Revista Controle & Instrumentação
Edição nº 75 Novembro de 2002
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Cover Page
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Siderúrgia: modernização
após as privatiações
Sérgio Vieira
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| Siderúrgicas: investimentos em novas tecnologias resultam
na padronização e qualidade dos produtos |
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Mesmo tendo que enfrentar, em 2001, recessão
americana (um dos principais mercados do aço), racionamento de energia
e variação desfavorável do câmbio as siderúrgicas nacionais tiveram
queda de apenas 14% no faturamento (de US$ 9,9 bilhões para US$ 8,6
bilhões). A competitividade desse setor industrial talvez tenha sido
o principal pilar para que essa queda não fosse ainda mais acentuada.
Aliás, o aço brasileiro nunca esteve tão em pauta na mídia mundial
como nos últimos três anos.
Para alcançar os atuais níveis de excelência, as siderúrgicas tiveram
que investir em novas tecnologias que resultaram na padronização e
qualidade de produtos, assim como na redução de custos. Pesquisa encomendada
pela Associação Brasileira de Metalurgia e Materiais (ABM) apontam
que, após a privatização e a inversão de US$ 12 bilhões nos últimos
10 anos, as empresas concentraram todos os indicadores modernos de
competitividade.
Para se ter um parâmetro de como a indústria siderúrgica melhorou
de forma considerável, dados do Instituto Brasileiro de Siderurgia
(IBS) revelam que, em 2001, a produção das aciarias nacionais foi
de 438 toneladas por homem/hora - o dobro da marca de 1992.
Dentro do setor siderúrgico, a privatização, iniciada há dez anos,
pode ser considerada como principal marco para que os sistemas automáticos
ganhassem uma outra conotação. Até então, as empresas estatais viviam
pregadas à lei de licitações que muitas vezes desconsidera alguns
aspectos técnicos do sistema privilegiando apenas o preço. No caso
da Cosipa (Cubatão/SP) alguns princípios nortearam as ações dos engenheiros
para que os mesmos atingissem as metas de produtividade, qualidade,
custo, segurança e controle do meio ambiente. Segundo Valdemir Ribeiro
Pinto, gerente de automação da Cosipa, que realizou uma apresentação
sobre o assunto durante o ISA Show, entre esses princípios de ação,
encontram-se: ter equipamentos de fácil utilização pelos operadores;
permitir a evolução compatível com os conhecimentos dos processo e
práticas operacionais; serem desenvolvidos de forma integrada com
os sistemas corporativos da empresa; e permitir a disponibilização
através das tecnologias Intranet/Internet.
Para atender aos princípios acima, os engenheiros tiveram que buscar
tecnologias abertas de hardware e software baseadas na arquitetura
PC/PLC; redes e protocolos de comunicação de padrões abertos; linguagens
de programação de alto nível (C++, Visual Basic, etc); sistemas operacionais
largamente utilizados; banco de dados relacionais; sistemas supervisórios
(SCADA) largamente utilizados pelo mercado.
Pela avaliação do gerente, o Brasil dispõe de fornecedores de equipamentos
e softwares para sistema de automação de nível mundial. Ele também
considera que as empresas integradoras nacionais estão num bom nível
tecnológico. “Em alguns casos o ”know-how" dos processos ou dos equipamentos
industriais é importado. Mas a associação com empresas nacionais tem
dado bons resultados", disse. Por esses motivos, a Cosipa não encontrou
dificuldades para atender aos princípios pré-estabelecidos.
Durante o processo de modernização da Cosipa, vários foram os sistemas
implantados para o controle do processo. De acordo com Valdemir, hoje,
mais de 700 computadores entre estações de operação, controladores
lógicos programáveis, servidores de aplicação e de base de dados,
estão em operação na Usina. O número não inclui os computadores dos
sistemas corporativos, tais como: SAP, Planejamento e Controle da
Produção, Correio Eletrônico, etc.
A Coqueria, equipamento responsável pela transformação do carvão em
coque através do processo de destilação, estão entre os lugares mais
automatizados da Cosipa. Dois equipamentos, que totalizam 203 fornos,
são responsáveis pela produção de 1,8 milhão de toneladas de coque.
Valdemir conta que os sistemas de controle das duas baterias eram
do tipo convencional e foram substituídos por um sistema de automação
baseado na arquitetura PC/PLC, em meados de 2001. Além de centralizar
células de controle, também foram sistemas automáticos para despoeiramento,
enfornadoras e novas locomotivas para extinção do coque.
A Aciaria de nº 2 é onde concentram-se parte dos sistemas de automação
mais sofisticados. A unidade possui capacidade de produção de 4,5
milhões de toneladas/ano é dotada de máquina de lingotamento contínuo
de “dois veios”, unidade de tratamento secundário do aço, unidade
de tratamento de água e conversor.
O Laminador de Tiras a Quente (LTQ) é outro local de recentes implantações
de modernas tecnologias. Com capacidade de produção de 2,5 milhões
de toneladas/ano, o LTQ recebeu novos medidores de largura e espessura.
Hoje, o local permite operação totalmente automática o que resultou
no aumento da produtividade e qualidade.
Permitir o acesso remoto das áreas de controle foi outra preocupação
da Cosipa. Para tanto, a tecnologia Web está presente nas várias etapas
de produção do aço. Mediante senha, os usuários cadastrados utilizam-se
de conexões como DDE, SQL, Socktte TCP/IP para acessar a rede corporativa
e, através dela, acessar informações dos altos fornos, sinterizações,
carboquímicos, coquerias, pátios (minério e carvão) e, inclusive,
do porto de expedição.
