Revista Controle & Instrumentação
Edição nº 69 Maio de 2002
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Cover Page
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| Saneamento: mercado de R& 6 bilhões/ano
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| Setor pessui, em média, 40% de perda durante a distribuição
de água |
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Estudos realizados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social (BNDES) e pela Caixa Econômica Federal apontam para a necessidade
de se investir R$ 6 bilhões por ano no setor de saneamento do país.
O montante iria garantir uma demanda futura até o ano de 2010. O mercado
para a automação é imenso, mas, na prática, o setor de saneamento
no país não investe nem metade do valor necessário. O domínio público
nas concessionárias trava algumas ações que poderiam melhorar os índices
de coleta de esgoto, tratamento e distribuição de água. Nesse setor
pode-se dizer que, em geral, o nível tecnológico é bem maior nas empresas
autônomas ou de economia mista.
Só para se ter uma idéia do potencial desse setor, apenas 39% da população
brasileira é servida com rede de coleta de esgoto; só 10% do esgoto
sanitário recebe algum tipo de tratamento; e as perdas da água tratada
chegam a mais de 40%.
O setor de saneamento está na lista de pedidos de privatizações do
Fundo Monetário Internacional - FMI. Trocando em miúdos: se o governo
brasileiro abrir esse mercado para privatização, o FMI abrirá um pouco
mais sua carteira de empréstimos. Um pouco da situação do setor do
saneamento no Brasil foi apresentado na Companhia de Água e Esgoto
do Ceará durante o Seminário de Eficientização Energética no Setor
de Saneamento Básico.
Salvo algumas raras exceções, o setor de saneamento possui um elevado
índice de perdas técnicas: estrangulamento em válvulas; perdas de
carga em tubulação; obsolescência e superdimensionamento de motores;
desgaste físico de bombas; baixo fator de potência; além dos baixos
índices de micromedição e automação. Nesse quadro, há um enorme potencial
de mercado para a aplicação de sistemas de supervisão e controle;
conversores de freqüência; correção de fator de potência; substituição
de equipamentos; revisão dos programas de manutenção; micromedição
e modulação da curva de carga.
Um dos pontos principais, hoje, no setor de saneamento é a discussão
do uso racional da água junto com o uso racional de energia elétrica.
Essas duas áreas costumavam ser tratadas como áreas distintas. Com
a chegada da crise energética ficou a lição de que o engenheiro elétrico
precisava conversar mais com o técnico da área hidráulica e vice-versa.
A situação do setor de saneamento no Brasil, no que diz respeito à
energia elétrica, foi apresentada pelo engenheiro Marco Aurélio Moreira,
do departamento desenvolvimento de projetos especiais da Eletrobrás.
Para perdas da ordem de 40%, estima-se que o potencial total de conservação
de energia elétrica do setor de saneamento seja de 2,82 bilhões de
kWh/ano. A realização de 15% deste potencial representaria 423 milhões
de kWh/ano, o que corresponde a R$ 423 milhões/ano para uma tarifa
média de R$ 1,07/m3. Em 2000, o mercado brasileiro, que correspondeu
a 47 milhões de consumidores, consumiu 306 bilhões de kWh. As despesas
das concessionárias do setor de saneamento com energia elétrica variam
entre 5 e 20%, sendo o segundo item após as despesas com pessoal.
Moreira sugere algumas estratégias para que o setor caminhe para a
eficientização. Entre elas destacam-se a implantação de casos demonstração;
levantamento de barreiras e soluções; desenvolvimento de uma estratégia
de replicação auto-sustentável para o segmento de saneamento. Como
fonte de recursos financeiros, Moreira sugere o Banco Mundial, BIRD
e GEF, além da Reserva Global de Reversão - RGR e as próprias Concessionárias
de Energia Elétrica.
A prestação dos serviços de saneamento está centralizada nas 27 concessionárias
estaduais, responsáveis pelo atendimento de 75% da população servida
por sistemas de abastecimento de água (mais de 3.700 municípios).
Os demais municípios (cerca de 1.300) são atendidos por empresas municipais
autônomas. Cerca de 93% da população atendida pelo abastecimento de
água mora em área urbana. A taxa média de novas ligações de água e
de esgotos é de 2% ao ano, enquanto que a taxa de crescimento da população
urbana varia em 1,2% ao ano. O consumo per capita de água varia entre
71 e 278 litros/hab. dia. |
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