamentos de controle, quem dirá, saber o que está por trás de grande maioria das estratégias de controle.
No caso das usinas, principalmente na produção de álcool, cuja tecnologia de processo foi desenvolvida no Brasil, a experiência com equipamentos de controle foi bem diferente. "Foi criada a condição, ou o cenário, para responder perguntas do tipo: Porque determinados procedimentos? ou, antes disso, qual o melhor procedimento tendo em vista a automação? O objetivo era não cair no erro, muito comum por sinal, de automatizar a ineficiência".
Muitas usinas no país apresentam hoje setores com automação completa e algumas delas já estão caminhando a passos largos rumo à integração de todo o processo, desde a recepção de matéria prima até a estocagem dos produtos finais. Mazzoco acrescenta ainda que "é recomendável que haja certa organização ou metodologia para se chegar a bons resultados". Neste sentido, a Seção de Instrumentação e Controle do Centro de Tecnologia Copersucar desenvolve, junto com muitas de suas 35 unidades cooperadas, o chamado PDA - Plano Diretor de Automação - que cria condições para o questionamento adequado do processo antes de automatizar. "Não dá para automatizar sem pensarmos no processo e o PDA é baseado na aplicação de idéias clássicas, adotadas por muitas empresas em outros ramos industriais, mas que ao serem aplicadas aos processos de produção de açúcar, álcool e seus subprodutos, têm que levar em conta as características de uma planta agroindustrial. Por exemplo, ao adotarmos estratégias de controle que tratam do aspecto energético, temos que levar em consideração que o bagaço - combustível utilizado em nossas caldeiras - vem da própria matéria prima, a cana, e isso implica em grandes interações dentro da usina, que podem inviabilizar a aplicação de uma estratégia de controle de sucesso em outras indústrias que queimam óleo ou gás".

Carências em automação*
Empresa
Pontos levantados

Usina da Pedra

recepção da cana e expedição de açúcar deveria ter sistema automatizado

Usina Nova América

possui apenas três cozedores automatizados de um total de nove

Usina Diamante possui células automatizadas dentro da planta e pensa em integra-las
Cia Energética Santa Elisa encontra-se em processo de otimização do processo e pesquisa alguns softwares existentes no mercado
Dedini Agroindústria (Usina São Luiz) planeja como será sua arquitetura de automação. Possui algumas células instrumentadas e os investimentos em automação estão priorizando a fábrica de açúcar
Dedini Açúcar e Álcool (Usina São João) procura um sincronismo para ajustar a velocidade na mesa receptora que recebe cana picada e inteira
Usina Costa Pinto possui células automatizadas e prevê uma integração entre elas
Usina Ester não possui sistemas supervisórios e está observando algumas opções no mercado
Equipav fábrica de açúcar está sendo automatizada

* Sugestões ou carências levantadas nas empresas a partir dematérias realizadas
entre outubro de 1998 e julho de 2000 pela Revista ALCOOLbrás

Detalhes sobre as sugestões ou carências apuradas em nove usinas de álcool e açúcar, onde fica evidenciada a atual tendência para integração das células, bem como um painel de fornecedores, podem ser encontradas na edição de agosto (nº 49).
E mais:
Este artigo relata a implementação de um projeto de automação, com tecnologia Fieldbus, pela Smar, na Cia Energética Santa Elisa, Sertãozinho/SP, uma das grandes produtoras de açúcar e álcool do mundo, com aproximadamente 1.500.000 kg/dia de açúcar (30.000 sacos), 1.400.000 litros/dia de álcool, moendo 25.000 toneladas/dia de cana de açúcar. Também é feita uma abordagem das vantagens desta tecnologia, ressaltando a sua importância na integração de dispositivos de campo, com controladores lógicos programáveis e softwares supervisórios, como solução enxuta para o controle de processos. Com várias aplicações nos mais diversos segmentos industriais, o Fieldbus proporcionou uma solução rápida e confiável na elaboração e execução do projeto, pré-operação e partida, objetivando alcançar melhores resultados nos produtos finais, agilidade e facilidade na operação, com uma interface amigável e redução de custos em instalação e manutenção.


© Copyrigth 2001 – Valete Editora Técnica Comercial Ltda. – Rua Fernandes Vieira, 45 – Belém – São Paulo, SP – Telefax: (11) 292-1838