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O ano de 2004 começou agitado para o mercado sucroalcooleiro
com o anúncio do contrato fechado entre a GE Fanuc - através
de seus distribuidores GE Supply do Brasil e Aquarius Software -
e o Grupo Nova América. Com duração de cinco
anos e avaliado em aproximadamente R$ 3 milhões, o acordo
prevê o fornecimento de equipamentos para controles de automação
(PLC) e softwares de supervisão para quatro empresas do conglomerado,
incluindo as Usinas Nova América e Maracaí, além
do Terminal Portuário de Açúcar Teaçu.
Um dos cinco maiores produtores de açúcar refinado
do mercado nacional e décimo colocado no ranking dos principais
fabricantes de álcool do Brasil, o Grupo Nova América
decidiu investir em automatização para aumentar a
sua competitividade. Além da aquisição de novos
equipamentos, as unidades sucroalcooleiras estarão padronizando
todos os processos, substituindo também alguns produtos por
novas soluções da GE Fanuc.
Para o coordenador do Grupo de Automação Nova América,
Carlos Donizeti Morbi, a automatização dos sistemas
está se tornando fundamental para as usinas brasileiras.
Se torna possível garantir maior segurança operacional
da planta, a uniformidade dos processos, evitando perdas e desclassificação
do produto final, além de possibilitar maior produtividade
industrial, reduzindo paradas indesejadas.
Tradicionalmente incomuns no setor sucroalcooleiro, os grandes investimentos
em automação começam a movimentar o mercado
canavieiro com maior intensidade. Temos recebido consultas
constantes, relata Antônio Cardoso, responsável
pelo desenvolvimento de negócios do Estado de São
Paulo da GE Fanuc.
Ao contrário do que acontece em outros segmentos de indústrias
de processo (petróleo, petroquímico, alimentício
ou papel e celulose), em que a automação é
um valor agregado a projetos turn key, o setor sucroalcooleiro agora
está esboçando um movimento de reconhecimento aos
benefícios proporcionados pela automatização
das usinas. Aumento das áreas cultivadas, diversificação
do mix de produtos e elevação de produção
são prioritários, e muitas vezes os investimentos
em automação são preteridos pelas unidades
de açúcar e álcool, observa Jayme Tamaki
Júnior, gerente de produto da Smar.
Há cinco anos passou a ser observado no setor um maior interesse
por automação de sistemas, o que está demandando
crescentes investimentos por parte das usinas. Alguns fornecedores
acreditam que isso só está acontecendo neste momento
porque se solidificou no segmento canavieiro uma falta de reconhecimento
quanto à contribuição da automatização
para otimização financeira das unidades. Pouco
tempo atrás isso existia SIM, com letras maiúsculas.
No entanto, essa realidade vem claramente sendo transformada. Hoje,
a grande maioria já percebe claramente a contribuição
dos sistemas automáticos na redução de custos
de produção, acredita o empresário Paulo
Gallo,diretor da empresa Authomathika.
Outra hipótese levada em consideração para
o atraso tecnológico da agroindústria canavieira seria
a falta de conhecimento profundo sobre toda a funcionalidade da
automação. Acredito que as usinas, bem como
outros setores da indústria de processos, já reconhecem
os benefícios da automação para a redução
de custos. O que se passa é que, em muitos casos, falta conhecer
o que há disponível no mercado de tecnologia para
isso, assim como ainda existe uma cultura um pouco refratária
para mudanças, analisa André Luís Coutinho,
gerente de contas da Woodward.
O engenheiro César Rodrigues, responsável pelo setor
de Automação Industrial da Usina Alta Mogiana, tenta
ampliar o ângulo da discussão. Para ele, existe reconhecimento,
o que falta é confiança. Acreditar que a automação
ajudará a empresa a resolver vários problemas é
o grande desafio dos fornecedores. Considero que a questão
não seja somente da cultura do setor, os fornecedores estão
começando a crer que o segmento é um grande investimento,
estão oferecendo equipamentos com boa relação
custo x benefício.
