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Dentro da filosofia de que é preciso investir no desenvolvimento
e na implementação de novas tecnologias, o Brasil
desperta para um novo e promissor mercado: o da robotização.
Mitos como altos custos e fim dos postos de trabalho são
derrotados, aos poucos, pela necessidade de modernização,
rapidez e precisão.
Há cerca de oito anos o país começou a dar
os primeiros passos nessa área. Ainda não está
entre os mais robotizados do mundo - isso é fato - mas parece
se preparar cada vez mais para isso.
Um relatório divulgado pela Comissão Econômica
da Organização das Nações Unidas em
2002, revela que o país possuía, na época,
cerca de quatro mil robôs instalados. Neste mesmo ano, foram
instalados cerca de 420 novos equipamentos em fábricas brasileiras,
contra 450 no ano anterior. Os gigantes da robotização
ainda são Japão que possuía 350 mil
unidades instaladas em 2002, e Alemanha que possuía
105 mil. Estes dados já nos permitem fazer uma comparação:
no Brasil, hoje, existem cerca de quatro mil robôs instalados.
Para se ter uma idéia, nos Estados Unidos, atualmente, a
relação é de um robô para cada três
pessoas, enquanto no Brasil existe um robô para cada 178 pessoas.
Pois é, ainda temos muito que crescer !
Instalada no Brasil desde 1992, a multinacional nipo-americana Fanuc
Robotics, por exemplo, está mudando seu perfil em busca da
liderança do mercado no país.
Fanuc signifca Fujitsu Automation Numeric Control e foi o nome escolhido
por Seiuemon Inaba, uma das principais personalidades do business
japonês, para sua empresa de automação. A Fanuc
Robotics foi fundada em 1956, tendo se dedicado à automação
industrial até 1972, quando foram desenvolvidos os primeiros
robôs. Com sede no Japão, a empresa possui 84 escritórios
espalhados por 28 países. Seus 10 centros regionais estão
localizados no Canadá, Estados Unidos, México, Europa,
Ásia, Oceania e Brasil e seus robôs são utilizados
nas mais diversas aplicações, entre elas manuseio
de materiais, carga e descarga, paletização, empacotamento,
corte a laser, solda a arco; em segmentos industriais como automotivo,
eletrônica, alimentos, vidros, utensílios domésticos,
papel, farmacêutica, entre outros.
Em 1992 a companhia começou a operar no Brasil em conjunto
com a GE Fanuc, especializada em CLPs e em CNCs. Com o desenvolvimento
do setor, o departamento responsável por toda a área
de CRC (Controle Robótico Computadorizado) ganhou espaço
e em 1998 nasceu a Fanuc Robotics do Brasil, responsável
por toda a operação na América do Sul, como
implantações de sistemas robotizados, venda de produtos
e peças, aplicação, serviços na área
de robótica, engenharia, CNC, manutenção e
apoio técnico.
Segundo o presidente da empresa no Brasil, José Teixeira,
o objetivo é crescer em torno de 80% nos próximos
dois anos. O Brasil é hoje o terceiro maior mercado
emergente com um potencial muito alto na área de automação,
ressalta. A produção dos robôs da Fanuc Robotics
é feita no Japão, com exceção dos robôs
de pintura, que são produzidos nos Estados Unidos.
A empresa possui mais de 120 mil robôs instalados no mundo
- sendo 55 mil distribuídos nas Américas do Norte
e do Sul e mais de 700 instalados no Brasil. No total, são
mais de 175 modelos. Entre seus principais clientes estão
empresas como General Motors, Audi, Caterpillar, Unilever, TWE,
Procter&Gamble, Keiper, Saint Gobain e Honda.
Com modelos de diversas aplicações e para diversas
atividades, a equipe técnica da Fanuc Robotics lança
uma média de nove novos produtos por ano. Cerca de US$ 110
milhões são investidos em R&D nos dois principais
centros de desenvolvimento de soluções e produtos
da empresa, que acaba desenvolvendo um novo robô sempre que
tem uma aplicação com um mercado que justifique essa
produção.
As principais aplicações estão no manuseio
de materiais, solda a arco e a ponto, colagem, montagem, corte,
rebarbação, remoção de material, polimento,
inspeção, laser, alimentação de máquinas,
pintura, empacotamento, paletização, distribuição
de materiais, entre outras.
