Revista Controle & Instrumentação – Edição nº 90 – Março de 2004
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Samarco alcança flexibilidade e aumenta rendimento com sistema multicamadas implantado pela Chemtech. Adoção do “.Net” facilita o uso e melhora o desempenho

Para gerenciar a produção integrando os sistemas corporativos e operacionais da Samarco, a Chemtech desenvolveu um programa de camada MES para a empresa - segunda maior exportadora transoceância de pelotas de minério de ferro do mundo. “Atingimos a maturidade nesse tipo de sistema e, hoje, podemos dizer que o trabalho da Samarco foi uma evolução de tudo o que já fizemos. Pode ser considerado o estado da arte em MES, da mesma forma que, há três anos, foi o sistema da CSN”, diz o gerente Sênior da Chemtech, Marco Tulio, responsável pela implantação do projeto na Samarco.

Segundo o gerente, a Samarco deu um salto não só em qualidade e funcionalidade do sistema, mas na escolha das ferramentas e da arquitetura de software. Quando se faz um sistema, acaba-se tendo uma parte das ferramentas (linguagem e arquitetura) no cliente e outra num computador distante, que funciona como um banco de dados. Trata-se de um sistema clássico: cliente-servidor. “Hoje podemos montar um sistema onde tudo está distribuído em vários computadores, é o que chamamos de multicamadas. A vantagem é que ele é mais flexível, pode crescer conforme as necessidades e com pouco investimento”, ressalta. Assim é o sistema da Samarco: multicamadas - distribuído em várias partes e computadores. Isso lhe garante maior flexibilidade.

O trabalho na empresa teve que ser feito num curto espaço de tempo. Passou por mudanças de escopo ao longo de seu desenvolvimento e, por estar distribuído em várias partes, acabou facilitando sua atualização e funcionamento. Tudo começou com um pequeno grupo de usuários e foi crescendo rapidamente. “É útil e tem muitas vantagens”, conta Tulio.

Uma das novidades responsáveis pelo bom desempenho do sistema foi a adoção do “.Net”. “Na verdade a idéia de multicamadas não é nova, não foi trazida pelo ”.Net", ele só facilitou o uso da idéia", diz o gerente.

Tulio relembra que os sistemas clássicos têm um computador como banco de dados e outro como um cliente, ambos ligados numa rede. Qualquer pergunta lançada nesse sistema percorre todo o caminho até o banco de dados, ida e volta. “O incoveniente é que, na medida em que se aumenta o número de clientes, o servidor de dados satura e precisa ser trocado porque todo o sistema está nele”, diz.

Num multicamadas pode-se distribuir o processamento de dados em vários locais, descongestionando a rede e aumentando o rendimento. Se um novo grupo de usuários chega, pode-se apenas comprar mais um computador e inserí-lo na rede – vem tudo pronto – e apenas programas específicos para seus usuários. Como exemplo, Tulio, conta que: “um usuário faz uma pergunta para o servidor de negócios – que tem toda a inteligência e as regras, mas não o conhecimento, que fica em outro local, no banco de dados – que decide se é ou não necessário ir a outro local; se precisar, ele vai em busca da informação e a manipula para resolver: existe muito menos informação trafegando pela rede, o que não a sobrecarrega. Antigamente, o mesmo computador que fornecia os dados tinha que manipulá-los”, diz. O meio físico é sempre a rede existente na empresa, com cada vez mais cabos Ethernet e geralmente sobrecarregada ou sem muita folga.

Essa nova arquitetura está na parte corporativa. A maioria das empresas tem outra camada, a do chão-de- fábrica. Mas, a arquitetura MES desenvolvida para a Samarco transita bem nas duas, já que, seguindo as tendências da automação, também o chão-de-fábrica possui rede Ethernet – pura ou híbrida. “O pessoal de chão-de-fábrica, pelas próprias características de segurança e produtividade de seus processos, é muito conservador, não gosta de modismos e tecnologias não testadas”, enfatiza Tulio.

Aí, segundo ele, o “.Net” serviu como uma luva. “Apesar de ser uma novidade, é muito estável, não requer treinamentos longos ou difíceis e é Microsoft, o que dá um ar de familiaridade”.

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