Os primeiros documentos mostram que o papel nasceu na China no ano
105, e só chegou ao Brasil por volta de 1809. Hoje, mesmo com
todas as novidades do mundo moderno, ele ainda ocupa espaços
importantes na vida de toda sociedade. Muitos imaginavam, por exemplo,
que seu destino era desaparecer com o surgimento dos computadores
e com a expansão do uso de outros materiais. Mas, ao contrário,
seu mercado foi se expandindo de tal forma que, atualmente, tornou-se
essencial para diversos setores. Hoje o Brasil ocupa a 7ª posição
no ranking mundial de produção de celulose e a 11ª
posição na produção de papel.
A indústria de papel e celulose brasileira caracteriza-se por
possuir uma grande intensidade de capital aplicado. Foi principalmente
a partir de 1999, com a estabilização do mercado
em quantidade de produtos e preços e com a desvalorização
do Real, que a indústria evoluiu significativamente e se tornou
ainda mais exportadora e competitiva. Somente nos últimos 10
anos o setor de papel e celulose recebeu investimentos da ordem de
US$ 10 bilhões; a previsão para os próximos 10
é ainda mais otimista: o setor deve investir cerca de US$ 14
bilhões.
Em 2002, este setor conseguiu um volume de US$ 1,46 bilhões
de saldo na balança comercial, o que corresponde a pouco mais
de 10% do saldo do país. De acordo com Ministério do
Desenvolvimento da Indústria e Comércio, o saldo da
balança comercial de 2002 foi de US$ 13,130, considerando que
o setor tem uma forte característica exportadora, especialmente
em celulose de fibra curta. Segundo o presidente da ABTCP (Associação
Brasileira Técnica de Celulose e Papel), Celso Foelkel, desde
a década de 70 a indústria tem recebido apoio do Governo
via BNDES para exportar. O empresário que acreditou e
não desperdiçou dinheiro e tempo, cresceu, diz.
Com a expansão e desenvolvimento da produção,
a tecnologia tornou-se mais que necessária para agilizar e
otimizar o processo de produção. Antigamente quando
o assunto era automação, conta o coordenador da Comissão
Ténica de Automaçõa e Controle da ABTCP, e diretor
de Papel e Celulose da Smar, Rajendra Mehta, isso significava ter
a técnica para fazer um produto mais uniforme, mais repetítivel,
de melhor qualidade e de forma mais econômica. Esta definição
tinha o foco na produção, mas os conceitos mudaram com
o tempo e hoje temos uma maior ênfase no gerenciamento de negócios,
ou seja, naquilo que podemos chamar de automação integrada,
com controle de processos, controle de manufatura, entre outros,
diz Mehta. Segundo o diretor, atualmente na indústria, muita
informação fica disponível e precisa ser analisada,
interpretada adequadamente.
Automação na prática
Exemplos de modernizações e investimentos no setor
de papel e celulose não faltam. A ABB, por exemplo, fechou
há alguns meses um contrato de R$ 8,6 milhões para
modernizar a linha de produção da Companhia Suzano
de Papel e Celulose.
O novo sistema de acionamento, dosagem e filtragem de matéria-prima
vai permitir à Suzano aumentar a disponibilidade das máquinas.
O projeto conta com tecnologia de diferentes fábricas da
ABB, localizadas no Brasil, França, Finlândia, Suécia
e Alemanha e faz parte de um investimento maior da Suzano para aumentar
o volume de papel fabricado entre 40% e 50%.
O fornecimento, previsto para ser concluído entre seis e
oito meses, consiste na reforma e instalação de sistemas
de acionamentos seccionais que tornarão mais preciso o controle
dos motores, assim como a confiabilidade e disponibilidade da máquina
de produção de papel. Será instalado também
um novo sistema de filtragem e dosagem de amido, matéria-prima
utilizada na produção de papel dentro da unidade em
operação na cidade de Suzano, em São Paulo.
A nova geração de filtros da ABB permite a limpeza
com jatos de alta pressão. Com essa tecnologia, o intervalo
entre as limpezas dos filtros será ampliado, aumentando a
disponibilidade da máquina e reduzindo a quantidade de matéria-prima
desperdiçada em cada ação, explica Welington
Cintra, gerente de negócios de Papel e Celulose da ABB.
Outro sistema para preparo de sulfato de magnésio, matéria-prima
utilizada na preparação da celulose, também
será atualizado, melhorando a qualidade do produto final.
