Revista Controle & Instrumentação – Edição nº 72 – Agosto de 2002
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Em busca por um número ótimo
Na vanguarda tecnológica de outras áreas industriais, os segmentos petrolífero, petroquímico e químico quer saber, num curtíssimo espaço de tempo, fala-se em segundos, quanto custa para produzir cada quilo, ou litro, dos produtos derivados do petróleo. É uma tarefa árdua onde os engenheiros queimam fosfato para implementar sofisticadas ferramentas na busca de números que estejam o mais próximo possível do real, ou seja, um número ótimo.

Os módulos de otimização vão desde ferramentas mais simples, às vezes embutidas em outros sistemas, até modelos sofisticados de controle baseados em equações matemáticas e redes neurais. Na área de extração e produção de petróleo percebe-se uma forte tendência a implementar ferramentas de otimização, mas, pelo que foi percebido, os usuários estão observando as opções de mercado antes de assinarem algum contrato de fornecimento. No caso da Petrobras, que não poderia deixar de ser citada, ferramentas de otimização estão sendo observadas em algumas refinarias para depois serem implementadas em outras unidades.

Já na área petroquímica, pelo que foi constatado, há uma busca pelo domínio das ferramentas de controle avançado e um começo de conversa sobre softwares de otimização. Esse setor, em geral, está procurando dominar toda a tecnologia de controle avançado antes de entrar numa nova empreitada tecnológica.

Na área química, a linha de raciocínio é dominar totalmente os sistemas supervisórios. Nesta área, engenheiros estudam a implantação de controle avançado. A arquitetura clássica de automação (dispositivos, controle e supervisão) é algo totalmente dominado e, agora, pensa-se em partir para tecnologias mais eficientes.

É óbvio que estas considerações sobre petróleo, petroquímica e química não valem para o setor como um todo. Mas o que se percebe é que a tecnologia de controle avança à medida que avançamos na raiz da matéria-prima desse setor, que é o próprio petróleo. É observado que as novidades tecnológicas acompanham o grau de existência de determinada fase da indústria petrolífera. Quanto mais antiga for determinada fase, mais estaremos nos aprofundando em inovações tecnológicas. De maneira análoga, tecnologias de maior domínio vão aparecendo à medida que nos afastamos da produção de petróleo e passamos para a nafta e produção de polímeros.

Controle avançado antes de otimização

Métodos matemáticos mais precisos deram lugar a sistemas de uso padrão no mercado. Na indústria petrolífera e seus derivados o ganho de um litro, um simples watt, ou 30 segundos, pode fazer uma diferença enorme nas contas finais da relação custo/benefício. Por este motivo, os ganhos que o Controle Avançado proporciona à indústria é peça fundamental para se implantar ferramentas de otimização que estão vindo por aí.

“Esta tecnologia de controle avançado já foi implantada em mais de 30 unidades da Petrobras, com benefícios de até US$ 100 milhões anuais”, informou em entrevista o engenheiro Lincoln Moro, coordenador do projeto pela Petrobras.
Na sua opinião, a otimização integrada das unidades da refinaria vai trazer aumento de rentabilidade semelhante ou até mesmo superior ao obtido com a implantação do controle avançado. Desde 1997, o grupo de pesquisa vem realizando estudos para integrar as várias unidades da refinaria em termos de operação e de planejamento da produção. Funcionando integradamente, o resultado é a maximização da rentabilidade do sistema. Para se chegar ao desempenho ótimo, técnicos da Petrobras desenvolveram modelos matemáticos sobre a realidade mais próxima possível das variáveis de uma refinaria. Veja mais adiante como anda a implantação dessa tecnologia em algumas unidades da Petrobras e na Refinaria Ipiranga.

Vale lembrar que a Petrobras ainda não possui uma ferramenta global de otimização, mas está trabalhando em várias tecnologias devido à inexistência de uma ferramenta padrão de mercado. Ao passo que essas tecnologias vão se consolidando e ganhando a confiança de engenheiros vão sendo disseminadas pelas unidades da companhia.

Nas Áreas de Negócios da Petrobras, por exemplo, novo nome dos campos de exploração e produção, começam a ser tomadas algumas iniciativas rumo à otimização local. É o caso da Unidade de Exploração e Produção da Bacia de Campos que está testando uma ferramenta conhecida como “Módulos de Diagnóstico” em apenas uma das 41 plataformas da região. É parecido com o controle avançado, encontrado em algumas refinarias, com inteligência artificial baseada em modelos matemáticos.

Só para refrescar a memória, a Petrobras tem atualmente 94 plataformas em operação, sendo 69 fixas e 25 flutuantes. Quanto às Unidades de Negócios de Exploração e Produção (UNEP) estão dividas em nove: UNEP Amazônia, UNEP Bahia, UNEP Bacia de Campos, UNEP Solimões, UNEP Espírito Santo, UNEP Rio de Janeiro, UNEP Rio Grande do Norte e Ceará, UNEP de Sergipe e Alagoas e UNEP do Sul. Mais adiante o leitor fará um giro por algumas refinarias e ficará conhecendo um pouco mais sobre a automação dessas unidades. Cabe registrar nesse espaço, algumas diretrizes tomadas pela estatal referentes à automação. Uma delas é a de não investir mais em automação em algumas unidades de “bombeios”. Segundo informações, essas unidades estariam tendo pouco retorno nos investimentos devido à produção de pouca expressão.

Outra diretriz é a implantação do software de gestão R/3 da SAP em toda a sua cadeia de exploração, produção e distribuição de combustíveis, operação que começou há pelo menos dois anos. Segundo foi apurado pela revista C&I, ainda vai demorar mais uns dois anos para o software atingir a parte de produção da empresa. A transposição de dados, do processo para o software de gestão, se daria de forma fácil já que a estatal, hoje, já trabalha com o sistema Plant Information que coleta dados das plataformas e os envia para os centros de controle.

Nos últimos anos, os investimentos da Petrobras em automação culminaram numa ação coordenada que recebeu o nome de Projeto Pegaso - Programa de Excelência em Gestão Ambiental. O orçamento total do programa é estimado em R$ 3,2 bilhões e visa levar a estatal a padrões internacionais de excelência ambiental. A verba alavancou a execução de 3 mil projetos em refinarias, plataformas, poços de exploração e produção e terminais de distribuição. Um dos principais focos desse mega-investimento é a monitoração dos 14 mil km de dutos. A meta é chegar à monitoração de 100% dos dutos. Atualmente, segundo informações do diretor de serviços, Irani Varella, mais de 8 mil km já estão supervisionados. Todo o esforço procura evitar os inesquecíveis vazamentos de óleo de que a Petrobras foi vítima no passado. (Sérgio Vieira)
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