Apesar da evolução significativa em seus processos, a Cosipa ainda
tem alguns investimentos para serem realizados no campo da automação.
Entre as áreas que estarão passando por futuros “up-grades” destacam-se:
máquinas de lingotamento contínuo (1, 2 e 3), recozimento nº 2, laminador
de chapas grossas e máquina de ultra-som on-line de chapas grossas.
“Estes processos ou equipamentos serão oportunamente automatizados
ou terão seus sistemas de automação modernizados”, comenta Valdemir.
A exemplo do que faz a Petrobras, a Cosipa desenvolveu algumas aplicações
caseiras com seu corpo técnico próprio. Para alguns sistemas, a empresa
adquiriu o hardware e o software básico. “Toda a integração e o software
aplicativo foram desenvolvidas internamente”.
Seguindo uma tendência da automação internacional, a Cosipa está analisando
a aplicação de redes neurais em substituição a alguns modelos de controle
convencionais. No momento, a siderúrgica está observando o comportamento
desses sistemas e, oportunamente, pretende substituir os modelos de
controle convencionais.
Na Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), único produtor nacional da
folha de flandres, um sistema implantado em 1998 destaca a empresa
no aspecto automação e controle. Desde 1965, um sistema de eletrodeposição
piloto simulava a circulação contínua das chapas de aço na solução
de eletrólito para auxiliar os ajustes dos parâmetros de processo.
O sistema era responsável por testar o desempenho de um dos componentes
do eletrólito.
Há quatro anos, optou-se por fabricar um novo sistema de eletrodeposição,
com controle por um computador de processo e placas de aquisição de
dados. O processo de eletrodeposição consiste no revestimento de chapas
de aço com estanho metálico para melhor resistir à corrosão. A corrente
contínua de eletrodeposição, tempo de eletrodeposição, temperatura
do eletrólito e velocidade chapa/eletrólito são os parâmetros mais
importantes no processo.
Entre as características do novo sistema de automação implantado,
destacam-se: malha fechada no controle de temperatura do eletrólito
PID; malha fechada no controle da corrente de eletrodeposição com
o uso de tiristores controlados em ângulo de fase; utilização de linguagem
Basic para facilitar futuras modificações do programa; controle dos
tempos de processo pelo computador eletrólito de 8 entradas digitais,
8 saídas digitais, 8 entradas analógicas e 2 saídas analógicas. As
entradas analógicas, de 12 bits, foram utilizadas para a temperatura
do eletrólito; corrente elétrica do retificador tiristorizado e velocidade
de deslocamento chapa/eletrólito. Já as saídas analógicas, de 12 bits,
foram utilizadas para o ângulo de disparo dos tiristores do retificador
e pulso PWM para chave estática do aquecedor do eletrólito. As saídas
digitais serviram para controlar o início/fim da eletrodeposição;
aquecimento/resfriamento do eletrólito; início/fim da fusão do eletrólito;
e mergulho do CP no tanque de resfriamento. O controle do tempo de
eletrodeposição e o intertravamento em linguagem Basic estão entre
os benefícios proporcionados pela automação. Além disso, a CSN encontrou
facilidade na aplicação de controles PID com rotinas simples; rapidez
de aquisição (13 us/canal) permitido respostas rápidas no controle,
feito na onda retificada; informações de tela e diagrama colorido
que permitem fácil visualização do processo; repetibilidade dos ensaios
realizados à densidade de corrente; obtenção de revestimento de estanho
metálico eletrodepositado com valores proporcionais à densidade de
corrente; obtenção de camada de liga com morfologia e ordem de grandeza
similares ao que é obtido na linha industrial.
De acordo com Resilene Mansur, gerente de sistemas de operações industriais
da CSN, os próximos investimentos em automação devem acontecer na
área de acabamento. A área, que encontra-se em um “nível básico de
automação”, visa potencializar o uso de uma ferramenta PIMS - já adquirida
pela CSN, para disponibilizar as variáveis de processo adquiridas
do campo. “Estes dados serão tratados e analisados pelo corpo técnico
nas tomadas de decisões”, diz Resilene.
Referente às novas tecnologias (otimização, inteligência artificial,
diagnoses de falhas, etc), a comunidade técnica da CSN considera que
essas estão sendo implementadas ainda de maneira tímida no Brasil.
“Este assunto está sendo tratado timidamente. Não são divulgadas ao
mercado industrial com freqüência, ficando restrita aos núcleos de
estudos acadêmicos das Universidades”, conclui Resilene.
Tentamos entrar em contato com outras siderúrgicas (CST, AçoMinas,
Usiminas e outras) para conhecer um pouco mais sobre seus sistemas
de automação. Entretanto, apenas a Cosipa e a CSN prontificaram-se
a responder aos e-mails e aos telefonemas. |
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Distribuição de computadores pelas áreas
de produção da Cosipa
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área de produção
|
computadores
|
controladores
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redução
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72
|
66
|
|
aciaria
|
66
|
128
|
|
laminação a quente
|
86
|
51
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|
laminação a frio
|
59
|
117
|
|
energia, utilidades e transporte
|
23
|
36
|
|
total
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306
|
398
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