Revista Controle & Instrumentação – Edição nº 87 – Dezembro de 2003
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Resultados favoráveis em 2003
Expectativa de crescer mais em 2004
Diretores da Abinee de diversos setores da indústria eletroeletrônica falaram sobre o desempenho do setor

O compromisso do novo governo com a estabilidade econômica, com o crescimento e com programas sociais, criaram um ambiente favorável para o desenvolvimento de vários setores, entre eles para a indústria eletroeletrônica. Essa foi a avaliação da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica – Abinee, ao apresentar os dados referentes ao faturamento registrado em 2003: R$ 63,2 bilhões, o que representa um aumento de 12% em relação ao ano anterior.

Com este resultado, a indústria eletroeletrônica apresenta faturamento nominal maior do que em 2002, mesmo tendo mantido seus investimentos em 3% e reduzido o número de empregos em 2%. Mas foi a partir do 3º trimestre de 2003 que começou um certo afrouxamento da Política Monetária e os negócios começaram a responder positivamente. Os fabricantes de equipamentos e automação foram os primeiros a dar sinal de recuperação. “Os setores de papel e celulose, siderurgia e mineração estão exportando muito, e isso tem salvado o mercado de Equipamentos Industriais”, diz o secretário geral da Abinee, Ruy de Salles Cunha.

Com um faturamento de R$ 1,7 bilhões, o setor de Automação Industrial apresentar o maior crescimento percentual no faturamento em relação a 2002, cerca de 17%. “As empresas precisam se modernizar e, para isso, têm que adquirir novas tecnologias, o que é muito positivo para o setor”, diz Cunha.

O setor de Informática permanece com o maior faturamento, cerca de R$ 15,3 bilhões.

A Balança Comercial de produtos eletroeletrônicos encerra o ano com um déficit de US$ 4,8 bilhões – 17% inferior a 2002. As importações alcançaram US$ 9,5 bilhões, com queda de 6%, e as exportações US$ 4,7 bilhões, com crescimento de 9%. A Automação Indutrial é responsável por US$ 74 milhões em exportações, e o de Informática US$ 189 milhões, com crescimento de 57% em relação ao ano anterior. Os maiores importadores de produtos brasileiros continuam sendo os EUA, a Argentina – que aumentou em 141% suas importações em relação a 2002 – e União Européia. Segundo a Abinee, foram as exportações que seguraram o primeiro semestre.

2004 mais favorável

O ano de 2004 deverá ser mais favorável para o setor eletroeletrônico. Pelas projeções da Abinee, o crescimento deverá atingir 13% – onde as exportações devem crescer 9%, com negócios de US$ 5,2 bilhões, e as importações 15%, atingindo US$ 10,9 bilhões. Por conta disso, o déficit da balança comercial do setor deverá fechar em US$ 5,7 bilhões, montante 19% superior a 2003.

Os componentes responderam por mais da metade das importações em 2003, atingindo US$ 5,4 bilhões, com os semicondutores liderando a lista dos produtos mais importados, seguidos dos componentes para informática e dos componentes para telecomunicações.

Sobre as propostas do Novo Modelo Elétrico, a Abinee está, há muito tempo, à espera de uma definição, analisando os pontos importantes, como o fato de se passar a principal direção do setor para o Ministério de Minas e Energia, ficando para as Agências um papel mais secundário. Com relação a Alca, a Associação está preocupada em discutir as regras de origem, que precisam estar bem definidas.

Apesar dos altos e baixos, a Medida Provisória nº 100, publicada no final de 2002, que reduziu o IPI dos microcomputadores e o percentual do faturamento das empresas destinado a aplicações compulsórias em P&D, exerceu papel importante para a indústria formal de equipamentos. Essa medida melhorou a competitividade no mercado interno, frente ao chamado mercado cinza.

A recuperação da economia argentina também colaborou – especificamente no caso de bens de Informática, as exportações para aquele país cresceram 594% no período de jan-set/03 em relação a igual período de 2002.

O crescimento da telefonia móvel, com novas tecnologias e a chegada de novas operadoras no mercado, trouxe produtos mais modernos e proporcionou condições especiais de vendas fazendo com que este mercado crescesse mais de 40% neste ano na comparação com o ano passado.

Os investimentos em Distribuição de Energia continuaram parados em decorrência do baixo nível de consumo e da baixa capacidade de investimento. Na Transmissão, os investimentos previstos não ocorreram na intensidade esperada – conseqüentemente, as encomendas de equipamentos para a indústria deverão ocorrer apenas em 2004.

Na Geração, a postergação de vários investimentos e a demora na definição dos marcos regulatórios – que permitirão o estabelecimento de tarifas adequadas – inibiram novos investimentos das concessionárias. Vale ressaltar que a performance da área GTD apresentou queda de 2% no faturamento neste ano, refletindo a entrada de encomendas de anos anteriores, uma vez que, em 2003, ficaram 60% abaixo do ano anterior.

Faturamento total por área
(em R$ milhões)
2001
2002
2003*</B<td>
2003% 2002
Automação Industrial
1.202
1.472
1.725
17%
Componentes Elétricos e Eletrônicos
5.263
5.916
6.830
15%
Equipamentos Industriais
6.542
7.088
8.250
16%
GTD
4.548
5.114
5.035
-2%
Informática
14.732
13.391
15.330
14%
Material Elétrico de Instalação
4.592
4.649
4.760
2%
Telecomunicações
11.431
7.431
8.430
13%
Utilidades Domésticas Eletroeletrônicas
9.875
11.292
12.810
13%
Total
58.185
56.353
63.170
12%
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