Certo dia, alguém começou a fazer algumas contas no papel e percebeu
o quanto uma empresa perdia mantendo peças paradas em estoque. Percebeu-se
que a indústria deveria operar semelhante ao trabalho de uma formiga
que recolhe apenas o alimento necessário para passar o inverno. Começava-se
a estudar o fim dos grandes volumes de produção e gigantescos armazéns
para estocagem.
A indústria automobilística é uma das que acompanham bem de perto
esta quebra de paradigma que estamos vivendo, ou seja, produzir um
carro vendido em vez de produzir para estoque. Nesse contexto, a automação
desempenha papel fundamental porque ela precisa ter uma alta flexibilidade
para produzir veículos nos mais variados modelos e cores. Fazendo
uma analogia com a área de processo é a automação que vai operar as
várias “receitas” numa planta automobilística. Entretanto, na indústria
automobilística essa operação se dá de forma muito mais complexa.
Numa mesma linha de produção busca-se produzir o maior número de veículos
possível. Hoje, algumas indústrias operam, numa mesma linha, de três
a quatro modelos diferentes. Na fábrica da Audi, em São José dos Pinhais
(PR), por exemplo, são produzidos o Audi A3, o Golf e a Saveiro. “Hoje
adapta-se a produção de acordo com a demanda, com respostas rápidas”,
diz Joel Rabelo Filho, gerente da divisão automobilística da Siemens.
Ele lembra dos famosos “pacotes de acabamento” onde não se tinha flexibilidade
para atender o gosto do cliente. Hoje, com o aumento da competitividade,
a automação é vital desde o planejamento de marketing, onde entram
os pedidos, até à parte de manufatura. “Você não consegue atender
o gosto do cliente com bilhetinhos pregados na carroceria”, pontua.
Para manter fiéis compradores ou galgar novos clientes, as montadoras
de veículos buscam as mais avançadas tecnologias em automação, além
de pedir a sua equipe técnica própria, formas de aumentar a versatilidade
de uma planta. Para a automação cabe o papel de ser dividida em vários
níveis não esquecendo-se de um importante detalhe: conectividade.
“Os dados precisam fluir livremente, desde os computadores de planejamento
de produção até ao pequeno PLC em um ponto determinado”, comenta Rabelo
lembrando que algumas transmissões não precisam acontecer em Real
Time. “No momento que um cliente encomendou um carro, o pedido não
precisa estar já na memória de um PLC. Alguns níveis baixam por batelada”.
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| Rabelo: Mercado exige respostas rápidas da fábrica |
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| Rabelo acredita que os equipamentos e redes disponíveis para o chão
de fábrica atendem perfeitamente às necessidades da indústria automobilística.
Alguns desafios, entretanto, visíveis nas indústrias européias, precisam
ser vencidos pela automação. “A transferência de um veículo, entre
duas células, na média acontece a cada um minuto”, exemplifica. Mas,
algumas empresas já trabalham com o tempo de 56 segundos. Esses quatro
segundos, ou mais, são buscados a todo tempo nas montadoras. “Um minuto
que a empresa ficou parada, deixou de produzir um carro”. |
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