Revista Controle & Instrumentação – Edição nº 71 – Julho de 2002
Retrospectiva
Conai 2002 revela área de serviços das empresas, automação predial e integração com dispositivos Web
Sérgio Vieira
No Conai 2002, uma das características bem marcantes, foi a iniciativa das empresas expositoras em apresentar suas áreas de serviços, uma tendência no setor de automação. Em algumas empresas a área de serviço já representa 10% do faturamento no Brasil, o que dá um fôlego nos sucessivos aumentos de dólar. A área de serviço é acentuada também devido à expansão das empresas, segundo avaliação de Nelson Ninin, diretor de automação da Abinee. “Cada vez mais o hardware pode ser utilizado em várias áreas”, enfatizou.

De acordo com Ninin, por mais que se automatize uma indústria, os 9% ou 10% do total de investimentos destinados à automação devem permanecer. Ele ressalta que quanto mais os fornecedores partirem para a área de serviços, mais o usuário terá ganhos em segurança, padronização, meio ambiente, etc.

Uma das novidades para o Conai 2004 (que se encontra em discussão) é a abertura para a área de automação residencial e predial. A própria edição desse ano já apresentou alguns produtos para automação predial. É o caso da Moeller Electric que apresentou um sistema acoplado ao telefone fixo onde o usuário pode ligar vários equipamentos a partir do celular; e da Conaut que pegou uma representação no Brasil da Protec e apresentou alguns sistemas de detecção e alarme de incêndio.

“A troca de informações entre as funções fez com que esses sistemas deixassem de ser isolados. Hoje, todos eles podem ser controlados de uma única central, que monitora tudo o que está acontecendo num imóvel automatizado”, pontua David Jugend, diretor de marketing do Conai. O mercado de automação predial cresce no ritmo de 10% a 15% ao ano e movimenta perto de US$ 220 milhões.

Os mini-controladores ou CLPs de menor porte estiveram presentes em vários estandes do Conai. Objetivando galgar mais espaços no mercado, os mini-controladores devem atingir em cheio as empresas fabricantes de máquinas e usuários com linha de produção não tão complexa como, por exemplo, uma petroquímica ou automobilística. A integração entre tecnologias foi mais um capítulo à parte nesse 10º Conai. Controladores com servidor Web que enviam dados direto para celulares foram a grande atração nesse campo. Nos estandes, pelo menos três empresas mostraram alguns caprichos desse tipo.
Rabelo: Mercado exige respostas rápidas da fábrica
Outra tendência que já invadiu o Conai é a comunicação wireless para automação industrial. Algumas IHMs e equipamentos (situados no nível do CLP para cima) começam a operar com dois protocolos sem fio: IEEE 802.11 e Bluetooth. O 10º Conai também foi invadido pelos softwares que rodam em Windows CE e imagens com maior grau de definição para o usuário.

O nível técnico do pessoal visitante agradou as empresas estreantes no patrocínio do Conai. “O nível técnico do pessoal é muito elevado”, disse Fábio dos Santos, engenheiro de aplicação da Murr Elektronik. Segundo ele, a troca de informações com usuários “flui” de forma mais fácil.

O Conai 2002, mais uma vez, foi marcado pela visita de usuários de automação, técnicos e engenheiros. Nos dois primeiros dias o movimento foi considerado fraco pelos expositores, mas nos dois dias seguintes o movimento aumentou consideravelmente dando ânimo para o Conai 2004. Apesar do bom número, alguns ajustes precisam ser feitos, revelaram alguns expositores e patrocinadores do evento.

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