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Não há como negar: na indústria, a tendência
é ocupar cada vez menos espaço e ter mais eficiência.
No que tange à automação não é
diferente: o segredo é otimizar ! Rapidamente as empresas
fornecedoras de equipamentos para automação estão
investindo, pesquisando e desenvolvendo produtos cada vez menores.
O intuito é facilitar ainda mais a vida dos clientes.
O velho ritual de instalação de vários equipamentos
para controles simples também está mudando. Além
de pequenos, estes novos modelos podem ser multifuncionais. Porém,
algumas questões ainda persistem. O professor do Departamento
de Engenharia de Telecomunicações e Controle da Escola
Politécnica da USP, Cláudio Garcia, lembra que, apesar
de serem utilizados há bastante tempo, ainda existe confusão
entre os termos microprocessador e microcontrolador,
por exemplo. Microprocessadores e microcontroladores, de uma
forma geral, são circuitos integrados destinados à
manipulação de dados em formato digital, ou seja,
binário. Essa manipulação envolve a aquisição,
processamento (operações lógicas e aritméticas)
e devolução de dados através de interfaces
apropriadas, explica.
Segundo ele, e outros dois colegas, o professor Carlos Eduardo Cugnasca
e o engenheiro Cássio de Carvalho Berni, o microprocessador
é geralmente implementado em um único componente,
que possui: unidade central de processamento UCP (cujo coração
é a unidade lógica e aritmética ULA);
unidade de controle (que pode ser encarado como uma máquina
seqüencial de uso geral, cujo comportamento no tempo é
determinado por um programa externo colocado em memória,
e que associado a pastilhas periféricas pode gerar: microcomputadores
e controles lógicos de uso específico e microcomputadores
de uso geral).
Existem microprocessadores de 8, 16 e 32 bits, característica
esta definida pelo tamanho do barramento de dados. Suas aplicações
mais destacadas são as que envolvem o processamento de informações
demasiadamente complexas para uma solução convencional
com circuitos digitais discretos. Podem ser aplicados em instrumentação;
comunicações; computação: micros e seus
periféricos; automação: industrial, comercial,
bancária, predial; transportes; diversão: aparelhos
de uso doméstico e brinquedos.
De acordo com o professor, algum tempo depois do lançamento
dos microprocessadores surgiram os microcontroladores, que possuem,
em um único componente, a unidade central de processamento,
cuja ULA normalmente apresenta um poder computacional bem menor
do que a dos microprocessadores; a unidade de controle e também
uma pequena quantidade de memória (ROM e RAM); além
de entradas e saídas (serial, paralela, timer, etc).
Contudo, os microcontroladores apresentam menor desempenho que os
microprocessadores, mas possuem um custo muito baixo, sendo destinados
a aplicações onde as dimensões, custo, tamanho
e consumo do produto são muito importantes. O professor explica
ainda que os microcontroladores, em sua maioria, são de 8
bits.
Enquanto os microprocessadores são preparados para endereçar
grande quantidade de memória externa ao componente em si,
os microcontroladores apresentam memória interna, muitas
vezes dispensando o uso de pastilhas externas. O software é
gravado na memória interna do componente. É
dada grande atenção às interfaces de I/O, sendo
que geralmente existem pinos que podem ser configurados como entrada
ou saída lógica, entrada analógica (conversor
A/D interno), saída PWM, comparadores analógicos,
comunicação serial síncrona e assíncrona,
interface I2C, entre outros periféricos, diz.
O primeiro microcontrolador foi o 8048 da Intel, sucedido pela família
8051 - de muito sucesso - juntamente com o 6811 da Motorola. Atualmente
os microcontroladores da família PIC da Microchip vêem
sendo muito utilizados e ganhando bastante espaço no mercado.
Contudo, existem muitos modelos e fornecedores desses componentes,
que podem ser encontrados em veículos, equipamentos domésticos,
dispositivos periféricos de computadores, pequenos sistemas
de controle, brinquedos, entre outros, ressalta.
Em geral, já existem aplicações para microprocessadores
e microcontroladores em praticamente todas as áreas, como
controle de processos industriais (CLPs, SDCDs, single
loop controllers, etc), instrumentos inteligentes (sensores
e atuadores que operam, por exemplo, com Fieldbus), automação
da manufatura, módulos de aquisição e armazenamento
de dados, equipamentos médico-hospitalares, automação
residencial e comercial, telecomunicações, entre muitas
outras.
Evidentemente, os microcontroladores são mais indicados
para aplicações que não necessitam de altíssimo
poder computacional, como automação em geral. As áreas
nas quais é imprescindível uma alta capacidade de
processamento em alta velocidade têm os microprocessadores
como solução mais natural (PC´s em geral e CPU´s
dedicadas, como PC´s industriais, por exemplo), enfatiza
Garcia.
Porém, o professor da Escola Politécnica da USP, ressalta
que uma análise criteriosa deve ser feita para a realização
de um projeto baseado em microprocessador ou microcontrolador, e
o primeiro ponto diz respeito à relação custo/benefício.
A partir daí, existem inúmeras classes de dispositivos,
de acordo com o desempenho desejado e o custo viável. O desempenho
de um sistema microcontrolado bem otimizado, muitas vezes utilizado
em substituição a sistemas analógicos",
é tão ou mais eficiente que esses últimos,
e com maior confiabilidade e flexibilidade, uma vez que melhorias
são realizadas em termos de firmware e não apenas
de troca de hardware", completa.
Segundo o professor, comparando-se os microprocessadores com os
microcontroladores, pode-se dizer que os microcontroladores, embora
mais limitados do que os microprocessadores, apresentam um bom desempenho
em aplicações específicas, que não necessitam
de interfaces complexas, e seu custo é muito baixo, apresenta
alto grau de integração de componentes periféricos
(reduzindo o tamanho do produto final) e em geral apresenta baixo
consumo, contribuindo para a viabilização econômica
de muitos projetos.
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