Revista Controle & Instrumentação
Edição nº 76 Dezembro de 2002
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Cover Page
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Onde a comunicação realmente
acontece
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Quase tudo, hoje em dia, está baseado em computação
e, necessariamente, pede uma interface. O que chamamos de Interface
Homem-Máquina (IHM) deve tornar acessíveis as funções da tecnologia
em questão. “Embora o conceito varie um pouco, entendemos como IHM
um meio onde se traduz o que está acontecendo na máquina ou sistema,
de forma que sejam possíveis inputs”, comenta o professor Sergio Luis
Risso, do Senai de Campinas, cujo curso de instrumentação completa
20 anos em 2003.
“É bom separar IHM em dois pontos: o software e o hardware, este último
muito mais cotado para levar o nome de interface homem-máquina, até
porque ele também leva um software proprietário. A priori, a arquitetura
PC + supervisório também é uma IHM, mas a comunidade de automação
não utiliza essa terminologia”, afirma Marcelo Finguerman, diretor
da Dakol, empresa que representa com exclusividade fabricantes italianos
e israelenses de IHMs.
“A interface é um dispositivo que está entre o homem e a máquina.
E isso evoluiu muito. O operador e o mercado ficaram mais exigentes.
Quando começamos, há 10 anos, tínhamos apenas 10 opções. Hoje, existem
muitas opções. A própria Dakol oferece 50 modelos diferentes de IHM”,
continua Marcelo. A Dakol, com toda a evolução tecnológica, diminuição
de custos, equipamentos mais compactos, mais clean , trouxe para o
país uma IHM com CLP incorporado, que atende bem pequenas aplicações
— que podem chegar até a 160 pontos com opcionais de mais módulos
de expansão. Mas IHM ligada a um CLP externo continua sendo o ideal
para médias e grandes aplicações. |
| Painel antigo, no Senai de Campinas |
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A IHM tem vários formatos, desde um dispositivo
isolado até um computador, neste último caso, a comunidade de instrumentação
já começa a diferenciar porque, embora um PC, com teclados ou touch
screen e monitor seja uma interface, ele é mais comumente denominado
de estação de controle, ou console de operação. Mais que cultural,
essas denominações decorrem da evolução da tecnologia.
Todo sistema, da pneumática até hoje, possui um dispositivo de interface,
onde o operador controla a máquina, e o processo. A IHM é como uma
janela para o equipamento ou sistema. Existem os chamados equipamentos
cegos, sem aquilo a que os profissionais classificam de IHM, com pouca
ou nenhuma informação no frontal, colocado, normalmente, atrás do
painel. Mesmo instrumentos com leds para mostrar status são, hoje,
considerados cegos. Em contrapartida, as IHMs podem mostrar todo o
processo interno, podem ser conectadas a qualquer equipamento e nos
mostram o que acontece no processo ou máquina.
IHM sempre existiu, mas evoluiu no aspecto, na funcionalidade e nos
recursos. Hoje, é um microcomputador porque tem memória, CPU e até
um CLP incorporado para controle e todo sistema microprocessado precisa
de um software. Alguns equipamentos têm apenas recursos de texto,
outros têm formato gráfico e a utilização de um ou outro vai depender
da necessidade do que se precisa monitorar e do custo — cerca de três
vezes maior na interface gráfica.
O custo é um fator importante e decisivo para manter um equipamento
cego já que, hoje, pode-se colocar uma IHM em quase qualquer ponto.
Existem CLPs com IHM incorporados, para pequenas aplicações; nos grandes
processos, com muitas e críticas variáveis, os dados do CLP precisam
ser visualizados de outra forma, em uma outra interface, o que não
exclui a possibilidade e/ou necessidade de uma ou várias IHMs no campo.
O hardware muda, muda o software, muda o custo... Algumas IHMs trazem
todos os recursos de configuração em si enquanto outras precisam que
sua configuração seja feita através de um computador. “Se a gente
precisa apenas de valores, seria um desperdício ter uma IHM gráfica.
Quando se usa o formato gráfico, é porque existe um sistema de supervisão
e controle e, se está usando um conjunto como esse, com muito mais
recursos que uma IHM propriamente dita, normalmente se dispensa esta
última, a não ser quando, por questões geográficas ou segurança, mesmo
possuindo um supervisório, precisa-se ofertar algumas informações
para o operador de campo”, comenta o professor Sérgio. |
| Um instrumento pneumático possuía interface com visualização
e inputs possíveis |
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A tendência é que os terminais de programação
sejam substituídos por notebooks, palm tops ou PC comerciais — que
podem ser usados para configuração e para gerenciamento, fazendo as
vezes de IHM. O professor do Senai lembra que “se você usa um terminal
de programação para a configuração, um equipamento X pede uma interface
X; com um notebook, a configuração fica mais simples, na medida em
que se carrega apenas o software do equipamento X, do Y, do Z...”
