| Revista Controle & Instrumentação
Edição nº 83 Agosto de 2003
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Cover Page
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| Processos em batelada estão cada vez
mais automatizados |
| Rocha: Flexibilidade na elaboração
e manutenção das receitas
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A humanidade conhece processos em batelada desde que aprendeu a
cozinhar nas cavernas. Atualmente, uma infinidade de produtos é
fabricada em batelada nas indústrias química, farmacêutica,
alimentícia, de produtos de consumo, higiene pessoal etc. Só
na indústria alimentícia, estima-se que mais de 80%
dos processos sejam em batelada.
Estes processos apresentam desafios do ponto de vista de automação,
uma vez que combinam problemas típicos de processos contínuos
com processos discretos. Outros aspectos contribuem para tornar a
questão ainda mais complexa, tais como a necessidade de programação
e gerenciamento da produção, de registro dos dados de
produção e qualidade de cada batelada, de rastreabilidade
etc. Em suma, processos em batelada sempre representaram um grande
desafio para os profissionais de automação.
Somado a estas questões técnicas, temos hoje um ambiente
de competitividade que torna os requisitos de qualidade, produtividade
e custo das empresas cada dia mais severos. As plantas devem ser capazes
de produzir uma grande variedade de produtos, assegurar qualidade
consistente, apresentar grande eficiência e baixo custo de produção.
Além disto, devem ser flexíveis para acomodar rapidamente
os novos produtos que são lançados a um ritmo nunca
visto.
Para que tudo isto seja possível, os sistemas de automação
de bateladas devem ser flexíveis, apresentar uma ampla funcionalidade,
ser confiáveis e ter alta performance, ser escaláveis
para acomodar diversos portes de aplicação e suas eventuais
expansões, além de permitir a implantação
e a alteração das aplicações de forma
rápida e a um baixo custo.
Isto só seria possível a partir de uma padronização
de funcionalidades e de terminologias que criassem um mercado de maior
porte, atraindo grandes empresas de software para o desenvolvimento
de tais ferramentas, eliminando, assim, o risco e o alto TCO (Total
Cost of Ownership) associado às soluções proprietárias.
Esta padronização já vinha sendo tentada pela
indústria há muitos anos, mas foi a publicação
da norma S88.01 da ISA, em 1995, que consolidou este esforço,
abrindo espaço para uma verdadeira revolução
na forma de se automatizar, gerenciar e controlar processos em batelada.
Em 1999, o comitê SP88 da ISA publicou a norma S88.02 que define
modelos, terminologias e estrutura de dados para armazenamento de
receitas e dados de produção. Esta tecnologia facilita
a troca de dados entre sistemas dentro da mesma empresa. Baseado na
normas S88 e também na norma ISA S95, o World Batch Fórum
(www.wbf.org) desenvolveu a linguagem B2MML (Business To Manufacturing
Markup Language) e BatchML (Batch Markup Language) para facilitar
a troca de dados entre aplicações, facilitando a integração
do sistema de batelada com outros sistemas utilizados na indústria
como por exemplo, sistemas de gestão de ERP (SAP/Baan/etc).
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| (da esq. p/ dir.) Paulo Cerione, GE Fanuc
Batch Specialist da Aquarius Software, e Cláudio Romero,
da Klan Automação Industrial
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A transferência de tudo o que está em papel para um
computador pode parecer algo comum; mas para a Tintas Coral isso representou
um importante avanço nas atividades da empresa. No ano passado,
a Coral adotou o iBatch, da GE Fanuc Automation distribuído
no Brasil pela Aquarius Software, como sistema de gerenciamento e
execução das ordens de serviço em sua planta
de Sintéticos, localizada na fábrica de Mauá
/SP. O sistema ainda está em sua primeira fase de implementação
num processo pequeno, mas complexo, onde três Units
(dosadoras) estão sob o comando do iBatch.
A planta de Sintéticos - responsável pela produção
de óleos e sintéticos, como o Coralit - entrou em operação
em 1996, utilizando o sistema de supervisão FIX32. Na
época, tínhamos máquinas dosadoras da Fluid Management,
que já possuíam um sistema de controle, diz o
chefe de Produção da Planta de Óleos e Sintéticos
da Tintas Coral, Sérgio Oliveira Rocha. Segundo ele, este sistema
não era exatamente o que a empresa precisava.
Com a implantação do iBatch e o upgrade do FIX32 para
iFIX, a Tintas Coral buscava otimizar ainda mais sua produção.
Seu uso permitiu a estruturação da solução
conforme norma ISA S88.01 - que criou a padronização
necessária para que a automação modular de bateladas
(MBA) pudesse ser tratada de forma consistente, independente do tipo
de indústria, do porte ou da complexidade do processo.
