Revista Controle & Instrumentação – Edição nº 88 – Janeiro de 2004
Cover Page II
Muito além da certificação: Onde está a verdadeira qualidade?
Versão 2000 da ISO traz novos conceitos para a certificação da qualidade Setor aprova mudanças

“Cerca de 71% das empresas conseguiram migrar para a nova versão”, diz Alfredo Lobo, do Inmetro

Três anos, este foi o prazo dado pela ISO (International Organization for Standardization) para que as empresas certificadas segundo a ISO 9000 versão 94 - nas suas variantes 9001, 9002 e 9003 - pudessem migrar para a nova versão, a 2000. A expectativa foi grande! Quantas empresas conseguiriam atender às exigências da nova versão? Quais seriam as principais mudanças e o que elas acrescentariam de positivo?

O prazo foi encerrado em 15 de dezembro de 2003 e, aquelas que não se atualizaram, tiveram automaticamente suas certificações canceladas. Pois é, muita gente agora está correndo atrás do prejuízo. “Atualmente a certificação ISO 9001 tornou-se requisito básico em negócios que envolvam empresas com um nível de organização sistêmica razoável, ou seja, não é mais um fator de destaque que possa ser explorado”, ressalta o tecnólogo do Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento e coordenador da Equipe de Melhoria da Qualidade da Atos Automação, Marcio Takeshi Kumada. Segundo ele, a regra aplica-se tanto para o mercado interno quanto para o externo.

De acordo com o diretor da Qualidade do Inmetro, Alfredo Lobo, cerca de 71% das empresas que possuíam a certificação conseguiram se atualizar. “Consideramos um bom número. Nossa expectativa era de que cerca de 10 a 15% das empresas desistissem de migrar para a nova versão e que cerca de 10 a 15% perdessem o prazo”, conta. Aquelas que desistiram de migrar, segundo Lobo, podem ter perdido o interesse por causa do cliente. “Às vezes um determinado cliente exigia a certificação e, quando este cliente deixou de ser importante para a empresa, a certificação também deixou”, explica. A média de empresas que fizeram a migração em outros países foi de 40 a 80%.

“Muitas empresas que estavam certificadas na versão 1994 e não fizeram a transição até dezembro, programaram suas auditorias de certificação na NBR ISO 9001:2000 para 2004", enfatizam o diretor e o gerente de Certificação da Fundação Vanzolini, José Joaquim do Amaral Ferreira e José Salvador da Silva Filho.

Para o gerente da Qualidade e Relacionamento com Governo e Universidade da Rockwell, Raul Victor Groszmann, o próprio processo de migração da ISO 9001 versão 1994 para a versão 2000 já é um processo de “seleção natural”. “Muitas empresas deixaram de fazer esta migração ou por problema de interpretação ou porque tinham que cumprir a exigência de algum negócio. Podemos dizer que os clientes que reconhecem o valor de uma certificação, valorizam o esforço de seus fornecedores e incentivam outros passos nesta direção, como a SA 8000 (Responsabilidade Social) e até mesmo o PNQ (Prêmio Nacional da Qualidade)”, diz.
Pesquisas realizadas pelo Inmetro mostram que cerca de 30% das empresas buscam a certificação por causa da competitividade, porque julgam que ela realmente vai ser importante para a gestão da qualidade da empresa e conseqüentemente dos negócios; cerca de 35% fazem porque o cliente está exigindo; e cerca de 20% buscam por uma questão de marketing.

Lobo explica que a nova versão passou por uma mudança de conceito. “A versão 94 enfatizava muito mais as ferramentas da qualidade, como organizar documentação. A nova versão se preocupa com a gestão da qualidade como um todo: negócios, qualidade, expectativas, lideranças, resultados globais da instituição, entre outros. E ainda, é menos prescritiva, exigindo menos documentação”.

“A nova versão faz um acompanhamento mais detalhado dos processos. Destaca-se o fato de se ter que comprovar a eficiência do treinamento, a utilização de indicadores para se poder evidenciar a melhoria contínua e também a necessidade de se avaliar a satisfação do cliente”, completa o gerente de Novos Negócios da certificadora DNV (Det Norske Veritas), Samuel Barbosa.

Para Hugo Pacheco, gerente do BVQI (Bureau Veritas Quality International), que teve 87% de seus clientes certificados na nova versão, “a versão 2000 contempla um sistema com base em gestão de processos e resultados com foco na melhoria contínua da organização”.

José Joaquim e José Salvador, da Fundação Vanzolini, contam ainda que a mudança na estrutura da norma, apresentou uma sequência mais lógica. “Foi dado mais enfoque ao gerenciamento de processo. A versão 2000 define um modelo de gestão da qualidade e não um modelo de garantia da qualidade, como na versão anterior. A terminologia também foi melhorada e aumentou a preocupação com a satisfação do cliente e a melhoria contínua da eficácia do sistema de gestão da qualidade”, comentam.

Para quem perdeu o certificado, de acordo com a BVQI, a única saída será passar novamente pelo processo completo de auditoria, que demanda mais tempo e investimento, o que pode prejudicar o relacionamento da companhia que não fez a transição com sua cadeia de fornecedores e clientes, principalmente no exterior.

Gerenciamento de Ativos On-line

Não se pode negar que é crescente a evolução no emprego de sistemas on-line voltados à manutenção. “Graças à redução dos preços das tecnologias requeridas”, ressalta Izumi. “Como conseqüência, uma ferramenta integrada de gestão, por proporcionar uma plataforma comum de trabalho e informações em tempo real, ajuda a integrar as diferentes especialidades da manutenção: elétrica, mecânica e instrumentação”, ressalta.

O diretor da SQL, enfatiza que não existe uma ferramenta única para gerenciamento de ativos físicos. Segundo ele, um processo tipo RCM irá combinar diversas estratégias para garantir os desempenhos operacionais requeridos. O que incluirá, entre outros, monitoramento on-line em uma certa escala, mas não como solução única. “Nossa experiência em processos de gestão de ativos físicos indica que apenas cerca de 10% a 15% do “mix” de estratégias serão baseadas em sistemas de monitoramento on-line”, diz.

Ganho de velocidade, melhor aproveitamento do pessoal e aumento de produtividade são algumas das diversas vantagens apresentadas por um sistema de gerenciamento on-line. Podemos somar a estas, ainda, a detecção precoce de um problema potencial, que pode permitir o planejamento da ação com bastante antecedência e do controle de uma quantidade maior de equipamentos pelas mesmas pessoas.

Como segurança é essencial, um gerenciamento de ativos on-line também reduz a exposição desnecessária do pessoal ao risco. “Os dispositivos de campo inteligentes dispõem de recursos de registro histórico de operações e de resultados de simulações, que permitem um diagnóstico preditivo que busca identificar o momento ótimo de manutenção, evitando manutenções excessivas. Além disso, há o ajuste das variáveis PID em condições reais do processo através de retroalimentação, o que permite o auto-tunning do controlador, objetivando a otimização do processo e, conseqüentemente, aumento da performance”, diz Arnaldo Spiller.

Como exemplo, César Cassiolato, cita o Asset View da Smar, sistema de gerenciamento on-line de ativos para web, que monitora e armazena qualquer alteração ou intervenção na planta, facilitando a manutenção e permitindo auditoria completa dos procedimentos efetuados. “O sistema possui recursos gráficos, que possibilitam um diagnóstico mais preciso a qualquer hora e em qualquer lugar, além de uma tecnologia aberta que garante fácil integração entre protocolos, como por exemplo, o HART / Foundation Fieldbus”, explica.

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