Revista Controle & Instrumentação – Edição nº 79 – Abril de 2003
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Volksvagen investe em água
A ETE da VW tem CLP Siemens e equipamentos de fornecedor multivendor para projeto BOT
Dentro da filosofia de ser a empresa mais moderna, mais inovadora e mais rentável do país, a Volkswagem, unidade Taubaté (SP), é a primeira empresa do Cone Sul a ter uma unidade de tratamento de efluentes automatizada com capacidade de 100 milhões de litros /mês. A montadora acabou adiantando-se às novas taxações de captação e descarte da água ao seguir a sugestão do departamento de meio ambiente para buscar tecnologia para tornar possível o reuso da água industrial.

A unidade já foi construída com uma pequena estação de tratamento para descarte da água no Rio Paraíba, mas, passados 30 anos, o consumo da região cresceu muito. Durante o racionamento de energia de 2001, a Sabesp solicitou à VW um estudo para o melhor aproveitamento dos recursos hídricos da região, o que gerou o projeto para reuso.

Quatro empresas apresentaram tecnologias durante a concorrência e a Hidrogesp foi a vencedora para fornecimento, em regime de Building Operate and Tranfer, com performance assegurada, da nova e automatizada ETE da VW, em Taubaté. O contrato é de cinco anos e a própria Hidrogesp vai operar a estação, sendo remunerada pela vazão medida. “Já estamos com 70% de reaproveitamento”, afirma Jorge Luiz Ramalho de Campos, supervisor de manutenção da VW de Taubaté.

A Hidrogesp investiu em torno de US$ 5 milhões e a VW remunera pelo tratamento da água, em metros cúbicos. Jorge lembra que esses 70% são o mínimo de reaproveitamento pelo sistema. Eles têm que fornecer a água com a qualidade determinada para o processo, pois uma contaminação gera refugo muito grande e eles têm que assumir com esses custos.

Para dar conta do projeto, a Hidrogesp trabalhou com outras duas empresas, a H2O — de propriedade de um engenheiro aposentado da Sabesp — e a Centroprojekt, uma empresa de origem germano-suíça que possui, na Europa, projetos semelhantes. Segundo Michel Marcondes, gerente de engenharia da Centroprojekt, a automação da nova ETE foi feita de forma simples, focada nas necessidades do projeto. Utiliza painel com CLPS7314 da Siemens, sistema de supervisão Siemens Protool, entradas digitais 24 Vcc, saídas digitais relé e I/Os analógicas em 4-20mA. O protocolo utilizado para a comunicação entre o CLP e o supervisório é o MPI. O gerente da Centroprojekt lembra, ainda, que foram utilizados instrumentos Emerson para medição de vazão e medição de nível — instrumentos convencionais, com saída 4-20 mA. São aproximadamente dez malhas, entre vazão, nível e dosagens de produtos químicos. Somando a filtração mais a osmose reversa, são 99 DI, 54, DO, 26AI e 3 AO.

Esse pool de empresas é responsável pela maior Estação de Tratamento de Efluentes da VW, seguida de uma planta no México, que trata 40 mil metros cúbicos por mês. A maior parte das plantas possui pequenas instalações de tratamento de efluentes e ainda unidades de tratamento específico em alguns setores da linha de montagem. Em Taubaté, envolveu-se a fábrica toda: usa-se a água no processo, para lavar piso, em jardinagem, nos banheiros e, por razões culturais, não será utilizada na cozinha. A qualidade da água é controlada com a instrumentação analítica on line e pelo laboratório montado para comparação e calibração dos instrumentos de campo.

Existe um reservatório de água potável — captada — com um sistema próprio de tratamento — necessário para o processo —, diferente da água de reuso. Quando essa água cai no sistema de esgoto industrial ou biológico, carreia para o sistema de reuso. Esses são os 30% que completam o total de água utilizada, são a troca da água de reuso para não saturar o processo que consiste numa ultra-filtração para retirar os sólidos suspensos da água que pode, então, ser usada nos banheiros, jardinagem e parte do processo de pintura. Mas algumas áreas do processo pedem uma água desmineralizada e, então, a água ultra-filtrada passa pela osmose reversa. Logo, todo o processo passa a receber água mais pura.

O confronto entre o custo da água potável e o da água de reuso foi um estímulo a mais para o projeto, pois, deixando-se de captar 70 mil metros cúbicos por mês economiza-se algo em torno de R$ 200 mil a cada 30 dias! Sem contar com os ganhos não mensuráveis como os ambientais e os ligados ao relacionamento com a comunidade.

A unidade da VW faz parte do GPMA - Grupo de Proteção ao Meio Ambiente do Vale do Paraíba que discute leis, normas, problemas e soluções para o meio ambiente da região. O projeto da nova ETE foi apresentado em uma reunião e deve dar bons frutos ambientais. “É difícil reduzir nosso consumo de água, pelas características atuais do processo mas a gente tem que ter consciência, se preparar para o futuro e proteger o meio ambiente”, finaliza Jorge Luiz Ramalho de Campos, supervisor de manutenção da VW de Taubaté.
Edição 79 - Abril de 2003

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