Reside justamente na falta de valorização da relação
custo x benefício por parte de algumas usinas a principal
reivindicação das empresas fornecedoras. Isso
se traduz claramente quando uma usina opta por sistemas de menor
custo inicial de aquisição que, no médio prazo,
tornam-se, ao final de certo tempo de utilização,
bem mais caros em função de dois fatores básicos:
primeiro, o sistema não opera de forma a atingir o máximo
potencial de redução de custos; e, segundo, devido
aos custos de manutenção decorrentes da utilização
de equipamentos de qualidade inferior, principal razão do
menor custo inicial de um dado sistema, discorre Gallo.
Acredito que a relação custo x benefício
mereça mais atenção, os fornecedores e usinas
devem trabalhar juntos para provar que isso é uma realidade,
reconhece Rodrigues.
Também atrapalha o desenvolvimento do mercado a idéia
difundida de que a automação é responsável
por suprimir vagas de trabalho. O lado social também
deve ser considerado. As usinas tiram o operador de um ambiente
agressivo e oferecem melhores condições de trabalho.
A automação não tem o objetivo de reduzir quadro
de funcionários ou mão-de-obra, pretende reposicionar
o colaborador para locais em que ele possa ser melhor aproveitado,
reforça Marcus Vinícius Ribeiro, gerente da engenharia
de aplicações da Smar.
Contra as empresas fornecedoras pesa também a forte concorrência
do mercado, que em casos extremos pode beirar a deslealdade. Na
maioria das vezes, não se trata de uma política de
preços deliberadamente baixos, com intuitos que poderiam
ser classificados de desleais. Existe no setor uma forte tendência
a se comprar valor baixo inicial, e isto favorece o aparecimento,
ano após ano, de players no mercado que, possivelmente
por falta de conhecimentos administrativos, entram com preços
equivocados no mercado, lamenta Gallo. Além disso,
empresas com esse perfil têm apenas um destino que sem duvida
não é o sucesso, confirma Matheus Galvani Antonelli,
diretor comercial da Usitep e acionista do grupo J.C Antonelli.
Não é complicado compreender porque o mercado se comporta
dessa maneira. Não é possível precisar com
exatidão, mas disponibilizam tecnologias de automação
para o setor em torno de uma centena de empresas, entre fabricantes,
integradores, distribuidores e prestadores de serviços. Para
se estruturar uma empresa que propõe fornecimento de sistemas
de controle automático, o investimento inicial de capital
financeiro é relativamente baixo. O principal patrimônio
é a capacidade técnica de quem abre uma firma. Mas,
infelizmente, as pessoas carecem de conhecimentos relativos à
administração de seu negócio e, quando compõem
seu preço de venda, desconsideram uma série de custos
e obtém como resultado final um valor artificialmente mais
baixo, prossegue o diretor da Authomathika.
Por outro lado, existem ainda empresas utilizando em seus sistemas
equipamentos de baixa qualidade e/ou pouca tecnologia, o que também
empurra os preços para baixo.
O mercado é bastante competitivo. As negociações
não podem ser passionais e as empresas necessitam de vendas
e lucratividade para se manterem e até mesmo crescerem. Da
mesma maneira que o cliente deve estar atento a outros fatores além
do preço. A máxima expressão o barato
sai caro é verdadeira e se aplica neste caso,
argumenta Tamaki.
Para combater este tipo de problema e ampliar as negociações
com o setor sucroalcooleiro, os fornecedores também contam
com o respaldo do Governo Federal.
Comercialmente, o Governo tem oferecido mais apoio nos últimos
tempos. Há uma política mais séria para açúcar
e álcool com recursos de grandes bancos e empresas, algumas
até estrangeiras. Isso está oferecendo um alicerce
mais sólido para as usinas fazerem novos investimentos em
automação, de uma maneira mais contínua,
destaca Ribeiro.
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