Nos últimos dois anos, o faturamento da Fanuc Robotics do
Brasil manteve-se entre R$ 10 e 12 milhões. Para Teixeira,
a tendência é que esse mercado cresça de 20%
a 30% nos próximos dois anos. Nossa meta é chegar
até o fim de 2005 com um faturamento superior a R$ 25 milhões,
completa.
Em março deste ano, a Fanuc Robotics do Brasil concretizou
sua primeira grande venda: foram acertadas as fases I e II de um
projeto com a empresa alemã Keiper, que produz assentos automotivos.
Na primeira fase sete células robotizadas, de solda a arco,
serão utilizadas na fabricação das estruturas
metálicas dos bancos da linha Fox, da Volkswagen.
Durante dois meses, a Fanuc e seus concorrentes participaram de
um processo de levantamento e pesquisas da empresa compradora. A
filial brasileira da Keiper buscava, além do robô,
todo o trabalho de after marketing. As unidades adquiridas são
de alta tecnologia, com informações on line
de processo e de produção inseridas em rede e disponibilizadas
na WEB.
Até o final do ano, mais cinco unidades de robôs de
solda a arco Fanuc deverão ser vendidas à Keiper,
completando assim, o fornecimento para a terceira fase do projeto.
No total serão 12 células robotizadas.
Recentemente a Fanuc Robotics do Brasil fechou outros dois importantes
contratos em médio prazo com a Alstom do Brasil e com o Grupo
Saint Gobain. O primeiro estabelece o fornecimento de um sistema
composto por quatro robôs de soldagem a ponto e o segundo
de um sistema robotizado para manipulação de materiais.
Uma outra meta é fechar cerca de 40 novos contratos até
o fim de 2004. Anualmente cerca de 10% do faturamento do grupo é
direcionado para investimentos em engenharia aplicada e novos produtos.
Dando continuidade aos investimentos, no último mês
de maio, entrou em operação o novo centro de try out
da empresa. Uma área apropriada com toda a segurança
e recursos necessários, dentro da sede da empresa, em São
Paulo, foi designada para abrigar os robôs. Lá são
realizados testes em conformidade com as aplicações
que os robôs terão quando instalados. Neste mesmo local
são desenvolvidas novas aplicações.
O espaço é utilizado ainda para a realização
de Customers Days - dias reservados exclusivamente para a visita
de clientes. Empresas como Daimler Chrysler, Dana, Colgate, Volkswagen,
Karmann-Guia, Tecumseh, Caterpillar, Aethra, Pilkington, Prismatic,
Metalbages, Embraer, Johnson Controls, PSA, entre outras, já
enviaram equipes para participar do evento.
Segundo a Fanuc, nos últimos oito anos, o preço de
um robô diminuiu de cerca de US$ 100 mil para US$ 25 mil.
Uma outra gigante do setor é a ABB, que possui uma base instalada
de cerca de 100 mil robôs no mundo e mais de 2 mil unidades
no Brasil, o que representa cerca de 50% de participação
no mercado. No ano passado, a empresa instalou 100 robôs em
plantas industriais brasileiras e já conta com 2.000 unidades
vendidas em todo o país.
Outra que não poderia ficar de fora da lista é a Kuka
Automação do Brasil. De origem alemã, a empresa
está há oito anos no país, atuando com duas
divisões: a de robôs e a de flexibilização
para manufatura ou células especiais, onde encaixam-se todos
os tipos de soldas: mig, solda a laser, solda a fricção
e solda por magnetarq processo exclusivo da Kuka,
diz o engenheiro de Aplicação da empresa, Renê
Meira Medina. Estamos presentes em todas as montadoras, senão
com robôs, com células especiais como para aplicação
de cola e para handlink (manuseamento de peças), enfatiza.
Hoje, mundialmente, o foco da Kuka está 70% voltado para
o setor automobilístico. No Brasil, pode-se dizer que 90%
está direcionado para este setor. Entre outros mercados de
atuação da empresa estão a indústria
farmacêutica - com a paletização , a indústria
de autopeças, e indústrias em geral como madeireira,
fábricas que fazem corte em mármore, entre outras.
Segundo o engenheiro, a Kuka já possui quase mil robôs
instalados no Brasil.
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