| Revista Controle & Instrumentação
Edição nº 88 Janeiro de 2004
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Cover Page
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| A necessidade do acompanhamento constante
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| Gerenciamento de ativos
on-line: disponibilização de informações
em tempo real assume liderança entre as tendências do
setor
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| Diretores da Abinee de diversos setores da
indústria eletroeletrônica falaram sobre o desempenho
do setor
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Mais do que manunteção, gerenciar ativos é
hoje um importante processo de gestão estratégica
de uma empresa, responsável por alinhar equipes de produção
e de manutenção para se atingir uma mesma meta: o
aumento da produtividade. Isso é conseguido não
só com a otimização do processo produtivo,
mas com o aumento da disponibilidade e da confiabilidade dos ativos.
O que comprova que o sistema de gerenciamento de ativos é
apenas uma ferramenta, que deve se inserir no contexto da visão
corporativa, explica o coordenador de Engenharia de Manutenção,
Arnaldo Spiller, da ABB Performance Services.
Um sistema de manutenção deve ser avaliado pela
sua capacidade de dar sustentação global, técnica
e gerencial às estratégias de confiabilidade operacional
exigidas pelo negócio como um todo e ao processo em questão
para com os ativos físicos responsáveis pelo desempenho
exigido, complementa o diretor da SQL Brasil, Kleber Siqueira.
De acordo com o especialista em Sistemas também da ABB Performance
Services, Ricardo Izumi, atualmente ainda existe uma falta de integração
real entre o nível de chão de fábrica e o nível
MES (Manufacturing Execution System). É fato que a
fronteira entre estes níveis não é, na prática,
claramente definida, diz. Em geral, os sistemas de chão
de fábrica focados na manutenção muitas
vezes desenvolvidos por empresas de automação
monitoram a condição do equipamento através
da medição de variáveis de operação,
possuem configuração de alarmes e lógicas,
que acionam gatilhos (triggers) de ações de manutenção.
Estas são as funções mínimas desejáveis.
A partir daí, entra em operação o próximo
nível, ou seja, o sistema de gestão da manutenção,
normalmente conhecido por CMMS (Computerized Maintenance Management
System), e desenvolvido por empresas do ramo.
A escolha de um CMMS deve levar em conta, entre outros, critérios
como a facilidade para Gestão das Ordens de Serviço
(OSs), indicadores de performance (KPIs), funções
de planejamento (definição de recursos) e programação
(cronograma de atividades) dos planos de manutenção.
É importante ainda que seja feito um controle por local de
instalação (TAG) e por número de identificação
individual do equipamento (NI). Recentemente, as empresas
fornecedoras de automação, CMMS e de sistemas de gestão
empresarial (ERP) têm procurado estabelecer alianças
para expandir o conceito tradicional do CMMS para o conceito de
Gestão Estratégica de Ativos que, entre outras coisas,
busca integrar a manutenção a toda a cadeia de suprimentos,
conta Spiller.
Segundo ele, muitos paradigmas ainda precisam ser quebrados. Não
faz mais sentido falar em sistema de manutenção, ou
sistema de operação, isoladamente. Integração
e convergência passaram a ser exigências do mercado.
Um dos frutos desta necessidade é o sistema de gerenciamento
de ativos - Plant Asset Managment (PAM). Ele é bastante abrangente,
pois integra sistemas anteriormente distintos e faz com que a operação
e a manutenção convirjam para um objetivo comum,
diz. Dado seu vasto escopo, deve possuir recursos capazes de peneirar
e trabalhar a massa de dados existente e, como resultado, fornecer
informações relevantes para auxiliar na tomada de
decisão, customizadas em função do perfil do
usuário. Do contrário, o excesso de informação
pode ser mais prejudicial que benéfico.
O fato da tecnologia permitir tal integração
de plataformas não é o bastante. Um sistema de gestão
de ativos, por mais sofisticado que seja, ainda é uma ferramenta.
Para ser capaz de quebrar os muros que tradicionalmente separam
a produção da manutenção, é necessário
mudar toda forma de gerenciar o negócio. Qualquer ação
de automação deve começar por revisões
no processo de trabalho, do contrário corre-se um grande
risco de ser uma automação burra, explica
Izumi.