Mesmo com os sistemas abertos, equipamentos inteligentes e intercambialidade
entre marcas, o impacto nas IHMs gráficas é quase nenhum. Hoje, um
software de configuração, mesmo que proprietário, possui os drivers
das diversas marcas de equipamentos, ou seja, um tradutor. Assim,
se o caso for de simples substituição, o desenho não muda. As redes
industriais, mesmo abertas e com vários formatos, permitem que algumas
IHMs se conectem simplesmente trocando um cartão. Uma condição nova
é o uso da Internet para obter informações ou operar uma planta remotamente.
Nesse caso, existe um software para configuração ou supervisão; a
idéia de IHM, então, é a de um micro para interface do processo.
Não existe sistema de automação sem IHM mas ela vai ser utilizada
em função da aplicação: alguns processos só vão utilizar supervisório
com interface nos PCs; outros, irão usar IHM, e ainda existe a possibilidade
de coexistência dos diferentes tipos de IHM. Uma unidade completamente
automatizada, desabitada e operada remotamente, vai usar o supervisório
com certeza; pode ter uma IHM nos equipamentos de campo para o caso
de manutenção, mas também pode usar, para manutenção, um notebook
como IHM. “A evolução da tecnologia foi acompanhada pelo Senai, que
possui desde a pneumática até a digital e está incorporando as novas
tecnologias de redes. O Senai tem interfaces antigas, com displays
de sete segmentos, possui IHMs de cristal líquido, PCs e IHMs formato
texto e gráfico. Os alunos saem preparados para encarar o que quer
que encontrem”, afirma o professor Sérgio. O curso de instrumentação
do Senai de Campinas tem duração de dois anos e carga horária de 1600
horas. A escola oferece esse mesmo curso fechado para empresas. Os
50 modelos que a Dakol oferece têm o diferencial de usarem todos o
mesmo software, que tem comunicação com os drivers de 130 CLPs existentes
no mercado e, segundo seu diretor, toda vez que um fabricante lança
um novo modelo, a empresa busca seus protocolos para manter essa característica.
Hoje, ela já disponibiliza a IHM Web Server — que pode ter um acessório
com endereço IP e disponibilizada na Internet. Isso requer maiores
cuidados com a segurança e é um conceito ainda a ser trabalhado.
Quando se fala em IHM “pura”, com seu software, em tese, tomando por
base a forma de comercialização da Dakol, o hardware pode ser mudado
a qualquer momento. No caso da arquitetura que usa um PC com sistema
de supervisão, tem-se que comprar o hardware e a licença do software.
A configuração existe em ambos, e os dois tipos de arquitetura devem
continuar coexistindo porque são aplicações diferentes. Da mesma forma
como ainda existem botões de travamento, mas não painéis de botões.
E quando a visualização “trava”? É preciso verificar se o problema
é no equipamento ou na IHM – geralmente é problema de software. Algumas
arquiteturas facilitam descobrir as causas dos problemas; outras dão
mais trabalho. Quanto mais sofisticado o software mais recursos o
operador terá para detectar problemas no processo.
Todas as necessidades do cliente devem ser bem interpretadas pelo
engenheiro/integrador responsável pelo projeto de automação. E para
isso os integradores têm se especializado, o que facilita a vida dos
fabricantes, diminuindo as dúvidas. A especialização é muito importante
porque o programador tem que pensar em todas as possibilidades de
incidentes também.
Vale lembrar que o lado emocional dos operadores conta pouco na mudança
ou escolha das interfaces que não mudam ao sabor da moda – apenas
quando se estão fazendo alterações no processo, otimizações ou ampliações.
Normalmente, a cada cinco anos se repensa um bom investimento e então
procura-se um CLP mais preciso, uma interface mais amigável. A IHM
é uma conseqüência da modernização de processos e controles e a experiência
mostra que o design é, muitas vezes, conseqüência do pedido de algum
grande cliente que depois vai para a prateleira, diluindo custos.
A customização de painel é possível, mas encarece o produto, por isso
não é muito solicitado no Brasil. “Uma boa interface ajuda no bom
monitoramento, aprimora a supervisão do operador, e permite que ele
faça mais análises e mais apuradas. Antes, o olho fixado na tela era
a verdadeira interface. Hoje, além de menos cansativo, a IHM possibilita
que a inteligência do sistema se manifeste em tempo real e mais precisamente,
levando a atenção do operador para a qualidade do produto ou do processo,
em busca de melhorias”, ressalta Marcelo. |
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