Essas mudanças fazem parte de um projeto maior de ampliação
de equipamentos da Suzano que tem como meta aumentos de produtividade,
qualidade e adequações ambientais.
Um outro exemplo é o trabalho de atualização
feito pela Ibema Companhia Brasileira de Papel, localizada no Estado
do Paraná. A empresa fez, no ínicio deste ano, um
contrato com as empresas ABB, Voith, Mservices, Weg e Emerson Process
Management para implementar um novo sistema que elevasse a capacidade
de produção, facilitasse o trabalho e agregasse melhoria
à segurança operacional.
Investindo em tecnologia de ponta, a Ibema já está
produzindo papel com a arquitetura PlantWeb, na planta de Aparas.
O sistema é composto por uma Estação de Engenharia
e Operação; duas Estações de Engenharia;
três Estações de Operação, 14
Controladores MD Redundantes, instalados em sete painéis
distribuídos pela planta; Cartões de I/O Convencionais
e Cartões Seriais (para interfaces com o sistema de gramatura
Metso e IHMs locais pasta mecânica, caldeira e refinadores),
Devicenet com 128 pontos para rede de Válvulas ON/OFF; Cartão
Fieldbus para 15 redes com 257 transmissores e válvulas de
controle em Foundation Fieldbus; Profibus com 131 pontos para comunicação
com CCMs inteligentes e comunicação com um sistema
de infrared Krieger da secagem / aplicação de tintas.
Já a Woodward, fabricante de reguladores de velocidade para
turbinas a vapor e gás, forneceu seus equipamentos para empresas
como a Jari Celulose e a Aracruz. As duas utilizaram regulador digital
modelo Micronet para controle de turbinas à vapor em geração
de energia em máquina Toshiba de 55MW com dupla extração
controlada e, no caso da Aracruz, uso de reguladores digitais PEAK
em turbo acionadores KKK de bombas e ventiladores de caldeira.
Com a instalação destes equipamentos, as empresas
ganharam estabilidade na rotação da máquina
mesmo com grandes variações de carga
reduzindo choques e perdas no processo, em função
de ajustes de ganho feitos digitalmente; economizaram vapor com
o aumento de eficiência da turbina, mantendo a rotação
nominal ou variando a rotação automaticamente em função
de nível de água da caldeira, bem como das pressões
envolvidas. Isto pode evitar o uso constante de dampers e
consequentemente quebra ou travamento ou das válvulas
de controle de vazão de água. Os reguladores podem
receber sinais remotos de 4-20mA para ajuste de rotação
em função das variáveis. E ainda possui a comunicação
com sistemas supervisórios via Modbus.
A Ripasa também modernizou seus sistemas para fabricação
de papel por meio de um plano de modernização empreendido
na planta de Limeira, interior de São Paulo. Estratégica
para a operação da empresa, a reforma da fábrica
paulista exigiu investimentos de US$ 250 milhões. Neste projeto,
a Siemens participou, como responsável pela reforma das máquinas
de papel nº 1 e nº 2 e do coater, além da instalação
de três novas rebobinadeiras, processo concluído em
22 meses.
Agora, a máquina de papel nº 1 passa a operar com velocidade
de 1,1 mil metros por minuto, enquanto a MP2 é a mais rápida
em operação no Brasil em sua categoria, alcançando
1,3 mil metros por minuto. Já o coater, em sintonia com os
mais modernos padrões da indústria papeleira, passa
a operar com velocidade de 880 metros por minuto. As três
rebobonadeiras (Coater Variflex S, MP1 Variflex M
e a Rebobinadeira 3 Voith 85ML) atingiram a velocidade de
2,5 mil metros/minuto.
Em regime turnkey, a Siemens também esteve à frente
de todo o projeto elétrico e de instrumentação,
numa solução que envolveu uma vasta gama de produtos
e sistemas, incluindo toda a engenharia básica e executiva
dos equipamentos de média e baixa tensão, PLCs
de processo e sistemas de acionamentos multi-motores em tecnologia
PCS7, além da engenharia e execução da montagem.
Para dimensionar o fornecimento, a instalação utilizou
250 mil metros de cabos e 91 mil quilos de materiais de montagem,
além de 3 mil I/Os de supervisão e controle. Com a
modernização, a planta de Limeira reduziu suas perdas
e aumentou a produtividade.
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