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Aproveitando todo o hardware existente, a empresa conseguiu
aumentar a velocidade de
processamento somente acrescentando um novo software
A cada safra, as indústrias de processamento de sucos de frutas costumam
fazer um diagnóstico da ‘saúde’ de produção, para que no período de entressafra
passem por um check-up e tratamento necessário, visualizando um novo período
produtivo a todo vigor. No caso da unidade de processamento de suco de
laranja da Cargill Citrus (Cargill Agrícola) em Bebedouro, interior de
São Paulo, a ‘operação’ foi um tanto audaciosa, tendo o gerente de automação,
Luiz Eduardo Moreira, como chefe da equipe.
Um mês e meio depois, Luiz Moreira avalia que o “transplante de cérebro”
foi bem sucedido. A velocidade de processamento, que consistia na deficiência
detectada anteriormente, é 40 vezes superior à partir da substituição
dos dois CLP’s que controlavam a planta pelo SoftLogix – um novo conceito
de controle desenvolvido pela Rockwell, no qual a inteligência da automação
roda em PC. “Antes o processamento era de 800 milisegundos em cada CPU,
hoje estamos falando em 40 milisegundos de scan para varredura dos pontos”,
ressalta.
Com as CPUs no limite e diante da necessidade de aumento da produção,
outros métodos mais consolidados até aquele momento foram sugeridos pela
especialista Intereng Automação Industrial, distribuidora da Rockwell
Automation para o interior de São Paulo e que ao longo de seus 10 anos
de existência foi somando expertise nos setores de alimentos, bebidas
e agribusiness, em sintonia com o perfil industrial daquela região. Entre
massas, biscoitos, sucos, hoje, a área alimentícia representa 40% da receita
da empresa, dos quais 20% estão no setor sucroalcooleiro. A parceria com
a Cargill – também americana – vem de longa data, tanto que pode–se dizer
que a planta de Bebedouro é Rockwell de ponta a ponta.
“Nossa recomendação foi pelo ControlLogix, a exemplo da planta de ácido
cítrico da Cargill de Uberlândia, além de ser uma plataforma já consolidada
no mundo todo. Pode fazer a integração dos controles seqüencial e de movimento
com um único controlador, enquanto outros sistemas de controle requerem
múltiplos controladores e pacotes de programação”, comenta Valdir Morano,
diretor da Intereng.
E esta era mesmo a opção mais provável até que Luiz Moreira conheceu o
SoftLogix por ocasião de sua visita à última Automation Fair – vitrine
de produtos da Rockwell – no final do ano passado na Filadélfia. Deu–se
início, a partir de então, a uma investigação em torno de outras aplicações
com o novíssimo sistema – inédito no Brasil. Nem mesmo a Rockwell havia
realizado alguma implantação no país. Inclusive, até onde se sabe, são
pouquíssimas as experiências no mundo. “Corremos todos juntos em busca
de informações, inclusive na planta da matriz da Cargill na Flórida, entre
outras aplicações nos Estados Unidos”, conta Morano.
Mesmo ciente do desafio, segundo o gerente de automação, a confiança na
Allen Bradley/Rockwell, no histórico dos PC´s utilizados na supervisão,
no pessoal bem preparado tecnicamente, e o feedback positivo de alguns
usuários do SoftLogix, foram aspectos suficientes para efetuar a encomenda
à Intereng. Hoje, desde a entrada do caminhão com laranja até a saída
do suco, seja a granel ou tanque, tudo é supervisionado pelo Intouch da
Wondeware e, agora, controlado pelo SoftLogix – o cérebro de toda a automação.
O diferencial é que está instalado direto no micro, realizando o controle
de toda a parte de processo, desde as balanças na recepção, passando pelos
Bins, extratoras, evaporadores, centrífugas, até a tancagem.
Simplicidade x confiabilidade
Numa CPU de CLP deve ser obedecida uma seqüência lógica de operação,
onde a capacidade de criação é restrita. O ControlLogix, por exemplo,
é uma outra plataforma que veio agregar mais recursos. Já o SoftLogix,
como se fosse um passo à frente, agrega recursos de micro: é como se estivesse
em um nível de supervisão só que controlando o chão de fábrica.
