Revista Controle & Instrumentação
Edição nº 68 Abril de 2002
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Cover Page
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| A integração na área de
E&P da Petrobras |
| Lisboa: Adaptação com visão voltada
para a integração das informaçãoes
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A integração na área de E&P da Petrobras Desde a conceituação e
definição das arquiteturas Ecos-Estação Central de Operação e Supervisão
e ESC-Estação de Supervisão e Controle, no segmento de Exploração
e Produção (E&P) da Petrobras, os responsáveis pela automação industrial
já tinham a idéia de que, em algum momento, informações da produção
deveriam ser migradas ou entregues para a corporação. Em 1990, foram
definidos os softwares e hardwares para cada arquitetura: Ecos para
sistemas com uma grande quantidade de pontos de Entradas e Saídas
(I/Os) – basicamente plataformas novas, e ESC para sistemas menores,
com poucos pontos de I/Os e custo menor, hoje amplamente utilizadas
no E&P. Para decidir qual a melhor tecnologia em softwares para a
automação industrial, foram criados grupos de discussão com a participação
de profissionais do próprio E&P, do Cenpes e da Engenharia. Os softwares
que apresentaram melhores condições técnicas passaram por testes que
utilizaram sites projetados para avaliação de desempenho e funcionalidade.
Dois anos após a definição das arquiteturas, foram feitos novos estudos
para avaliar os softwares existentes nos mercados nacional e internacional.
A conclusão dos estudos apontou para alguns softwares que poderiam
ser utilizados na arquitetura ESC, ficando a cargo das unidades regionais
a escolha de qual se adequava melhor à sua aplicação. Para a arquitetura
Ecos não existia no mercado nenhum software com potencial para substituir
o estabelecido na primeira avaliação.
Somente em 1999, foram avaliados alguns softwares que poderiam servir
de alternativa para a arquitetura Ecos. Para tal, foi criado um grupo
interdepartamental coordenado pelo E&P e com a participação do Cenpes
e da Engenharia, que fez um levantamento dos softwares de supervisão
disponíveis no mercado nacional e internacional. Desta pesquisa, foram
selecionados oito softwares que, pela avaliação bibliográfica e contato
com os fornecedores, poderiam servir às aplicações pretendidas. “Foi
quando decidimos iniciar um teste de bancada com todos eles. Para
isso, preparamos uma aplicação padrão e solicitamos que cada fornecedor
a implementasse em seu software para que pudéssemos avaliá-los. Isso
resultou num ranqueamento dos produtos avaliados. Cabe lembrar que
os testes serviram tão somente para medir desempenho em uma aplicação
para o E&P, não servindo de referência para outras aplicações", ressalta
Vitor Lisboa engenheiro de equipamentos da Petrobras.
Em todos os momentos, a preocupação ao avaliar os diversos softwares,
era a possibilidade de poder migrar as informações de produção para
a corporação. Para isso, foi definida uma arquitetura que pudesse
concentrar e disponibilizar as informações do E&P para toda a Companhia.
Foi então criado o Siop - Sistema de Informações Operacionais, cuja
função é de concentrar todas as informações da unidade de produção.
De fato, o Siop é um grande depósito dos dados de operação e supervisão
que, receberá os dados pré-definidos e em tempo real, das unidades
de produção que operem através da Ecos ou ESC. Será a única interface
com acesso controlado aos dados de produção do E&P, os quais poderão
ser utilizados pelas áreas técnicas, áreas de negócio e até mesmo
pela alta administração da companhia. |
| Fontes: Integração total do chão
de fábrica até a área corporativa |
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Quanto à automação dos dutos de E&P — ora em andamento — também
estarão interligados aos sistemas de supervisão das unidades de produção
e, uma vez operados através de Ecos ou Esc, seus dados também estarão
disponíveis para o resto da companhia através do Siop.
“Desde o início da implantação da automação industrial no E&P, já
prevíamos uma integração total: do chão de fábrica até a área corporativa
da Petrobras”, afirma Alberto Fontes, gerente de Instalações de Produção
de Superfície e Automação. Com essa visão, a Petrobras tem procurado
utilizar todo o avanço tecnológico disponível no mercado nacional
e internacional. “À medida que a tecnologia vai avançando você vai
se adaptando, mas sempre com a visão voltada para a integração das
informações”, ressalta Vitor Lisboa.
Os softwares utilizados, nos sistemas supervisórios, devem ter conectividade
com outros softwares de diferentes níveis de hierarquia para permitir
a integração e a migração automática das informações oriundas do processo
produtivo para os sistemas corporativos da companhia. Hoje no E&P,
temos instalado, para os sistemas de supervisão e controle, os softwares:
VXL, FIX e Intouch.
No caso dos softwares de controle, que já vêm incorporados ao equipamento
não há muito que ser avaliado, bastando apenas solicitar informações
para que se possa customizar os sistemas para receber e gerenciar
determinadas informações.
“É difícil, mas conseguimos conviver com esta Babel”, fazem coro Vitor
e Fontes. “É de praxe na Companhia a troca de experiências entre os
técnicos das diversas áreas como a Transpetro, refino, engenharia
e o E&P, onde cada um tem necessidades diferentes nas aplicações,
mas, quando a tecnologia pode ser utilizada por todas as áreas da
empresa, procuramos convergir”, lembra Fontes.
Segundo Vitor, a filosofia de automação da Petrobras tem como princípios
a segurança das operações, a preservação do meio ambiente e a saúde
dos empregados. Quando se projeta um sistema de supervisão e controle
para uma unidade de produção, seja uma estação coletora em terra ou
uma plataforma marítima, consideram-se as necessidades operacionais
e busca-se reduzir a permanência do homem junto aos equipamentos em
operação. Com isso, a integração entre as áreas de engenharia e de
operação é necessária e natural no E&P.
