| Revista Controle & Instrumentação
Edição nº 81 Junho de 2003
|
|
Cover Page
|
Nascem novas diretrizes para o avanço
da
Metrologia brasileira |
Não há como negar que, além de essencial para a vida humana, a metrologia
é diversificada, abrangente, envolve várias disciplinas e um amplo
leque de necessidades dos usuários - com grande número de particularidades.
No atual mundo industrializado as operações metrólogicas representam
cerca de 5% do PIB.
Com o objetivo de prover confiança para as medições, a metrologia
também tornou-se um dos assuntos mais abordados no Brasil. Para debater
as principais inicitivas da área, recentemente, especialistas do setor
reuniram-se no Enqualab 2003 - Encontro para a Qualidade de Laboratórios,
promovido pela Rede Metrológica do Estado de São Paulo. “Atualmente
existe uma conscientização muito maior sobre a importância da metrologia
no Brasil, fruto principalmente da necessidade de se demonstrar confiabilidade
nas medições em um grande número de situações, que impactam a economia,
a saúde do cidadão, os direitos do consumidor e a preservação do meio
ambiente, por exemplo”, diz o diretor de Metrologia Científica e Industrial
do Inmetro, professor João Alziro Herz da Jornada, um dos palestrantes
do evento.
Segundo Jornada, o fenômeno da globalização gerou uma grande demanda
por uniformidade nas medições, e portanto por referências metrológicas
aceitas internacionalmente. “No comércio exterior, as antigas barreiras
tarifárias estão sendo drásticamente reduzidas e a proteção de mercados
nacionais é, muitas vezes, feita pelas chamadas ”barreiras técnicas",
onde sutilezas com relação a aspectos metrológicos desempenham papel
importante", ressalta.
Considerada a base física da qualidade, a metrologia é também fundamental
para a competitividade, tanto como ferramenta para a qualidade como
um importante fator de inovação tecnológica - quer em processos produtivos,
quer em produtos. O governo também mostrou que está engajado: o Ministério
do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior (MIDC) e outras importantes
instâncias do Governo Federal, elaboraram recentemente o Roteiro para
Agenda de Desenvolvimento, onde a metrologia aparece com destaque.
Mas, nem sempre, este assunto foi tão reconhecido e discutido como
hoje. Nos últimos anos, houve uma considerável melhora na infra-estrutura
metrológica brasileira, tanto no Inmetro - que completa 30 anos este
ano-, como no grande número de laboratórios prestadores de serviços
de calibração e ensaios, além daqueles do “chão de fábrica”, nas empresas.
“Com relação especificamente ao Inmetro, logrou-se uma substancial
melhora nos laboratórios, com recursos dos fundos setoriais e da própria
instituição”, diz o professor. Entre as mudanças que se destacam estão:
a implantação da Divisão de Metrologia Química, que já está funcionando
com padronização primária de pH e importantes trabalhos com as técnicas
de cromatografia e espectrometria de absorção atômica; a entrada em
operação da Divisão de Metrologia de Materiais; a instalação de um
radiômetro criogênico permitindo padronização primária em intensidade
luminosa; a recente aquisição de um gonio-fotômetro para padronizações
primárias na área de fotometria - fundamental para prover rastreabilidade
às avaliações de desempenho de lâmpadas e luminárias; a instalação
do laboratório de torque; entre outros.
Quando o assunto é Metrologia Industrial observa-se uma considerável
ampliação no número de grandezas, que exigem um maior rigor metrológico
para seu controle, especialmente no domínio da química. Por outro
lado, segundo o professor, observa-se também uma redução das incertezas
da medição em praticamente todas as grandezas demandadas pela indústria.
“Um aspecto também digno de nota é o maior rigor exigido no trato
das incertezas de um aspecto fundamental das medições, que é a avaliação
das incertezas. Um outro é a crescente importância de ensaios de proficiência
como instrumentos para estimular e demonstrar a qualidade de laboratórios
responsáveis por calibrações e ensaios. A extensão da abordagem metrológica
para as áreas da biologia e saúde é um processo muito importante que
agora está se estruturando em sua plenitude”, ressalta.
Há uma outra coisa que não se pode negar: a metrologia brasileira
está se firmando rapidamente no cenário internacional, e o país está
cada vez mais presente em importantes fóruns internacionais ligados
ao assunto. Segundo Jornada, além do BIPM, cabe destacar a ativa participação
brasileira no SIM (Sistema Interamericano de Metrologia), que congrega
os institutos nacionais de metrologia das Américas. Juntamente com
o México, o Brasil exerce uma reconhecida liderança em metrologia
na América Latina. “O Inmetro, como um órgão fundamental para a metrologia
brasileira, tem realizado um intenso trabalho no sentido de se desenvolver
segundo os paradigmas consagrados nos países mais avançados, onde
o Instituto Nacional de Metrologia não é apenas um depósito de padrões,
mas um lócus de conhecimento avançado e um poderoso instrumento de
política industrial e de desenvolvimento”, diz.
Recentemente foi aprovado o documento “Diretrizes Estratégicas para
a Metrologia Brasileira 2003/2007" , que segundo Jornada, teve uma
excelente repercussão. ”O que não é de causar surpresa, tendo em vista
que ele foi gerado num amplo processo de participação, onde aparecia
claramente a necessidade de um instrumento dessa natureza, não apenas
para orientar ações e estimular sinergias, mas também para estabelecer
uma clara base conceitual, orientada pelas mais consagradas experiências
da comunidade internacional". |
|
News
Queda nas encomendas de máquinas e equipamentos
Ministro e presidente da Abimaq discutem exportações e inovação
tecnológica
Market
Novo Parque Tecnológico em São Paulo
Senai recebe equipamentos do Programa Educacional Atos
Flash
Profibus: um dia inteiro para estudo de casos
Special
Tecnologia Coriolis: o segredo da Micro Motion |
|