Mas, ainda que industrial, um receio que ainda existe é quanto à confiabilidade
do PC, pois a base é em Windows. Embora a parte de chão de fábrica (I/Os
Allen Bradley, DeviceNet, ControlNet) tenha sido mantida, a troca de uma
CPU 5–80 (a mais poderosa da Rockwell no momento), que além de um MTBF
em torno de cem mil horas, trata–se de um produto com uma base instalada
de n + 1, por uma arquitetura simplificada é no mínimo uma decisão audaciosa.
Como todos bem sabem, quantas vezes um micro surpreende–nos com a indesejada
mensagem: “Você está executando uma operação indevida e este programa
vai ser fechado”. Fechou! Como isso vai se comportar num processo produtivo
é a interrogação que fica. Em caso de perder a supervisão – dos males
o menor –, a planta não pára, retoma–se o micro e a supervisão continua.
Agora, um micro controlando o campo, se der “pau”, o que fazer?
Como não vê problemas com seus PC´s, é com total segurança que Luiz Moreira
afirma que ainda que pudesse não voltaria atrás. Se não bastasse o fato
de ter conservado todo o investimento anterior, apenas desembolsando o
equivalente ao software, o engenheiro ressalta satisfação com o desempenho
da produção. Ele pega o exemplo do acionamento de um motor para fazer
um comparativo: “Antes, o tempo de retorno na tela era de 6 segundos,
porque mesmo com 25 mil processadoras, as CPUs estavam no limite. Hoje
é instantâneo. Eu diria que ficou 40 vezes mais rápido”. Além de dispensar
reprogramação, a porta de comunicação é em 100 Mbits e a máquina em Windows
NT oferece maior diversificação do que um CLP – eventuais inserções que
necessitariam de programa externo, agora podem ser embutidos diretamente
no SoftLogix.
Tudo isso traduz–se em ganhos de produtividade, e em processamento de
suco, economia de tempo é igual a economia de custos. Aliás, não é a primeira
vez que um projeto de automação reflete em economia para a Cargill de
Bebedouro. Quando da sua chegada, no início dos anos 90, Luiz Moreira
foi o responsável por o que se chamou de nova fase da empresa, com a introdução
de controladores e supervisório. Data que coincide com o início das atividades
da Intereng naquela região. De lá pra cá, a planta foi passando por constantes
modernizações, sempre na vanguarda tecnológica, garantindo um rigoroso
controle da qualidade do produto, que culminou na recente conquista da
certificação ISO 9000.
Conhecendo o processo
Conforme observou Luiz Moreira, por ser um mercado exigente, a indústria
de citrus tem a necessidade de um controle rigoroso, que garanta total
repetibilidade. Especialmente a fábrica de Bebedouro tem sua produção
de suco concentrado voltada basicamente para exportação. Há questão de
um ano ingressou no mercado interno com um suco integral em embalagem
tetrapack chamado yes, que não consome mais do que 2% da produção de 150
mil caixas/dia.
Como a laranja apresenta variações de características, na recepção é feita
a separação dos tipos de frutas. Retira-se amostras de pontos diferentes
do caminhão para serem analisadas, por exemplo, quanto ao teor de Brix
(porcentagem de sólidos) eratio (Porcentagem de açúcar). Em laboratório,
a laranja é espremida como se numa extratora do processo para a análise
do suco. De posse dos dados, que são lançados no computador, pode-se optar
por um lote ou outro, com tais e tais características para atender as
especificações de determinado cliente, que é liberado para os Bins.
Uma planta de processamento de suco é como se fosse três fábricas: extração;
ração e estocagem (tank-farm). Nas extratoras, além do suco também é feita
a extração da ração e do óleo – subprodutos do processo. O suco passa
por um processo de filtragem e segue para os evaporadores, onde a água
é retirada através de processo por vácuo. Já concentrado, o produto é
encaminhado para tanques, onde é analisado, antes de ficar estocado em
grandes câmeras frias a uma temperatura entre –12oC e –15oC.
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