A integração de informações do chão de fábrica ao corporativo de uma
empresa, passa quase que obrigatoriamente pela implantação de um sistema
de gestão do tipo ERP (Enterprise Resourcing Planing). No caso da
Petrobras, o produto adotado foi o SAP R/3, que atualmente encontra-se
em implantação em toda a companhia. |
A estratégia do arqueiro |
| O presidente da Yokogawa América do Sul, Nelson Ninin
(à direita), o diretor comercial da empresa no Brasil,
Raul Nascimento (à esquerda), e dois engenheiros japoneses |
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A estratégia do arqueiro Lançado no segundo semestre de 2001 no
Japão, o Stardom — sistema de controle baseado em rede da Yokogawa—
começou a ser ofertado internacionalmente em fevereiro deste ano e,
dia 19 de abril passado, teve demonstração exclusiva para os integradores
da empresa no Brasil.
Buscando um nicho específico — entre o PLC e o SDCD —, o Stardom é
orientado para a aplicação, é robusto e de fácil conexão, flexível,
de engenharia integrada, possui blocos de função e faz ladder e SFC
em 10µs. Segundo o engenheiro Flávio Bemelmans, é especialmente indicado
para controles realmente distribuídos como tratamento de água, dutos
e os sistemas de produção de óleo e gás. “É totalmente aberto, fala
Ethernet, controla e integra as informações. Foi concebido para integrar
automação industrial e tecnologia de informação onde há a necessidade
de uma rede automatizada e essa concepção está no nome: Stardom quer
dizer a estratégia do arqueiro para alcançar o alvo”.
Segundo Flávio, este é o primeiro produto a usar este conceito e a
possuir APPFs — pacotes de software específicos para cada aplicação
—, com conectividade total — vertical (servidor Web e OPC, Ethernet
e TCP/IP em alta velocidade), horizontal (TCP/IP, SNTP, OPC), redes
de campo (Foundation, Profibus, Devicenet, Modbus e outros) e escritório
(de e para gestão empresarial e e-business, baseado em OPC, Java e
XML).
O Stardom pode ter a configuração física alterada de acordo com a
necessidade e mesmo crescer com a empresa. Pode usar, ou não, um servidor
de dados (VDS) que trabalha com Visual Basic da Microsoft, OPC, DB
histórico, gerencia até 5 mil objetos (tag), suporta até 50 mil clientes
HMI, pode ser um servidor Web e um concentrador de dados.
A tecnologia usa, basicamente, dois equipamentos (importados): o FCN
— Autonomous Controller Field Control Node — e o FCJ — Autonomous
Controller Field Control Junction. Ambos trabalham com temperatura
dee operação variando de 0o a 55/60o, umidade de operação entre 5%
e 95%, proteção contra gás corrosivo para ISA Classe G2, refrigeração
natural sem ventiladores, tratam a informação em 10 milisegundos,
podendo ter, inclusive, informações de negócios como variáveis. O
FCJ tem IO embutido e capacidade de 6AI, 2AO, 16 DI, 16 DO; o FCN
pode ter redundância, hot swap, 25 cartões de Ios, alimentação de
campo, rede dual Ethernet de 100 Mbps. Com o VDS, pode-se colocar
até 32 controladores por rede e, sem o VDS, a rede pode ser a mais
extensa necessária.
Mas, segundo o engenheiro da Yokogawa, o grande ponto de apoio do
Stardom para os integradores são os pacotes de software, que usam
linguagem IEC 61131-3-5 (LD, ST;IL, FB, SFC). O caminho seguido é
o seguinte: pega-se a unidade organizada da norma, a POU da norma,
transforma-se em POU preparada pela Yokogawa, customiza-se cada POU
— que pode chegar a ser semelhante aos blocos de função de um SDCD.
Com essas POUs customizadas, faz-se um cassete de aplicação com lógica
de controle, um modelo de aplicação e, com vários desses modeelos,
chega-se a um AP Pack específico. “Os APPFs substituem o esforço de
engenharia por produto. Por exemplo: se um pacote para caldeira já
é de prateleira e basta a parametrização para o cliente. Ou seja,
os custos caem e os ajustes são rápidos. Sem contar que o stardom
transforma indicadores de processo em indicadores de negócio utilizando
linguagem Java”, comentou Flávio Bemelmans, que resume os benefícios
para o integrador na flexibilidade do produto, na proteção dos modelos
e redução dos custos de comissionamento. Para o usuário, os ganhos
prometidos são ainda maiores: baixo investimento inicial, baixos custos
gerenciais e operacionais, baixo custo de manutenção e a possibilidade
de se ter uma sala de controle móvel. Para o coordenador do curso
de Engenharia Química da Faculdade Oswaldo Cruz, Rubens Gedraite,
que participou do evento, o segmento da Automação Industrial vem passando
por sucessivas mudanças, que começaram a aparecer por causa da necessidade
de flexibilização dos processos produtivos industriais. “Hoje estes
processos requerem um alto índice de integração entre equipamentos
diferentes utilizados com finalidades específicas”, diz.
Para Gedraite, o sistema Stardom é uma solução industrial confiável
e robusta, capaz de trocar informações com diferentes equipamentos
de automação tipicamente empregados no chão de fábrica de processos
produtivos. “Pode-se afirmar que o Stardom traduz para a realidade
o anseio da comunidade da automação industrial em trabalhar com sistemas
abertos, que permitem a total conectividade entre os seus componentes". |
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