FEVEREIRO DE 2002 – Edição nº 66 – Controle & Instrumentação
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Concessionárias e empresas investem em
programa único de racionalização de energia: GLD


Passado o racionamento de energia, chega a vez da racionalização. E as estratégias para esta racionalização da demanda, já estão se perpetuando e visam controlar as cargas pelo lado do consumidor através de programas de Gerenciamento pelo Lado da Demanda - GLD. Em alta em várias empresas, o GLD acaba por se transformar em poderoso instrumento para atingir metas de racionamento, ou mesmo aumentar a lucratividade. Tanto assim que a Cemig e a Copel já adotaram o gerenciamento, tendo o maior número de consumidores participantes de projetos de GLD em operação, e são seguidas por outras concessionárias como Bandeirante, Celg, Escelsa, Cerj, Light e Enersul.
Importada de experiências do exterior como o Demand Side Management - DSM no país, o GLD já se encontra no âmbito das empresas desde 1977, com um conseqüente apoio de pesquisadores e do Programa Nacional de Conservação de Energia - Procel, da Eletrobrás, que destinou um grupo de trabalho apenas para cuidar da implantação de um modo geral.
Teoricamente, o GLD refere-se a qualquer atividade adotada pelas empresas elétricas para alterar o padrão de consumo de energia, a resolução de diversos problemas operacionais através da modificação e/ou redução da carga do sistema. As ações adotadas pela concessionária podem ser de controle direto da carga (GLD direto) e/ou de controle indireto (GLD indireto). No primeiro caso, a concessionária determina as cargas a serem reduzidas ou desconectadas, segundo condições especificadas em um contrato de interrupção com o consumidor. No GLD indireto, o próprio consumidor remaneja sua demanda em resposta a sinais de preço gerados pela empresa concessionária.

As ações de GLD mais comuns são a instalação de medidores de dupla tarifação ou limitadores de corrente em medidores convencionais de residências, incentivos à indústria e comércio para mudança de horários de utilização de equipamentos elétricos (modulação dinâmica); incentivos à comercialização de aparelhos e dispositivos energeticamente eficientes por preços promocionais, e incentivos à eficientização de instalações industriais e comerciais, de prédios públicos e da iluminação pública.
Para o Chefe do Departamento de Projetos Especiais da Eletrobrás, Antônio Varejão de Godoy o que tem levado as concessionárias a investirem num programa de GLD, mesmo que aparentemente seja uma redução da receita, é a conscientização. “Na verdade, quando você está fazendo o GLD, você está fazendo um trabalho com um grupo de consumidores para deslocar a curva de carga ou para reduzir a curva de carga no momento em que isso seja interessante para o sistema. Em tese a concessionária está reduzindo a sua receita, mas na verdade ela está evitando um investimento desnecessário no futuro. No balanço final, há lucro quando se leva em consideração a contabilidade dos custos marginais de expansão do sistema elétrico e o aumento da confiabilidade decorrente”, admite Varejão. da.

Curtailment
Várias concessionárias estão em processo de implantação de programas de “curtailment” que se baseia na redução da carga de alguns consumidores, quando isto for de interesse de ambos.
Comum já há algum tempo nos EUA, o “curtailment” permite que consumidor e concessionária se beneficiem da diferença entre o preço normal e o preço da energia praticado no mercado “spot”.
O “curtailment” também pode ocorrer com o consumidor “alugando” seus geradores à concessionária. Ou seja, a concessionária solicita ao consumidor que o gerador seja ligado num determinado período, e paga a ele uma tarifa negociada livremente por kWh gerado. Além dos benefícios financeiros para ambos, um programa deste tipo estreita a relação entre consumidor e concessionária.
Para Edgar Franco, engenheiro eletricista, e diretor da ESB Soluções – uma empresa que apresenta soluções para “curtailment” e GLD – o Brasil tem um mercado muito grande mas só estará preparado a se adequar a estas soluções quando tiver uma efetiva medição de dados em tempo real. “As empresas não têm a medição e a maior preocupação das concessionárias, de um modo geral, é atender as solicitações do Operador Nacional do Sistema - ONS, e do Mercado Atacadista de Energia”.
Outro empresário do setor diz que as concessionárias estão muito mais preocupadas em atender o MAE do que fazer GLD. E isso tem uma explicação já que o custo por ponto é maior se monitoram-se pequenos consumidores. Neste aspecto, há uma consideração de que os programas de GLD “são tímidos em alcance e em resultados e acabam por ser apenas projetos pilotos que muito mais tem intenção de acompanhar a energia do que dar resultados”.
Recentemente, a Bandeirante fez tele-leitura do consumo de energia elétrica em seus 280 maiores clientes. O sistema desenvolvido utilizou a rede SPPAC da Telefonica para a transmissão de dados em tempo real entre todos os pontos. Para tornar possível a leitura de quaisquer medidores a qualquer instante, foram instalados módulos de comunicação CD-100 em cada um dos consumidores. Estes módulos tiveram a função de compatibilizar a comunicação entre os medidores (que falam no padrão ABNT), o SPPAC (que utiliza os protocolos X25/X28), e o Software de Tele-Leitura, que terá a função de exportar as leituras continuamente a um banco de dados Oracle. Atualmente, a ESB trabalha com medição via Internet. O que é inegável é a vantagem da implementação do GLD em toda a sua capacidade de aplicação:
“A principal vantagem da implementação dos programas de GLD é a maximização do aproveitamento dos recursos já em operação do setor elétrico. Desta forma, obtém-se, em linhas gerais, redução de custos, maximização da receita e aumento da confiabilidade do sistema elétrico”, diz Varejão do Procel.


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