Desde então, o sistema passou a abranger operações
como: recepção, via rede, das ordens de fabricação
do sistema de PCP - as ordens de fabricação, contendo
as matérias primas e as quantidades, que são carregadas
em receitas pré-definidas no iBatch utilizando a linguagem
BatchML (Business To Manufacturing Markup Language), de acordo com
o código do produto a ser fabricado; a alocação
de cada receita em determinada Unit para fabricação,
através do Client do iBatch; o seqüenciamento
das dosagens de matérias-primas, através de comandos
do iBatch para os CLPs de controle; o status de cada ordem de
fabricação alocada para execução passou
a ser enviado para IHMs nas máquinas, onde o operador
pode iniciar ou interromper a execução da mesma; os
reports de produção são retornados via rede ao
sistema de PCP, onde as quantidades reais dosadas serão
abatidas do estoque de matéria prima mantendo, assim, um controle
absoluto da matéria prima utilizada, comenta Paulo Cerione,
GE Fanuc especialista em batelada da Aquarius Software e editor do
fórum www.batch.com.br.
Os ganhos desta implementação vão desde flexibilidade
na elaboração e manutenção das receitas,
menores tempos de setup de máquina e execução
das ordens de produção, além da obtenção
de dados reais de produção confiáveis. Um
de nossos principais problemas, antes do iBatch, era ter que digitar
todas as receitas. Tínhamos que fazer cada alteração
manualmente, num sistema fechado, diz Rocha. Hoje, a divisão
já recebe as receitas prontas e qualquer alteração
necessária é feita no computador e reconhecida pelo
sistema, que faz a modificação e providencia automaticamente
o produto. Com a implantação do iBatch, o tempo e a
confiabilidade de produção foi reduzido principalmente
pelo fato de não haver mais a necessidade de digitação
manual das ordens de fabricação.
Atualmente, os técnicos da planta de sintéticos também
podem usufruir da integração existente entre o sistema
iBatch e o ERP, da Coral. Essa integração faz com que
as ordens de produção (onde toda matéria prima
é requisitada para a produção de determinado
produto) sejam baixadas automaticamente pelo sistema. No anterior
era necessário que fizéssemos manualmente todas as baixas
dos produtos requisitados no sistema. Hoje, tudo o que passa pela
dosadora é automaticamente baixado na ordem de fabricação.
O novo sistema foi testado e totalmente implantado no início
do mês de setembro.
De acordo com Cláudio Romero, da Klan Automação
Industrial - integrador da Aquarius Software e responsável
pela implantação do iBatch na Tintas Coral - a comunicação
com o ambiente externo - sistema gerencial - é feita através
de Rede Ethernet e a comunicação com as máquinas
de controle de campo é via Profibus. A função
do iBatch, na Coral, é pegar as ordens de produção
que vêm do sistema de gerenciamento de produção,
alocar para produção em uma Unit", seqüenciar
e enviar os comandos para o CLP efetuar a dosagem dos produtos e depois
efetuar os reports de material utilizado. São os supervisores
da produção que vão definir toda a seqüência
de execução, de tal forma que se otimize a ocupação
das máquinas em conjunto com a alocação dinâmica
efetuada pelo iBatch, fazendo uso da possibilidade de paralelismo
ou seqüenciamento de execuções das etapas ,
lembra Romero.
Quando as ordens de produção vêm do sistema de
gerenciamento, são disponibilizadas diretamente na tela do
iBatch para o operador, que determina a prioridade em que aquelas
receitas serão executadas e dispara a produção
de cada uma. Todo resultado desse seqüenciamento é
gravado e mandado de volta para o sistema gerencial, que vai dar a
baixa no estoque, lembra Romero. Na planta de sintéticos,
optou-se por fazer a importação diária das ordens
de produção do sistema ERP.
A dosadora é o equipamento que recebe a maioria das entradas
de matéria-prima necessárias para se obter, no final,
um determinado produto. O iBatch controla o produto que vai ser dosado,
na quantidade e na seqüência correta. Ele recebe
um documento do gerenciamento de produção onde consta
uma lista dos produtos - na seqüência em que têm
que ser dosados e a quantidade de cada um - e executa estes comandos,
baseado sempre em receitas pré-definidas, diz o integrador.
Hoje, para se substituir a produção de um produto por
outro, não é necessário fazer nenhum ajuste de
máquina. A própria receita quando vem do gerenciamento
de produção, traz todos os dados que a máquina
necessita para se adaptar e fabricar determinado produto. Não
existe perda de material durante a troca de cor, ressalta Romero.
Segundo ele, no processo anterior, por problemas relativos a forma
manual de operação, freqüentemente passava-se da
quantidade a ser dosada de um produto, causando problemas na produção.
A planta de sintéticos trabalha cerca de 16 horas por dia,
em dois turnos de 8 horas. Eventualmente, em época de pico
- entre agosto e dezembro - chega a trabalhar 24 horas por dia. Nesta,
o controlador iBatch coordena as dosadoras, sendo que uma delas faz
a medição para os tanques de grandes bateladas, de 10
a 20 mil litros e uma outra, para os tanques de média
batelada, que vão de 3 a 10 mil litros. Depois da dosagem,
o produto vai para o piso inferior da planta, onde é envasado.
Para que a implantação do iBatch não gerasse
dificuldades para os operadores, foram realizados treinamentos com
intuito de instruir sobre a norma ISA S88.01, e foi disponibilizada
na tela do computador uma cópia das informações
contidas na antiga ordem de produção (em papel), aproveitando
até mesmo o formato e posição dos campos, entre
outros.
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