Revista Controle & Instrumentação – Edição nº 84– Setembro de 2003
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Celpe moderniza subestações
Com o objetivo de chegar a 2004 com 100% de suas subestações automatizadas, a Companhia Energética de Pernambuco (Celpe) está investindo, neste ano, cerca de R$ 600 mil num programa de automação de mais duas de suas subestações que estão localizadas nos municípios de Camocim de São Félix e Paudalho. Responsável pelo atendimento de cerca de 2 milhões e 200 mil clientes, a Companhia atende 186 municípios e investe fortemente para prestar um serviço de qualidade. No último ano, a Celpe construiu 134 quilômetros de linhas de transmissão, 245 km de alimentadores, 740 km de redes de distribuição e eletrificou mais 21 mil propriedades rurais. Responsável por uma demanda de 18,3% do consumo da região Nordeste - a Companhia vem consolidando seu projeto de transformação, alcançando níveis de eficiência que a situam entre as melhores distribuidoras de energia do Brasil.

As modernizações estão sendo realizadas em parceria com a Automat Engenharia de Automação, empresa com sede no Paraná, que é formada de pessoal oriunda da Copel, com a qual a Celpe tem fechado diversos contratos desde 1998. Em 2003, a Automat destacou-se como uma das três empresas vencedoras do Prêmio Finep de Inovação Tecnológica na categoria Pequena Empresa.

“As mudanças são significativas. Estamos fazendo retrofit de equipamentos antigos (religadores, disjuntores, reguladores de tensão) e digitalizando os mesmos. Neste processo, ocorre uma descaracterização do comando do equipamento, segundo o modelo originalmente fornecido pelos fabricantes e instalação de um novo painel digital de proteção comando e controle”, diz o gerente do Departamento de Automação e Telecomunicações da Celpe, Bruno Regueira. Segundo ele, entre as melhorias proporcionadas pelo processo, estão ainda a melhoria da malha de terra e as atualizações no sistema de comunicação, além da unificação dos comandos para religadores e disjuntores, implantação de lógicas de alívio e recomposição de carga, limpeza de barra, controle de tensão e reativo. Sendo algumas das lógicas desenvolvidas apenas no nível da subestação e outras envolvendo também o próprio supervisório. Toda a comunicação entre as subestações e o centro de controle é própria e suprida por sistema de telecomunicação próprio, utiliza o DNP3.0 como protocolo de comunicação, além do Procome. Com todas as modernizações planejadas, a Companhia deve chegar ao final deste ano com 112 das 120 subestações automatizadas.

Além do programa de automação, a Celpe também está colocando em operação ainda este ano três novas subestações. Os investimentos, que chegam a R$ 15 milhões, têm o objetivo de garantir melhor qualidade no fornecimento e maior segurança no sistema da Companhia.

Estas novas subestações começaram a ser construídas em 2002 e estão localizadas uma em Recife (SE Beberibe) e as duas outras nos municípios de Jaboatão dos Guararapes e Exu.

A subestação Beberibe, que demandou R$ 3 milhões, entrou em operação assistida em janeiro. Ela vai beneficiar 150 mil habitantes em seis bairros das zonas Norte e Noroeste do Recife e foi projetada objetivando uma futura expansão para o dobro da capacidade, passando a 40 MW - o que vai exigir a instalação de mais cinco circuitos alimentadores.

Já em Exu, a subestação, com capacidade de 12,5 MVA e tensão de operação 69/13,8 KV, passou pela fase de operação por seis meses e em julho começou a operar plenamente. Nela foram realizados investimentos de R$ 9 milhões, isso por causa da necessidade de implantação de uma linha de transmissão com 50 Km.

Em Jaboatão dos Guararapes, com investimentos de R$ 4 milhões, foi instalado um parque de disjuntores. A unidade, que começou a funcionar em abril e fica no Distrito de Prazeres, foi projetada para otimizar o seccionamento das cargas, numa área com grande concentração de indústrias e centrais de distribuição.

As novas subestações vêm sendo construídas dentro do conceito de automação total e são comandadas diretamente por um único Centro de Operação Integrado (COI) instalado no Recife, que atende a uma área de 98.938 Km2 do Estado de Pernambuco. Com investimentos de R$ 1,5 milhão, ele começou a funcionar em 2001, substituindo os 34 Centros de Operação, existentes anteriormente ao projeto. Segundo Regueira, não existe registro de nenhum outro centro de operação integrado operando 2,2 milhões de clientes e isto só é possível em função da tecnologia de comunicação e da automação, que garantem um monitoramento do sistema e a tomada de decisões em situações de risco ou pane, com a confiabilidade e a redundância necessárias. Estas metodologias e o projeto foram apresentados e debatidos no “X - Encuentro Regional Latino-americano de la Cigré - X ERLAC”, realizado em maio deste ano na cidade de Misiones, na Argentina, e no “V Simpósio de Automação de Sistemas Elétricos –V SIMPASE” , realizado em março, no Recife.

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