Revista Controle & Instrumentação – Edição nº 78 – Março de 2003
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É preciso muito mais que supervisionar e controlar...
Somente a partir do final dos anos 80 os softwares para supervisão e controle - até então vistos como muito dedicados e inacessíveis - começaram a sofrer uma forte tendência de migração para plataformas PC. Facilidade de acesso, redução de custo e aumento da facilidade de uso foram algumas das vantagens adquiridas pelas empresas que já utilizavam ou que tinham interesse em implantar no chão-de-fábrica de suas indústrias estes tipos de ferramentas e aplicativos.

Hoje, já se pode dizer – até com certa tranqüilidade –, que a plataforma Intel com Windows é predominante no mercado de supervisão e controle. E isso ocasionou um impacto importante no mercado: o de que “as tecnologias básicas que são utilizadas pela grande maioria dos softwares de supervisão e controle são fundamentalmente as mesmas, aquelas definidas e padronizadas pela Microsoft”, ressalta Luiz Roberto Egreja, gerente de serviços da Inty Alliance – ou Inty Automação Industrial –, que é distribuidora exclusiva no Brasil dos softwares da Intellution, empresa adquirida recentemente pela GE Fanuc.

De acordo com Egreja, considerando algumas exceções, se olharmos o mercado de software de supervisão e controle do ponto de vista de plataforma tecnológica, encontramos poucas diferenciações, isso porque todos adotaram a plataforma Windows.

Ou seja, tecnologicamente, é comum encontrarmos muita semelhança entre os produtos que estão no mercado. Por outro lado, eles diferenciam-se no quesito funcionalidade. Os primeiros exemplos foram surgindo com o tempo: o software de determinada empresa fazia um tipo de gráfico, um determinado tipo de tratamento de informação ou determinada consulta, que outro de outra empresa não fazia.

“Ao longo de 15 anos, qualquer produto de tecnologia tende a chegar a um estágio onde as funcionalidades básicas se tornam muito semelhantes. O que justifica dizer que, atualmente, é muito difícil encontrar um software que gera um tipo de alarme, ou faz um tipo de gráfico que um outro não faz. Todo mundo já “descobriu” o que usuário precisa e colocou em seus pacotes”, diz Egreja.

Para o gerente de serviços da Inty, o que diferencia um produto do outro, ou faz a diferença entre as empresas de hoje, não é somente a tecnologia ou a funcionalidade, mas outros fatores mais importantes. “Um deles é o que eu chamo de adequação ao uso, ou seja, você pode pegar a mesma tecnologia e com ela desenvolver um produto que tenha a mesma funcionalidade, o que não significa que os dois produtos que utilizam a mesma tecnologia para fazer a mesma coisa, sejam igualmente bons”.

Para ele, aspectos de confiabilidade, performance e facilidade de uso fazem com que a mesma tecnologia para a mesma função seja implementada de forma completamente diferente, o que pode fazer com que uma delas se torne muito mais adequada de ser utilizada do que a outra. “Seria mais ou menos como dizer que todo automóvel tem motor, quatro rodas e serve para você ir de um lugar para o outro. Isso não significa dizer que um Fusca é igual a um Mercedes”, ressalta.

Hoje tornou-se essencial analisar, além de tecnologias básicas e funcionalidades, a forma, capacidade e competência que cada empresa tem de aplicar essa tecnologia, para fazer com que aquelas mesmas funções sejam mais adequadas, fáceis e confiáveis de utilizar. “Todo mundo tem motor, câmbio e quatro rodas, mas alguns andam a 80Km/h e outros a 200Km/h”, complementa.

A segunda coisa que Egreja considera fundamental é que o sistema de supervisão e controle, até pouco tempo utilizado por diversas indústrias com o objetivo muito limitado - de permitir que o operador responsável pelo processo enxergasse o que estava acontecendo naquele pedacinho do processo, que era responsabilidade dele -, passe a ser visto como fonte de informação básica para uma série de outras aplicações, que vão disponibilizar informação para diversos usuários que precisam tomar decisões em níveis muito mais estratégicos na empresa. Egreja ressalta que as empresas estão percebendo que garantir que o processo vai funcionar de uma forma segura e confiável, ou seja, garantir que a “caldeira não vai explodir”, não é o suficiente para ser competitivo. Para ele, o simples fato de que a “caldeira não explodiu” e de que a composição do seu produto não variou - coisas que o software de supervisão ajudava a fazer até pouco tempo atrás -, não são suficientes para garantir que o seu custo seja competitivo, que a sua empresa responda rápido às mudanças e que você consiga colocar rapidamente um produto novo no mercado.

“É como se estas empresas estivessem percebendo que, naquele sistema, existem muitas informações sobre o que está acontecendo na fábrica e que poderiam ser mais úteis se não estivessem disponíveis só para o operador na sala de controle, mas também para o pessoal de qualidade, de engenharia, para o gerente de produção e para um monte de outras pessoas na empresa”, enfatiza.

O impacto é que aqueles sistemas que já possuíam um conjunto de funções mais ou menos definidos e quase standard, passam a ter uma outra importância: a de que essa informação tem que ser disponibilizada de outras formas, com outros padrões e outras ferramentas, para outros usuários. “Hoje o importante é como eu consigo pegar a informação e disponibilizar para o resto da empresa. A conectividade, o atendimento a outros padrões que vão além dos de chão-de-fábrica, começam a ser fatores de diferenciação.

Quanto à interferência do usuário, o gerente de serviços da Inty ressalta que, dependendo do sistema de acesso e de segurança que se possui, isto pode até ser permitido. “O usuário pode - se for do interesse da empresa - simplesmente visualizar ou atuar sobre o sistema. Isso é uma questão que você configura em função do perfil de cada usuário”, ressalta. Existem vários produtos e tecnologias que permitem fazer isso, desde web service, que simplesmente converte a informação para páginas html, até tecnologia de terminal service, que permite que você tenha acesso a todos os recursos de outra máquina remotamente.

Contudo, é importante lembrar que certas decisões não dependem só da informação em tempo real, mas também de uma informação histórica do processo, analisada segundo critérios estatísticos, financeiros, entre outros. “Em vários critérios você pode usar dados históricos para analisar e tirar conclusões de apoio à sua decisão. Nosso iHistorian, por exemplo, permite coletar e registrar a informação de todo o processo, independente de se originar num software de supervisão nosso ou no SDCD de outra empresa ”, diz.

Um outro grande diferencial citado por Egreja entre as fornecedoras de softwares de supervisão e controle é a questão dos serviços agregados ao produto. “Como você consegue atender esta base de clientes, fazer com que todos usem corretamente o produto e tenham as melhores aplicações, instalações, etc ?”, pergunta.

“Eu posso ter as melhores tecnologias, a melhor funcionalidade, os melhores produtos, mas se eu não conseguir ter acesso ao produto, não conseguir comprar o produto, não souber que ele existe; se eu não tiver como instalar, como treinar o meu pessoal; se eu não tiver quem me auxilie a resolver qualquer problema que eu possa ter durante uma aplicação ou durante o desenvolvimento de um sistema, tudo isso não vai servir de nada”, conclui.
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