O fato é que ainda é preciso que a manutenção
assuma sua função estratégica. A equipe
de manutenção geralmente não é chamada
para participar dessas etapas iniciais de modernizações
ou expansões. Estamos falando em colocar em prática
um dos aspectos da Engenharia Simultânea. Neste ambiente propício
é que nasce a preocupação com a Manutenibilidade
e com os custos de operação e manutenção
do equipamento, o Life Cycle Cost (LCC), diz Spiller.
Um sistema de manutenção deve ter, de acordo com o
gerente de produtos da Smar, César Cassiolato, recursos que
permitam ao usuário identificar ou prognosticar fácil
e rapidamente qualquer mau funcionamento da planta. Neste
sentido, deve ter tecnicamente facilidades de gerações
de dados estatísticos, levantamento de históricos,
gerações de relatórios, e permitir fácil
acesso de qualquer lugar, mesmo fora da planta, ressalta.
Kleber Siqueira ressalta que nos últimos 15 anos, a função
da manutenção evoluiu talvez mais do que qualquer
outra disciplina de gerenciamento. As alterações
devem-se a um significativo aumento no número e diversidade
de ativos físicos - instalações complexas,
equipamentos altamente automatizados e edifícios inteligentes-,
a disponibilidade de novas técnicas de manutenção
e novos enfoques sobre o negócio.
A manutenção também reage a novas expectativas
empresariais, que incluem uma crescente conscientização
do quanto a falha de um ativo físico pode afetar a segurança
e o meio ambiente; da relação entre manutenção
e qualidade do produto e mais pressão para se atingir alta
disponibilidade e confiabilidade da instalação, ao
mesmo tempo em que é preciso conter os custos, ressalta
o diretor da SQL.
Um dos principais desafios das equipes de manutenção
hoje, além de se adaptar às novas técnicas,
é decidir quais são relevantes para suas organizações.
Se as escolhas forem corretas, será possível
melhorar o desempenho dos ativos e, ao mesmo tempo, conter e até
reduzir o custo de manutenção. Se forem erradas, serão
criados novos problemas, diz Siqueira.
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Gerenciamento de Ativos On-line
Não se pode negar que é crescente a evolução
no emprego de sistemas on-line voltados à manutenção.
Graças à redução dos preços
das tecnologias requeridas, ressalta Izumi. Como conseqüência,
uma ferramenta integrada de gestão, por proporcionar uma plataforma
comum de trabalho e informações em tempo real, ajuda
a integrar as diferentes especialidades da manutenção:
elétrica, mecânica e instrumentação,
ressalta.
O diretor da SQL, enfatiza que não existe uma ferramenta única
para gerenciamento de ativos físicos. Segundo ele, um processo
tipo RCM irá combinar diversas estratégias para garantir
os desempenhos operacionais requeridos. O que incluirá, entre
outros, monitoramento on-line em uma certa escala, mas não
como solução única. Nossa experiência
em processos de gestão de ativos físicos indica que
apenas cerca de 10% a 15% do mix de estratégias
serão baseadas em sistemas de monitoramento on-line,
diz.
Ganho de velocidade, melhor aproveitamento do pessoal e aumento de
produtividade são algumas das diversas vantagens apresentadas
por um sistema de gerenciamento on-line. Podemos somar a estas, ainda,
a detecção precoce de um problema potencial, que pode
permitir o planejamento da ação com bastante antecedência
e do controle de uma quantidade maior de equipamentos pelas mesmas
pessoas.
Como segurança é essencial, um gerenciamento de ativos
on-line também reduz a exposição desnecessária
do pessoal ao risco. Os dispositivos de campo inteligentes dispõem
de recursos de registro histórico de operações
e de resultados de simulações, que permitem um diagnóstico
preditivo que busca identificar o momento ótimo de manutenção,
evitando manutenções excessivas. Além disso,
há o ajuste das variáveis PID em condições
reais do processo através de retroalimentação,
o que permite o auto-tunning do controlador, objetivando a otimização
do processo e, conseqüentemente, aumento da performance,
diz Arnaldo Spiller.
Como exemplo, César Cassiolato, cita o Asset View da Smar,
sistema de gerenciamento on-line de ativos para web, que monitora
e armazena qualquer alteração ou intervenção
na planta, facilitando a manutenção e permitindo auditoria
completa dos procedimentos efetuados. O sistema possui recursos
gráficos, que possibilitam um diagnóstico mais preciso
a qualquer hora e em qualquer lugar, além de uma tecnologia
aberta que garante fácil integração entre protocolos,
como por exemplo, o HART / Foundation Fieldbus, explica.
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