Revista Controle & Instrumentação
Edição nº 73 Setembro de 2002
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Cover Page
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A extensão de aplicativos na indústria
alimentícia
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A indústria alimentícia no Brasil é caracterizada
por empresas multinacionais que possuem extensas plantas de produção.
Só a Nestlé possui mais de 14 unidades industriais. Ao lado dela,
empresas como a Parmalat, Kibon, Arisco, Coca-Cola, Ambev, Perdigão,
entre outras, possuem fortes investimentos para atender a cadeia de
varejo, que por sua vez, procura satisfazer as necessidades do consumidor
final.
Para que todo esse elo seja completo, investimentos em tecnologia
de ponta é imprescindível. O chão de fábrica das indústrias alimentícias,
caracterizado pelo trabalho em bateladas, precisa responder o mais
rápido possível aos anseios do mercado. Essa flexibilidade é perfeitamente
perceptível nas multinacionais, mas empresas de menor porte da indústria
alimentícia também estão procurando adaptar-se às novas regras do
mercado para atender à rede de varejo no famoso just in time. É por
esse motivo que a C&I procurou trazer um caso de aplicação numa empresa
de menor porte para exemplificar essa tendência da indústria alimentícia.
O Moinho São Jorge, situado na cidade de Santo André (SP), teve que
realizar algumas modernizações em sua planta para atender um produto
que foi lançado há dois anos. Trata-se da pré-mistura de trigo que
é utilizada para a fabricação do famoso pãozinho francês. O produto
não é novidade no mercado, mas a automação realizada pelo Moinho São
Jorge trouxe um diferencial no oferecimento da pré-mistura. |
| Imagem revela condições críticas para
sensores em alguns pontos |
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Em outro moinhos, essa pré-mistura
para pão é feita manualmente, ou seja, os ingredientes são pesados
em balanças comuns, misturados conforme tempo determinado pela pessoa
que opera a máquina, para finalmente ser ensacada. O processo abre
possibilidades para a empresa ter massas diferentes de “pré-misturas”,
uma vez que, cada operador, pode ter considerações diferentes sobre
pesagem de ingredientes, tempo de mistura e pesagem do produto final.
Antes de sair à caça da empresa que iria fornecer os equipamentos,
o Moinho São Jorge sentou-se à mesa com um integrador de sua confiança
para discutir quais eram suas necessidades e depois colocar o projeto
da massa de pré-mistura em prática.
Para entender mais a fundo como aconteceu o projeto de automação cabe
aqui uma explicação de Valdecir Biazin, gerente industrial do Moinho
São Jorge: “Já trabalhei no desenvolvimento de vários projetos de
fábricas de pré-mistura, normalmente, existe uma certa tendência para
se comprar projetos mais ou menos prontos. Fabricantes chegam e dizem
que têm projetos de pré-mistura para vender. Ele vende o projeto mais
ou menos pronto e você faz algumas adequações de acordo com a sua
necessidade”. É o que o se chama, nesse ramo, de atividade de “núcleo
pronto”.
Mas, no Moinho São Jorge, a opção foi a seguinte: Desenvolver toda
a parte de formulação química para o preparo da pré-mistura, além
do maquinário necessário e a contratação de uma empresa de automação
para coroar todo o projeto. Segundo o gerente, o valor total da modernização
da planta foi de R$ 1,2 milhão. Neste valor estão incluídas outras
modernizações que foram feitas na unidade que não necessariamente
tenha algo sobre automação. |
| Projeto foi concedido para permitir diferentes receitas |
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O integrador de confiança escolhido pelo moinho foi
a Facitec de Santo André. Pelo que foi exposto até agora, o leitor
que acompanha essa publicação já deve ter imaginado que o serviço
da Facitec não foi fácil. Fez-se necessário a especificação de como
seria o controle de dosagem de cada um dos ingredientes que compõem
a pré-mistura: farinha de trigo, sal refinado, açúcar, gordura hidrogenada
vegetal e melhorador de farinha. “Nós desenvolvemos toda a lógica
de operação do sistema, como deveria funcionar, quando e entre quem
e como deveria ser todo o controle de dosagem”, lembra o gerente.
Depois que a Facitec conseguiu colocar tudo no papel, como deveria
ser implementada a automação do moinho, chegou o momento de verificar
quem iria fornecer o que para cada etapa da instrumentação e automação.
O projeto foi entregue para quatro empresas onde ficaram especificados
alguns componentes, conforme conta Biazin. “Os principais componentes
que decidem o comportamento da fábrica, fizemos questão de especificar.
Cada fornecedor recebeu um memorial descritivo e, mais tarde, fez
uma exposição individual da sua proposta para o Moinho São Jorge”.
O gerente acredita que, no método adotado, a empresa ficou livre do
oferecimento e instalação de pacotes completos de automação, o que
pode trazer sérias dores de cabeça em alguns casos. “Nos pacotes fechados
o conhecimento sobre o processo, às vezes, é desprezado por fornecedores”,
avalia. |
| Operador tem nas mãos todo o controle da "pré-mistura"
para pães |
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Apesar de ter fugido dos pacotes fechados de automação,
o Moinho São Jorge não deixou de enfrentar alguns inconvenientes.
A interface entre sistemas distintos, ou de fabricantes diferentes,
foi citada pelo gerente com um ponto crítico na automação da pré-mistura.
“É preciso resolver essas questões porque depois que a fábrica funciona
nenhum fornecedor assume a culpa quando há problemas”, pontuou.
Hoje, no Moinho São Jorge, todas as receitas estão catalogadas no
computador central (um CLP da GE Fanuc). A partir das informações
que o laboratório envia para a produção, o chefe do setor já sabe
com que receita irá operar. “No começo, o computador não tem as receitas,
mas com o passar do tempo ele vai armazenando em sua memória as receitas
utilizadas. Chega num dado momento que o chefe já tem as formulações
catalogadas”. (Sérgio Vieira) |
| BIazin: projeto foi entregue a um integrador de confiança |
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Panorama
O Brasil consome 10 milhões de toneladas de trigo por ano, mais
de 70% é importado da Argentina. Do montante, São Paulo é responsável
por 30% da moagem que é realizada em cerca de 15 moinhos espalhados
pelo Estado. O Sindicato do Trigo do Estado de São Paulo reúne
nove empresas que são responsáveis pela moagem de 2,5 milhões
de toneladas de trigo/ano. No Rio Grande do Sul é onde a maior
concentração desse tipo de empresa. São 250 moinhos de trigo.
O nível tecnológico dos moinhos, ao que parece, é algo que precisa
ser explorado. A maioria das empresas trabalha com máquinas
não automatizadas, mas percebe-se uma grande receptividade de
técnicos às questões tecnológicas. Entre os moinhos que estão
partindo para automações de ponta destacam-se o Pacifico de
Santos e o da Cargil em Sorocaba. Os moinhos trabalham com sistemas
de bateladas, ou seja, com fluxo de produção bastante variável.
Quando se fala em automação nesse setor, a Suíça é o país de
referência. Além de agregar os grandes fabricantes de máquinas,
o país possui as plantas mais automatizadas do mundo. Lá, é
comum um chefe de produção vigiar uma planta de produção de
sua residência à noite, enquanto o moinho encontra-se em pleno
funcionamento. |
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